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SÃO PAULO – Desde o início de 2003 o dólar acumula desvalorização de 8,17%, diante do maior otimismo dos investidores de que os recursos que saíram do país no ano passado, devido à incerteza com relação ao cenário eleitoral devem voltar ao país.
Este otimismo já se reflete no desempenho do mercado acionário, que depois de fechar o terceiro ano consecutivo em queda, já acumula alta de 8% desde o início do ano, com o Ibovespa ultrapassando os 12 mil pontos. Diante deste cenário, muitos investidores passaram a se questionar se este comportamento do mercado deverá se manter para nas próximas semanas.
Entrada de recursos favorece queda do dólar
O maior otimismo dos investidores permitiu que o mercado de capitais internacional, que permaneceu praticamente fechado ao Brasil durante o segundo semestre do ano passado, devido ao forte aumento do risco país em resposta às incertezas com relação ao processo eleitoral, voltasse a se abrir para captações de empresas brasileiras.
A boa receptividade alcançada pelo novo governo junto ao mercado, o Bradesco conseguiu captar US$ 250 milhões em Euronotes no início da semana passada, favorecendo a queda do dólar e do risco país. Aproveitando a demanda internacional por títulos brasileiros, outros bancos, como Itaú, Unibanco, ABN Amro e Votorantim, assim como algumas empresas, como a Vale do Rio Doce e a CST, também obtiverm recursos no exterior, captando um maior volume de recursos e pressionando ainda mais o dólar.
Desaceleração da inflação animou mercado
Aliado a isto, está o fato de que os índices inflacionários divulgados referentes ao mês de dezembro, assim como as primeiras prévias para o mês de janeiro, já confirmam uma tendência de desaceleração no ritmo de elevação dos preços.
Apesar de ainda ser cedo para se antecipar uma redução da taxa básica de juros da economia, que se encontra em 25% ao ano, esta tendência animou o mercado, pois confirmou que a aceleração da inflação no final do ano passado foi extraordinária, e que os preços devem voltar a subir em um ritmo mais aceitável, especialmente diante da queda do dólar.
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Juros não devem cair tanto
Contudo, a redução nos juros não deve ser tão significativa, e o mais provável é que a Selic feche 2003 em um patamar mais alto do que começou o ano passado, quando estava em 19% ao ano. Segundo o último relatório Focus do Banco Central, que compila a opinião de cerca cem analistas, o mercado acredita que a Selic encerre 2003 a 22,50% ao ano, confirmando a tendência de queda, mas não tão acentuada, da taxa de juros.
Após três anos consecutivos registrando perdas, a Bovespa deve esboçar alguma recuperação em 2003. Porém, é importante ressaltar que o desempenho da bolsa deve estar atrelado à perspectiva do mercado com relação ao novo governo, assim como ao desempenho das bolsas no mercado externo. Assim, a fraca recuperação da economia dos EUA e a possibilidade de uma guerra no Oriente Médio provavelmente prejudicariam o mercado acionário brasileiro.
Antes de qualquer coisa defina prazo e risco
Deste modo, a alocação do seu dinheiro deve levar em conta o prazo que você pode manter os recursos aplicados e o risco que você está disposto a correr. Se você tem disposição para aplicar por um prazo superior a seis meses, o momento ainda pode ser interessante para aplicar em ações, já que o otimismo deve prevalecer no mercado, e alguns papéis estão realmente baratos.
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Para quem não é tão arrojado e prefere algo mais conservador, ou não pretende deixar o dinheiro investido por muito tempo, os fundos DI se apresentam como uma opção interessante, visto que os juros devem permanecer relativamente altos. Mas se estiver disposto a correr um pouco mais de risco, pode optar por opções que combinem renda fixa e renda variável, como fundos carteira livre ou fundos multimercados, que podem aproveitar melhor as oscilações nos diversos mercados.
De qualquer forma, antes de fazer qualquer coisa, tenha em mente o prazo e o risco que você está disposto a correr. Aí sim você deve escolher onde aplicar e em qual instituição financeira você pode aplicar seus recursos.