Dólar comercial amplia queda, após dados sobre economia dos EUA

Ministro Mantega afirma que, por enquanto, Governo não estuda novas medidas; já os analistas projetam novas intervenções

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SÃO PAULO – O dólar comercial segue operando em queda, com expressiva baixa de 0,75%, cotado a R$ 1,7270 na venda. Embora tenha operado no campo positivo em alguns momentos da sessão, a tendência de queda foi predominante durante a maior parte da manhã, com os investidores avaliando a inflação menor que o esperado nos EUA.

O Banco Central divulgou há pouco o fluxo cambial das duas primeiras semanas de novembro, que registrou déficit de US$ 14 milhões. O destaque fica por conta do déficit financeiro, que foi de US$ 562 milhões no período, pressionando o resultado.

Além disso, a autoridade monetária divulgou também dados referentes às reservas internacionais, que acumulavam US$ 285,901 bilhões. Em novembro, até o dia 12, foram adquiridos US$ 1,464 bilhão no mercado à vista. Vale lembrar que o BC recentemente modificou a rotina de intervenções diárias no mercado de câmbio, reduzindo o número de atuações de duas para uma.

Indicadores dos EUA
Nesta manhã, o Departamento de Comércio norte-americano divulgou dados referentes ao mercado imobiliário, que ficaram abaixo das expectativas dos analistas. O Housing Starts, que mede o número de casas em início de construção, registrou 519 mil casas, frente à projeção de 600 mil.

Do mesmo modo, o Building Permits, que apura o número de autorizações para construção de novas casas, registrou 550 mil autorizações, enquanto o mercado esperava 570 mil.

Em relação à inflação, um dos indicadores mais esperados em meio ao cenário de preocupação com o ritmo de crescimento da economia, o CPI (Cosumer Price Index) apontou taxa de 0,2% em outubro, enquanto que o mercado projetava inflação de 0,3%. Na mesma linha, o Core CPI, que é o mesmo índice excluindo custos relativos à alimentação e energia, registrou estabilidade nos preços – o mercado projetava inflação de 0,1%.

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Europa
Na Europa, a expectativa continua girando em torno das medidas de resgate econômico para o sistema bancário da Irlanda, embora o governo do país mantenha a relutância sobre a aceitação do auxílio. 

Intervenção do Governo
No Brasil, o ministro da Fazenda Guido Mantega afirmou nesta quarta-feira que, até o momento, não vê necessidade de novas medidas na área cambial. “Não vejo necessidade de novas medidas neste momento. Vamos deixá-lo [câmbio] se acomodar”, afirmou o ministro.

Além disso, avaliando as medidas promovidas até agora – restrições para o ingresso de capital estrangeiro em renda fixa via aumento de IOF (Imposto Sobre operações Financeiras) – o ministro afirmou que “as medidas que nós tomamos se mostraram eficazes e o real é uma das moedas que menos tem se valorizado ante o dólar”.

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Contrariando a opinião do ministro, o economista André Carvalho, do UBS, avalia que o cenário projetado é com o dólar num patamar próximo de R$ 1,65 até o fim de 2011 e com o novo governo anunciando medidas de intervenção num futuro próximo.

Dólar futuro na BM&F também opera em queda
Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em dezembro é cotado a R$ 1.732, forte baixa de 0,83% em relação ao fechamento de R$ 1.747 da última terça-feira. O contrato com vencimento em janeiro, por sua vez, opera em forte baixa de 0,77%, atingindo R$ 1.745 frente a R$ 1.758 do fechamento de terça-feira.