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SÃO PAULO – Com novos desdobramentos em relação à aprovação do pacote anti-crise nos EUA, o dólar comercial disparou e encerrou esta segunda-feira (29) com alta intensa de quase 6%, a maior desde janeiro de 2002, quando o mercado sofria fortes turbulências por conta das tensões em torno das eleições presidenciais. Cotada a R$ 1,965, a divisa atingiu seu maior patamar desde 5 setembro de 2007.
Os investidores esperavam ansiosamente pela aprovação nesta semana do pacote anti-crise norte-americano de US$ 700 bilhões, para muitos, a única possibilidade para minimizar os impactos da crise subprime.
A Câmara dos Estados Unidos, entretanto, rejeitou nesta tarde, por 228 votos contra e 205 votos a favor, o pacote de Ben Bernanke, presidente do Fed, e de Henry Paulson, secretário do Tesouro norte-americano. Em efeito dominó, as perdas se expandiram pelo mundo.
Oscilações
Wall Street desabou em resposta, enquanto a Bolsa brasileira teve suas negociações interrompidas pelo sistema de circuit breaker, engatilhado após queda de mais de 10% do Ibovespa.
A valorização do dólar também se viu frente às principais divisas de referência do mundo, em especial pelo anúncio da necessidade de intervenção de bancos centrais em instituições financeiras européias.
Com a grande volatilidade na cotação do câmbio no decorrer do dia, a BM&F Bovespa aumentou o limite de oscilação máxima para o contrato com vencimento em novembro de 2008 do dólar futuro, que foi de 5% para 8%. O novo percentual só valeu para a sessão desta segunda-feira, voltando ao valor antigo a partir da terça-feira.
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Indicadores brasileiros
A agenda econômica acabou ficando em segundo plano, porém, os indicadores brasileiros trazidos nesta segunda-feira servem para amenizar um pouco a tensão externa. O destaque vai para a edição revisada do relatório Focus, que trouxe projeções de inflação mais amenas e expectativa de dólar a R$ 1,70 no ano que vem.
Além disso, a FGV (Fundação Getulio Vargas) divulgou o resultado do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) de setembro, que registrou alta de 0,11% este mês. A variação ficou 0,43 ponto percentual acima da apurada em agosto.
Confira as cotações
O dólar comercial fechou cotado a R$ 1,9620 na compra e R$ 1,9650 na venda, forte alta de 5,99% em relação ao fechamento anterior. No mercado paralelo, a moeda norte-americana encerrou o dia negociada a R$ 1,9500, representando um deságio de 0,61% em relação ao dólar comercial.
Com esta alta, o dólar acumula valorização de 20,18% em setembro, frente à alta de 4,54% registrada no mês passado. No ano a valorização acumulada da moeda norte-americana já chega a 10,64%.
Dólar futuro na BM&F Bovespa também fechou em alta
Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em outubro encerrou o dia cotado a R$ 1.967, forte alta em relação ao fechamento de R$ 1.852 da última sexta-feira. O contrato com vencimento em novembro, por sua vez, fechou a R$ 1.979.
O dólar pronto, que é a referência para a moeda norte-americana na BM&F Bovespa, registrava R$ 1,9660000.
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Curva de FRA de cupom cambial
O FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, se manteve estável e fechou a 6,15 para novembro de 2008.