Dólar comercial chega a sua quinta alta consecutiva e encerra cotado a R$ 1,838

Proibição do naked short selling na Alemanha contribuiu para o clima instável nos mercados; ata do Fed e agenda doméstica em foco

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SÃO PAULO – Mantendo firme sua trajetória de valorização, o dólar comercial chegou à sua quinta sessão consecutiva de alta nesta quarta-feira (19), sendo cotado na venda a R$ 1,838 – variação positiva de 0,88%. Restrições anunciadas no mercado acionário alemão colaboraram para mais um dia de forte aversão ao risco nos mercados, ofuscando a divulgação da ata do Federal Reserve e os dados do mercado cambial brasileiro.

A Bafin, reguladora do mercado de capitais da Alemanha, baniu o naked short selling (operações de venda a descoberto sem confirmação do aluguel). Operações com CDSs (Credit Default Swaps) de títulos europeus e ações de 10 grandes instituições financeiras, como as da Allianz e Deutsche Bank, também foram proibidas pelo órgão regulatório.

A notícia ecoou negativamente nos mercados, provocando fortes quedas nas principais bolsas do mundo. Diante disso, o dólar acaba ganhando a preferência dos investidores, tendo em vista o caráter conservador da moeda norte-americana. Além disso, a nova queda do Ibovespa também sinaliza uma provável fuga do capital investido no mercado acionário.

Front doméstico
Por aqui, o fluxo cambial, divulgado pelo Banco Central, mostrou que a entrada de dólares no País superou a saída em US$ 2,736 bilhões nos dez primeiros dias úteis, elevando o saldo positivo acumulado em 2010 para US$ 7,774 bilhões. A autoridade monetária também informou que, nesse mesmo período, adquiriu US$ 3,854 bilhões por meio de leilões de compra de dólares no mercado cambial à vista, inflando o montante acumulado desde o início do ciclo de intervenções, em maio de 2009, para US$ 39,306 bilhões.

E por falar nessas intervenções cambiais, o BaCen realizou mais uma compra de dólares por meio de leilão. A operação desta quarta-feira ocorreu entre as 16h23 e as 16h33 (horário de Brasília), com uma taxa de corte aceita em R$ 1,8358.

Fechando as referências domésticas, destaque para as projeções de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) local. Segundo o BC, a atividade econômica do País cresceu 9,84% no primeiro trimestre do ano, na comparação com o mesmo período de 2009. Já o ministro da Fazenda, Guido Mantega, espera ver no final de 2010 um avanço entre 5,5% e 6% no indicador. Mantega ainda falou que, em 2025, o Brasil será a quarta maior economia do mundo.

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EUA: ata do Fed e inflação
Nos Estados Unidos, destaque para a ata do Fed, mostrando que os membros do comitê avaliam o ritmo da recuperação econômica do país como moderado. Contudo, eles destacam que os níveis de deterioração da indústria norte-americana “já está chegando ao fim” e demonstram não estarem com pressa para vender ativos públicos – a proposta que previa a venda de papéis do setor imobiliário foi vetada pelo conselho. A projeção para o PIB norte-americano em 2010 foi elevada.

Ainda na principal economia do mundo, o CPI (Consumer Price Index), índice responsável por medir a variação dos preços na economia norte-americana, recuou 0,1%, enquanto analistas esperavam uma variação positiva de 0,1%.

Dólar a R$ 1,838
O dólar comercial fechou cotado a R$ 1,8360 na compra e R$ 1,8380 na venda, forte alta de 0,88% em relação ao fechamento anterior. Com esta alta, o dólar acumula valorização de 5,75% em maio, frente à baixa de 2,41% registrada no mês passado. No ano a valorização acumulada da moeda norte-americana já chega a 5,56%.

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Dólar futuro na BM&F também fechou em alta
Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em junho  encerrou o dia cotado a R$ 1.841, alta em relação ao fechamento de R$ 1.826 da última terça-feira. O contrato com vencimento em julho, por sua vez, fechou em forte alta, atingindo R$ 1.853 frente à R$ 1.839 do fechamento de ontem.

O dólar pronto, que é a referência para a moeda norte-americana na BM&F Bovespa, registrava R$ 1,8375000.

FRA de cupom cambial
Por fim, o FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 1,45 para julho de 2010, 0,10 ponto percentual acima do que foi registrado na sessão anterior.