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Dólar começa novembro congelado, com alta de 0,06%

Moeda norte-americana encerrou com leve alta de 0,06%, a 2,0315 reais na venda

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SÃO PAULO – Apesar da forte agenda de indicadores domésticos e no exterior, o dólar começou o mês de novembro da mesma forma que terminou outubro: congelado.

A moeda norte-americana encerrou com leve alta de 0,06 por cento, a 2,0315 reais na venda, nível que autoridades brasileiras consideram favorável à indústria do país. Na avaliação de operadores, há poucas perspectivas de mudanças no curto prazo.

Intervenções do Banco Central e declarações de integrantes do governo deixaram claro nos últimos meses que o dólar deve ficar acima de 2 reais. A previsibilidade da cotação da moeda afastou os investidores do mercado, o que é evidenciado pela volatilidade ínfima e pelos pequenos volumes diários.

Neste pregão, o dólar oscilou entre 2,0299 reais e 2,0325 reais. O giro financeiro foi de 1,916 bilhão de dólares, segundo dados da BM&FBovespa. Na semana, a divisa teve alta de 0,24 por cento frente ao real.

“O mercado já vinha um pouco devagar em função da própria economia mundial e do governo, mas teve um agravante essa semana, com o furacão Sandy”, disse o operador da Interbolsa Corretora Ovidio Soares.

O furacão, que virou uma forte tempestade ao atingir a costa leste dos Estados Unidos no início da semana, somado ao feriado do Dia de Finados nesta sexta-feira, reduziu ainda mais o volume de negócios, disse Soares.

O volume pode ter alguma melhora na semana que vem, mas a tendência de baixa volatilidade da moeda deve continuar. Para Soares, o dólar poderia subir um pouco diante do real nos próximos dias apenas se houver deterioração significativa dos mercados externos.

“Estamos praticamente congelados, engessados. A agenda de indicadores lá fora está forte hoje, mas isso basicamente não influencia em nada”, afirmou o superintendente de câmbio da Advanced Corretora, Reginaldo Siaca.

Dados divulgados mais cedo mostraram que a economia chinesa pode finalmente estar retomando a força. Nos Estados Unidos, números de emprego sugeriram que a maior economia do mundo pode estar recuperando o fôlego.

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Embora tais dados ajudassem a alimentar o apetite por risco do investidor, o dólar também tinha oscilações pequenas em relação a outras moedas. Frente a uma cesta de divisas, o dólar registrava alta de 0,16 por cento, enquanto o euro caía 0,18 por cento ante a moeda norte-americana.

As incertezas sobre as perspectivas da economia global –incluindo a crise da dívida da zona do euro, o “abismo fiscal” dos Estados Unidos e a desaceleração da atividade chinesa– ainda dão um tom de cautela aos mercados, segundo o operador do Banco Daycoval Luiz Fernando Gênova.

“O mercado continua receoso. O crescimento econômico continua sendo a grande questão dos mercados e, enquanto não houver uma melhora significativa, o pessoal continuará com receio de aumentar a exposição ao risco”, afirmou.

A ausência de grandes acontecimentos no cenário internacional tem colaborado para manter o dólar nos atuais níveis, além da posição das autoridades brasileiras sobre o câmbio.

A intenção de manter o real desvalorizado foi novamente evidenciada na quarta-feira, desta vez pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, que disse que o governo está “empenhado” em manter o dólar no nível de 2 reais.

O governo defende que a moeda norte-americana nesse nível aumenta a competitividade da indústria brasileira no exterior, essencial para impulsionar o crescimento econômico do país.

Segundo dados divulgados mais cedo, a produção industrial brasileira caiu 1 por cento em setembro frente a agosto. Trata-se do pior resultado mensal desde janeiro passado, quando a contração foi de 1,8 por cento.