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SÃO PAULO – Após esboçar uma trajetória declinante no final da manhã, o dólar comercial consolidou sua movimentação positiva durante a tarde, acentuando seus ganhos à medida que se aproximava de seu fechamento. Desta forma, a moeda terminou esta quarta-feira (24) cotada na venda a R$ 1,803 – alta de 1,18%.
Contrariando o clima de otimismo visto na véspera, os mercados mostraram-se apreensivos diante dos acontecimentos envolvendo a Europa e dos indicadores econômicos divulgados na economia norte-americana, contribuindo para a busca dos investidores por ativos com menor exposição ao risco, como o dólar.
Na agenda doméstica, o fluxo cambial mostrou que a saída de dólares do País superou a entrada em US$ 2,345 bilhões nos primeiros 15 dias úteis de março. Durante o período, o superávit comercial de US$ 837 milhões foi ofuscado pelo saldo financeiro, que teve um desempenho deficitário em US$ 3,181 bilhões.
Compra de dólares e Meirelles
Além do fluxo cambial, o Banco Central também mostrou novos números acerca de suas recentes intervenções no mercado cambial. Até a última sexta-feira (19), a autoridade monetária captou US$ 2,413 bilhões em março, ampliando o montante adquirido desde o início do ciclo de intervenções – em maio de 2009 – para US$ 31,948 bilhões. As reservas internacionais, por conta disso, somavam US$ 243,496 bilhões até esta data.
Por falar nessas intervenções, o Bacen realizou nesta quarta-feira um novo leilão de compra da moeda norte-americana no mercado à vista. Bem mais cedo do que costuma ocorrer, a operação foi realizada entre as 11h42 e as 11h52 (horário de Brasília) e teve uma taxa aceita em R$ 1,7831.
Fechando as referências domésticas, o presidente Lula disse no Itamaraty que conversará apenas na semana que vem com o atual presidente do BC, Henrique Meirelles, sobre sua possível saída do cargo para disputar as eleições. Durante a entrevista, Lula disse que está nas mãos de Meirelles a decisão de sair ou não do cargo máximo do Banco Central. “Não sei se ele quer ser candidato”, disse o presidente.
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Europa: Rating e FMI
Passando para as referências internacionais, destaque para o rebaixamento do rating de Portugal pela agência de classificação de risco Fitch Ratings, que mudou a a nota de “AA” para “AA-“, avaliando que as perspectivas de recuperação econômica do país permanecem aquém das demais economias da Zona do Euro.
Como se não bastasse, o clima em torno da economia grega continua a preocupar os investidores. Nesta manhã, ficou em destaque a notícia de que Alemanha e França concordaram em envolver o FMI (Fundo Monetário Internacional) em um possível resgate à Grécia, contrariando o desejo inicial do governo francês, que não concordava com a intervenção de um órgão fora da União Europeia.
Indicadores dos EUA também preocupam
Os sinais emitidos pelos EUA também não foram favoráveis aos mercados. Logo cedo, o Departamento de Comércio divulgou o Durable Good Orders, que mostrou uma alta de 0,5% no volume de pedidos de bens duráveis em fevereiro, na comparação com janeiro. A expectativa era de aumento de 0,6% no período.
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No mesmo sentido, o New Home Sales reportou queda no número de vendas de casas novas nos Estados Unidos. O indicador apontou um volume anualizado de 308 mil contratos em fevereiro, abaixo do visto em janeiro e do previsto pelos analistas, ambos de 315 mil.
Dólar a R$ 1,803
O dólar comercial fechou cotado a R$ 1,8010 na compra e R$ 1,8030 na venda, forte alta de 1,18% em relação ao fechamento anterior. No mercado paralelo, a moeda norte-americana encerrou o dia negociada a R$ 1,9200, representando um ágio de 6,61% em relação ao dólar comercial.
Apesar desta alta, o dólar acumula desvalorização de 0,33% em março, frente à queda de 4,13% registrada no mês passado. No ano a valorização acumulada da moeda norte-americana já chega a 3,55%.
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Dólar futuro na BM&F também fechou em alta
Na BM&F, o contrato futuro com vencimento em abril encerrou o dia cotado a R$ 1.802, forte alta de 1,24% em relação ao fechamento de R$ 1.780 da última terça-feira. O contrato com vencimento em maio, por sua vez, fechou em forte alta de 1,40%, atingindo R$ 1.814 frente à R$ 1.789 do fechamento de ontem.
O dólar pronto, que é a referência para a moeda norte-americana na BM&F Bovespa, registrava R$ 1,8005000.
FRA de cupom cambial
Por fim, o FRA de cupom cambial, Forward Rate Agreement, referência para o juro em dólar no Brasil, fechou a 1,12% para maio de 2010, estável em relação ao que foi visto no último fechamento.