Dólar comercial fecha em queda e renova menor cotação desde 6 de janeiro

Em dia de agenda cheia, mercado avalia minuta do Fed, IPCA, fluxo cambial e possibilidade de novas emissões de Global 2019

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SÃO PAULO – O dólar comercial fechou em expressiva queda de 0,72% nesta quarta-feira (8), sendo cotado a R$ 2,203. Com isto, a moeda norte-americana atinge sua menor cotação desde o dia 6 de janeiro, quando encerrou valendo R$ 2,179. Tendência contrária foi vista ao longo da sessão diante das principais divisas do mundo, como o euro, a libra esterlina e o franco suíço.

A sessão apresentou forte instabilidade em todo o mundo. Nos EUA, investidores norte-americanos mostrarem entusiasmo com as possíveis mudanças nos programas estatais Talf (Term Asset-Backed Securities Loan Facility) e Tarp (Troubled Asset Relief Program), mas resultados trimestrais negativos e indicadores econômicos preocupantes na Europa ajudaram a manter a cautela no mercado. Também teve ampla repercussão a aprovação de medidas para controlar vendas a descoberto nas bolsas norte-americanas.

O principal destaque da sessão no âmbito externo ficou com a publicação da minuta da última reunião do Federal Reserve. No documento, os dirigentes voltaram a destacar a fragilidade da economia norte-americana e a falta de liquidez no mercado de crédito. A extensão do programa Talf também entrou em pauta, sem consenso sobre suas eficácias e riscos.

Inflação, fluxo cambial e global 2019

Na agenda doméstica, foi divulgado dados sobre a inflação de março, com o resultado do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) apresentando alta de 0,2% no nível de preços. Com isso, reforça-se a pressão sobre cortes adicionais na taxa Selic na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), a ser realizada ainda em abril.

Em entrevista à Dow Jones, o secretário-adjunto do Tesouro, Paulo Valle, anunciou que o governo brasileiro pode reabrir as emissões do título de dívida externa Global 2019 ainda este ano. “Estamos analisando o mercado e nossa estratégia inclui a eventual reabertura do bônus Global 2019”, disse Valle.

Divulgado pelo Banco Central, o fluxo cambial acumulado em março ficou negativo em US$ 797 milhões. A cifra marca o retorno do fluxo ao campo deficitário, após ter registrado superávit de R$ 841 milhões em fevereiro. Ao final do último mês os bancos estavam comprados em US$ 145,2 milhões, enquanto no mesmo período de 2008 a posição era superior, com os bancos comprados em US$ 9,783 bilhões.

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Avaliando os dados do fluxo cambial, a LCA Consultores diz que sua expectativa de curto prazo é de que o dólar oscile em torno de R$ 2,25 nos próximos meses. Para o final de 2009, a consultoria acredita na possibilidade da moeda dos EUA se aproximar de R$ 2,15 ou menos, “embora a incerteza global ainda elevada mantém viva a possibilidade de que a cotação cambial possa voltar a ficar mais pressionada”.

Confira as cotações do dólar

O dólar comercial fechou cotado a R$ 2,2010 na compra e R$ 2,2030

na venda, baixa de 0,72% em relação ao fechamento anterior. No mercado paralelo, a moeda norte-americana encerrou o dia negociada a R$
2,4500, representando um ágio de 11,31%
em relação ao dólar comercial.
Com esta queda, o
dólar acumula desvalorização de 4,71% em abril, frente
à queda de 2,49% registrada no mês passado.

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No ano a desvalorização acumulada da moeda norte-americana
já chega a 5,73%.

Dólar futuro na BM&F
também fechou em queda

Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em maio
encerrou o dia cotado a R$ 2.214,
baixa em relação ao fechamento
de R$ 2.226

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da última terça-feira. O contrato com vencimento em junho, por sua vez, fechou em forte baixa,
atingindo R$ 2.233 frente
à R$ 2.254 do fechamento de
terça-feira.

O dólar pronto, que é a referência para a moeda norte-americana na BM&F Bovespa, registrava R$ 2,2030000

FRA de cupom cambial

Por fim, o FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 1,36% para maio de 2009, mantendo-se estável em relação ao fechamento anterior.