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SÃO PAULO – O dólar fechou em forte queda de mais de 1 por cento nesta quinta-feira ante o real, após o Banco Central atuar nos mercados quando a divisa norte-americana já operava em queda devido ao maior apetite de investidores por risco diante da recuperação da balança comercial chinesa no mês passado.
Para especialistas, a autoridade monetária não quer a moeda norte-americana acima de 2,30 reais para não pressionar ainda mais a inflação.
O dólar recuou 1,17 por cento, para 2,2869 reais na venda, mas chegou a bater 2,2745 reais na mínima do dia. O volume de negócios continuava reduzido, em linha com os últimos pregões, e ficou em torno de 1,7 bilhão de dólares.
Já o dólar futuro para entrega em setembro caía 1,10 por cento, para 2,3005 reais, às 17h03.
“O BC mostrou para o mercado que não quer o dólar nesse patamar de 2,30 reais”, disse o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo. “O que ele não quer é que o dólar prejudique o combate a inflação”.
Nesta quinta-feira, o BC realizou leilão de swap cambial tradicional –equivalente à venda de dólares no mercado futuro. Da oferta de até 20 mil contratos, foram vendidos 12.700 papeis com vencimento em 1º de novembro de 2013 e 2 de dezembro de 2013. A data de início dos contratos é 9 de agosto e o volume financeiro foi o equivalente a 630,9 milhões de dólares.
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O BC fez o anúncio do leilão quando a moeda operava em queda de mais de 1 por cento, seguindo a tendência nos mercados internacionais, aproveitando para ampliar o movimento de desvalorização depois de o dólar encerrar a véspera acima de 2,31 reais, pela primeira vez em mais de quatro anos.
“É um movimento internacional graças aos dados da China, e o mercado de câmbio está animado”, destacou o gerente de câmbio da Fair Corretora, Mario Battistel.
As exportações chinesas cresceram 5,1 por cento em julho ante o ano anterior, enquanto as importações foram ainda melhores, com salto de 10,9 por cento na mesma comparação, mais de cinco vezes o que analistas esperavam.
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Essa recuperação ofereceu esperanças de que a segunda maior economia do mundo possa estar se estabilizando, após desaceleração que levou o governo a agir para sustentar a atividade econômica.
Com isso, o apetite dos investidores por moedas de países emergentes e por ativos de risco aumentou nesta quinta-feira.
Segundo analistas, entretanto, o viés ainda é de alta, uma vez que os fatores que têm motivado a valorização do dólar ante o real continuam com pano de fundo.
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“No médio prazo o cenário ainda é ruim. É praticamente certo que o Fed vai reduzir os estímulos, a questão é saber quando isso vai ocorrer. Eu acredito que essa queda mais forte (do dólar) de hoje é pontual”, disse o operador de um grande banco brasileiro, referindo-se à expectativa de que o banco central norte-americano reduza em breve seu estímulo monetário, diminuindo a oferta global de dólares.
Essa perspectiva tem assombrado os mercados desde maio, quando integrantes do Fed começaram a sinalizar que o programa de compra de ativos pode estar chegando ao fim. De lá para cá, a moeda norte-americana acumulou alta de 14,3 por cento ante o real.
Além disso, afirmou o operador, as incertezas diante da economia brasileira, que não tem mostrado recuperação consistente, tendem a afastar investimentos do país, pressionando para cima as cotações do dólar.