Dólar cai 0,19% e volta a ficar abaixo de R$ 2,40, com menor aversão a risco

"O dólar havia subido demais. Agora está voltando, com o pessoal reavaliando um pouco os fundamentos", afirmou um operador

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SÃO PAULO – O dólar fechou em leve queda nesta sexta-feira, após chegar a bater 2,43 reais na máxima do dia, acompanhando o movimento visto em outros mercados emergentes com a forte onda de aversão de risco vista desde a véspera perdendo força.

Com isso, terminou o dia abaixo de 2,40 reais, importante nível de resistência, reforçando as avaliações de que o Banco Central brasileiro não aumentará suas intervenções no mercado cambial a fim de evitar que eventuais mais valorizações da moeda norte-americana pudessem pressionar ainda mais a inflação

O dólar recuou 0,19 por cento, a 2,3980 reais na venda. Na máxima do dia, chegou a subir cerca de 1,3 por cento, a 2,4335 reais. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,8 bilhão de dólares.

“O dólar havia subido demais. Agora está voltando, com o pessoal reavaliando um pouco os fundamentos”, afirmou o operador de câmbio da corretora B&T Marcos Trabbold.

Na véspera, a divisa norte-americana já havia fechado com alta acima de 1 por cento, voltando à casa de 2,40 reais, após a Pimco –maior gestora de bônus em mercados emergentes– fazer duras críticas à política econômica do Brasil. Foi o maior nível de fechamento da moeda norte-americana desde 22 de agosto, quando o BC anunciou o programa de intervenções diárias e o dólar era negociado na casa dos 2,43 reais.

Os mercados cambiais nos países emergentes começaram o dia com forte aversão ao risco, levando o dólar a subir fortemente contra essas moedas. A preocupação tinha origem, entre outros motivos, nas incertezas diante do processo de retirada do estímulo econômico dos Estados Unidos, que deve reduzir ainda mais a oferta de liquidez global.

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O cenário de ansiedade é corroborado pelo mau desempenho das contas externas do país. O déficit em transações correntes do Brasil em 2013 foi recorde e não foi financiado pelos Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) pela primeira vez desde 2001.

No entanto, no final da manhã, o avanço do dólar ante as parte das moedas emergentes perdeu força e passou a se concentrar nos mercados considerados mais vulneráveis, como Turquia e Argentina. A moeda norte-americana avançava cerca de 0,3 por cento sobre o peso mexicano, após subir mais de 1,5 por cento mais cedo.

“Argentina, Turquia e África do Sul estão sob tremenda pressão, que ainda não perdeu força”, escreveram os analistas do Scotiabank, em relatório, Camilla Sutton e Eric Theoret. “Fora dos (países) mais vulneráveis, há sinais limitados de pânico”.

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Na véspera, o peso argentino fechou em queda de 11 por cento ante o dólar, maior declínio diário desde a crise financeira de 2002 e, nesta sexta-feira, o governo anunciou que afrouxará os controles cambiais.

Segundo analistas, existe a possibilidade de que os problemas cambiais na Argentina gerem algum impacto no Brasil, mas não devem ser o fator principal por trás dos próximos passos do real.

“Como a gente sabe, Brasil exporta muito para a Argentina, a Argentina exporta muito para o Brasil, então esse tipo de contágio pode acontecer”, disse o economista do BBVA Enestor dos Santos.

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SEM MAIS BC

Em função da forte alta do dólar ante o real na primeira parte da sessão, analistas chegaram a considerar que o BC poderia intensificar a atuação nos mercados para evitar mais valorização da divisa norte-americana. Contudo, essa hipótese perdeu força à medida que movimento se esvaiu e o dólar voltou a patamares mais confortáveis.

“Agora que voltou abaixo de 2,40 reais, é praticamente dado que o BC não vai precisar fazer intervenções a mais”, afirmou o operador de uma corretora internacional.

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Nas últimas semanas, o dólar ficou praticamente “preso” a uma banda informal, entre 2,35 e 2,40 reais, tida pelos especialistas como útil para ajudar nas exportações brasileiras mas que não alimenta a inflação.

Nesta sessão, o BC deu continuidade às intervenções diárias vendendo a oferta total de 4 mil swaps tradicionais –equivalentes a venda futura de dólares– com vencimento em 1º de setembro. A autoridade monetária também ofertou swaps com vencimento em 2 de maio, mas não vendeu nenhum.

O BC também fez nesta sessão a sétima etapa de rolagem dos swaps que vencem em 3 de fevereiro, vendendo a oferta total de 25 mil contratos. Com isso, já rolou pouco menos de 80 por cento do lote total, equivalente a 11,028 bilhões de dólares.