Fechamento

Dólar cai a R$ 4,20 e Ibovespa fecha estável entre ânimo com PIB e exterior fraco

Mercado termina sessão sem sair do zero, com pressão vendedora ofuscando ânimo por dados econômicos fortes

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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou estável nesta terça-feira (3) com os investidores divididos entre o ânimo com o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre – que mostrou uma base mais sólida de crescimento, calcada no consumo das empresas e nos investimentos – e o pessimismo nas bolsas internacionais.

O Ibovespa teve leve variação positiva de 0,03%, a 108.956 pontos com volume financeiro negociado de R$ 17,298 bilhões.

Já o dólar comercial teve baixa de 0,19%, a R$ 4,2052 na compra e a R$ 4,2059 na venda. O dólar futuro com vencimento em janeiro de 2020 registrava queda de 0,4%, a R$ 4,2125.

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No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2021 cai dois pontos-base a 4,72% e o DI para janeiro de 2023 recua seis pontos, para 5,89%.

Lá fora, os investidores refletiram um recrudescimento do protecionismo do presidente americano, Donald Trump, que ameaçou taxar em até 100% um montante de aproximadamente US$ 2,4 bilhões em importações da França.

“A decisão de hoje do USTR envia um sinal claro de que os EUA irão agir contra regimes fiscais digitais que discriminam ou impõem encargos indevidos às empresas norte-americanas”, disse o representante comercial americano, Robert Lighthizer.

Hoje Trump disse ainda que seria melhor esperar até depois das eleições de 2020 para fechar um acordo comercial com a China.

“De certa forma, gosto da ideia de esperar até depois da eleição para o acordo com a China, mas eles querem fazer um acordo agora e veremos se o acordo será ou não certo”, disse Trump a repórteres em Londres.

Quando perguntado se ele tinha um prazo de acordo, ele acrescentou: “Não tenho prazo, não … De certa forma, acho que é melhor esperar até depois da eleição, se você quiser saber a verdade”.

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Washington e Pequim impuseram tarifas sobre bilhões de dólares em bens uns dos outros desde o início de 2018, atingindo os mercados financeiros e azedando os negócios e o sentimento do consumidor.

O desempenho das bolsas no exterior ofuscou a surpresa positiva com o PIB brasileiro do terceiro trimestre, que cresceu 0,6% em relação segundo trimestre e 1,2% em relação ao mesmo período do ano passado.

A expectativa mediana dos economistas compilada no consenso Bloomberg era de avanço de 0,4% no trimestre e 1% na base anual. Já no acumulado do ano até o mês de setembro, o PIB cresceu 1,0%, em relação a igual período de 2018.

Noticiário Corporativo

A mineradora Vale (VALE3) informou a previsão de produção de 340 milhões a 355 milhões de toneladas de minério de ferro em 2020. Já os investimentos da Vale devem somar US$ 1,8 bilhão.

Já o jornal O Globo traz que o processo de privatização do Banco do Brasil (BBAS3) já está sendo discutido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e sua equipe. O primeiro passo seria convencer Bolsonaro. Em nota, o ministério negou e o BB não comentou.

A Petrobras (PETR3; PETR4) iniciou nesta segunda-feira (2) a etapa de divulgação da oportunidade referente à venda de sua participação nos campos terrestres de Dó-Ré-Mi e Rabo Branco, localizados na Bacia de Sergipe-Alagoas.

O governo federal anuncia neste mês a reformulação do programa habitacional Minha Casa Minha Vida, que passa a ter como prioridade municípios com até 50 mil habitantes, diz o ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto.

Maiores altas

AtivoVariação %Valor (R$)
MRVE37.1633218.7
BBSE34.1135635.94
MRFG33.8709711.27
GOLL43.5087734.81
VVAR32.944389.44

Maiores baixas

AtivoVariação %Valor (R$)
SMLS3-8.5815431
CSNA3-3.8403612.77
HYPE3-2.5007432.75
GOAU4-2.360257.86
GGBR4-2.3495717.04

Aço

O anúncio do presidente Donald Trump de que pretende impor tarifas à importação de aço do Brasil e da Argentina pegou de surpresa não apenas integrantes do governo brasileiro, mas também parte dos diplomatas americanos que têm participado das reuniões de negociação comercial entre os dois países.

A avaliação interna em Washington, até esse momento, era a de que todas as orientações dadas pela Casa Branca apontavam para a intenção de manter boas relações com o atual governo brasileiro.

Desde que o presidente Jair Bolsonaro visitou Trump, em março, os times econômicos dos dois governos têm travado uma série de negociações. Apesar da boa vontade mútua, reiterada em público e nos bastidores por americanos, o governo brasileiro já teve parte das expectativas sobre a Casa Branca de Trump frustradas.

Primeiro, os americanos mostraram que o apoio à entrada do Brasil na OCDE não acontecerá imediatamente, já que os EUA não abrem mão de ditar o próprio ritmo de adesão de novos membros à organização.

Depois, o governo Trump seguiu relutante na reabertura do mercado doméstico para importações de carne bovina fresca do Brasil. Em ambos os casos, os integrantes do governo Bolsonaro contornaram a decepção com a narrativa de que as medidas estão em andamento.

O anúncio a respeito das tarifas do aço, no entanto, pegou o governo brasileiro desprevenido. O tuíte de Trump foi uma surpresa para diplomatas em Brasília e nos EUA.

Até agora, mesmo com percalços, o discurso público do governo brasileiro era de comemoração por uma “nova era” entre os dois países. Na semana passada, o ministro da Economia, Paulo Guedes, esteve em Washington, onde se encontrou com o secretário de Comércio americano, Wilbur Ross. Novamente, o tom da equipe brasileira ao final das reuniões foi positivo.

(Com Agência Estado, Agência Brasil e Bloomberg)

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