Dólar cai mais de 2% após ata do Fomc e volta a ser cotado em R$ 3,06

Moeda volta a registrar fortes perdas nesta sessão e especialistas comentam tendência daqui para frente, com possibilidade de manutenção das quedas

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SÃO PAULO – Após encerrar a sequência de 5 quedas consecutivas ontem, o dólar volta a registrar fortes perdas nesta quarta-feira (8). A tendência já era de queda desde a abertura, mas se acentuou momentos antes da divulgação da ata do Fomc (Federal Open Market Committee), se mantendo após o relatório ser apresentado. A moeda esboçou ganhar forças com um documento confuso dos membros do Fed, mas segue para fechar o dia com queda de mais de 2%.

Às 15h40 (horário de Brasília), o dólar comercial tinha queda de 2,32%, cotado a R$ 3,0606 na compra e R$ 3,0613 na venda. A ata do Fomc não mostrou muita firmeza, com os integrantes do grupo se dividindo sobre o momento certo para a elevação dos juros nos EUA. Com isso, o mercado parece ter entendido que o Fed deve se manter atento e atualizar suas projeções a cada nova reunião.

Enquanto alguns membros do Fomc se mostram favoráveis à alta, outros integrantes acreditam que uma elevação das taxas não se justifica até o final do ano, sendo que os baixos preços do petróleo e o dólar em alta devem ajudar a segurar a inflação em baixa. Apenas dois membros se mostraram favoráveis a alta dos juros em 2016. Vale lembrar que em seus últimos discursos, a presidente da autoridade Janet Yellen, o vice-presidente do Fomc William Dudley e o vice-presidente do Fed Stanley Fischer já deixaram clara suas opiniões de que os juros deverão permanecer próximos de zero por pelo menos até o segundo semestre.

Segundo a equipe da Wagner Investimentos, a grande pergunta do mercado agora é se o Payroll de março – que ficou pior que o esperado – é um ponto fora da curva ou se abre uma tendência de redução de contratações. Esse é um ponto que não foi refletido na ata de hoje, já que o documento se refere a uma reunião ocorrida em 17 e 18 de março, ou seja, antes da apresentação dos números de emprego por lá.

De acordo com os consultores da Wagner, não será uma surpresa a continuidade da queda do dólar no Brasil, mesmo que a tendência de alta se mantenha, devido à ausência de notícias. Eles destacam ainda a queda do risco-país e das taxas de juros de longo prazo. Eventuais novas quedas da moeda só devem ocorrer com uma melhora do cenário, favorecido por conquistas do ministro Joaquim Levy no Congresso e com a divulgação dos relatórios da Fitch e Moody’s mantendo o rating soberano.

“Caso o dólar continue recuando, ele pode entrar novamente em área de compra muito favorável no gráfico de longo prazo. Se isto ocorrer, seria um excelente ponto de entrada. Por enquanto, nos parece mais viável procedimento de compra visando preço médio e tomando cuidado caso a cotação ultrapasse o gatilho de curto prazo, hoje em torno de R$ 3,14 e R$ 3,15”, destaca a equipe da Wagner.

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Outro fator que traz ânimo para o mercado doméstico e reforça a queda acentuada do dólar é a expectativa de que o ajuste fiscal do governo possa andar mais rápido agora que a presidente Dilma Rousseff (PT) colocou o vice Michel Temer (PMDB) irá assumir a articulação política no lugar de Pepe Vargas (PT-RS). A esperança agora é que Temer consiga melhorar a relação do governo com o Congresso e ajude no andamento e nas aprovações das medidas de ajuste.

Vale ainda destacar o resultado do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que em março ficou em 8,13% no acumulado de 12 meses. Essa variação da inflação é a mais alta desde o período encerrado em dezembro de 2003 (com alta de 9,30%). Apesar do resultado negativo, o número ainda ficou abaixo do que os analistas esperavam. Além disso, caso a inflação resista em cair, novas altas na Selic devem ocorrer, o que pode sustentar uma entrada de recursos no País e manter o dólar em queda.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.