Dólar comercial consolida alta durante a tarde e fecha cotado a R$ 1,682

Possibilidade de maior participação do governo no mercado cambial e dia ruim nos mercados contribuiu para a valorização da moeda

Publicidade

SÃO PAULO – Após ensaiar um movimento negativo no começo da tarde, o dólar comercial intensificou sua trajetória de valorização, terminando esta quarta-feira (6) cotado na venda a R$ 1,682 – alta de 0,42%. Além da apreensão instaurada nos mercados, pesaram no rumo da cotação da moeda norte-americana as novas medidas anunciadas pelo governo para tentar conter a apreciação do real.

Durante a manhã, a resolução do CMN (Conselho Monetário Nacional), publicada no Diário Oficial da União, abriu espaço para a ampliação da intervenção governamental no mercado de câmbio. “As operações de câmbio (…) podem ser contratadas para liquidação no prazo máximo de 1.500 dias”, referindo-se também às compras do Tesouro para o pagamento da dívida, cujo limite anterior era de 750 dias.

Aliado a isso, o Ministério da Fazenda esclareceu alguns pontos referentes à nova taxação do IOF. O capital estrangeiro que ingressar no País via aplicações em debêntures, fundos multimercados ou mesmo fundos de ações serão tributados à alíquota de 4%.

Referências domésticas
No mais, esta quarta-feira contou com mais uma rodada dupla de intervenções do Banco Central no câmbio. O primeiro leilão de compra de dólares no mercado cambial à vista ocorreu por volta das 12h30 (horário de Brasília), tendo uma taxa de corte aceita em R$ 1,6752. Já a segunda intervenção teve início às 15h52 e terminou às 15h57, com taxa de R$ 1,6825.

Ainda no front doméstico, o fluxo cambial mostrou que a entrada de dólares no País superou a saída em US$ 13,726 bilhões em setembro, impulsionando o saldo positivo acumulado em 2010 para US$ 18,098 bilhões. No mesmo mês, a autoridade monetária informou que comprou US$ 10,757 bilhões no mercado cambial, sua maior aquisição mensal desde o início do ciclo de intervenções, em maio de 2009. De lá pra cá, o montante comprado já chega a US$ 56,838 bilhões.

Agenda internacional
No cenário internacional, as referências foram predominantemente negativas. Logo pela manhã, os dados de desemprego no setor privado norte-americano mostraram corte de 39 mil vagas, bem abaixo da criação de 18 mil postos estimados. Ainda sobre os EUA, o FMI (Fundo Monetário Internacional) reduziu suas previsões de crescimento da economia do país, tanto para este ano quanto para o próximo, além de também prever um ritmo mais lento de recuperação.

Continua depois da publicidade

Já na Europa, a agência de classificação de risco Fitch reduziu o rating da Irlanda de “AA-“ para “A+” , alertando ainda para a possibilidade de novos cortes. Contrastando a todas essas referências negativas, o PIB (Produto Interno Bruto) da Zona do Euro registrou expansão de 1,0% no segundo trimestre de 2010, em linha com o esperado.

Dólar a R$ 1,682
O dólar comercial fechou cotado a R$ 1,6800 na compra e R$ 1,6820 na venda, alta de 0,42% em relação ao fechamento anterior. Apesar desta alta, o dólar acumula desvalorização de 0,59% em outubro, frente à baixa de 3,70% registrada no mês passado. No ano a desvalorização acumulada da moeda norte-americana já chega a 3,40%.

Dólar futuro na BM&F também fechou em alta
Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em novembro  encerrou o dia cotado a R$ 1.689, forte alta em relação ao fechamento de R$ 1.673 da última terça-feira. O contrato com vencimento em dezembro, por sua vez, fechou em alta, atingindo R$ 1.699 frente à R$ 1.688 do fechamento de terça-feira.
 

O dólar pronto, que é a referência para a moeda norte-americana na BM&F Bovespa, registrava R$ 1,6810000.

Continua depois da publicidade

FRA de cupom cambial
Por fim, o FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 1,95 para dezembro de 2010, 0,05 ponto percentual abaixo do que foi registrado na sessão anterior.