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O dólar passou a sofrer pressão depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma tarifa de 10% sobre países europeus que se opõem aos seus planos de tomar a Groenlândia. A medida elevou a cautela em relação à manutenção de ativos americanos, diante do caráter errático da política dos EUA.
O Bloomberg Dollar Spot Index caiu 0,1% nesta segunda-feira (19), após o novo imposto sobre bens de oito países que apoiam a manutenção da Groenlândia sob controle da Dinamarca. Os contratos futuros de Treasuries operaram de forma mista, com os mercados à vista fechados devido a um feriado nos Estados Unidos.
As moedas europeias avançaram, com o franco suíço se destacando entre seus pares do G-10, impulsionado por maior demanda por ativos de proteção. O euro subiu a partir do menor nível em quase dois meses.
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“Em um ambiente em que novamente se vê uma política americana disruptiva, em que o brilho dos ativos dos EUA pode ser um pouco questionado, acho que o dólar tende a se desvalorizar”, analisa Kamakshya Trivedi, estrategista-chefe de câmbio e mercados emergentes do Goldman Sachs. “Eu esperaria que o franco suíço fosse o principal beneficiário, em um cenário mais amplo de dólar mais fraco.”
Para George Saravelos, chefe global de pesquisa cambial do Deutsche Bank, “com a exposição ao dólar ainda muito elevada em toda a Europa, os desdobramentos dos últimos dias têm potencial para incentivar ainda mais o rebalanceamento para fora da moeda americana.”
“O ponto-chave a observar será se a União Europeia decide acionar seu instrumento anticoerção, colocando sobre a mesa medidas que afetem os mercados de capitais. A instrumentalização do capital, e não dos fluxos comerciais, seria de longe a mais disruptiva para os mercados”, avalia.
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“As ameaças tarifárias de Trump reacenderam a operação de ‘venda dos EUA’. O mercado também ficará atento à chamada ‘TACO trade’, já que Trump pode estar usando a ameaça de tarifas como tática de negociação. Isso tende a dar algum suporte ao dólar”, alerta David Forrester, estrategista sênior do Credit Agricole.
“O euro será um dos maiores prejudicados pelo aumento dos riscos geopolíticos sob a presidência de Trump em 2026. As tarifas podem somar-se aos ventos contrários cíclicos da economia da zona do euro e reduzir ainda mais a pressão sobre a Rússia para encerrar a guerra na Ucrânia”, completa.
Chris Weston, chefe de pesquisa da Pepperstone Group, destaque que “a dinâmica do mercado é que os ativos dos EUA, incluindo o dólar, agora carregam um prêmio de risco político muito mais elevado. Isso tende a levar investidores estrangeiros a reduzir ou cortar exposição a ativos americanos.”
“A crença predominante é que um acordo sobre a Groenlândia acabará sendo fechado. No entanto, quando a soberania está em jogo, a preocupação é que a situação possa ser levada a um patamar muito mais perigoso”, pondera.
“Os riscos geopolíticos ligados à Groenlândia reavivam o debate sobre a desdolarização e deixam os elevados passivos internacionais líquidos dos EUA como uma vulnerabilidade-chave”, comenta Richard Franulovich, chefe de estratégia cambial do Westpac Banking.
Já Mingze Wu, operador de câmbio da StoneX, em Cingapura, diz que “estamos vendo um pouco de enfraquecimento do dólar, o que faz sentido, já que os EUA caminham novamente para o isolacionismo. No entanto, o mercado está ficando bastante insensível às tarifas, então as reações tendem a ser contidas.”
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