Câmbio

Dólar avança 0,47% com temores fiscais nos Estados Unidos

Após o fechamento, BC anunciou a realização de mais um leilão de venda da moeda conjugada com compra para o próximo dia 26

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SÃO PAULO – O dólar fechou em alta ante o real nesta sexta-feira, após três sessões seguidas de queda, diante de um cenário de maior aversão ao risco no exterior, já que as negociações sobre o abismo fiscal nos Estados Unidos parecem ter estagnado e continuam sendo motivo de preocupação para os investidores.

A avaliação no mercado, no entanto, é de que essa alta possa ser pontual, já que as recentes ações do Banco Central têm pressionado o dólar para baixo e economistas acreditam que a moeda fechará o ano perto do patamar de 2,05 reais.

A moeda norte-americana subiu 0,47 por cento, para 2,0738 reais na venda. No acumulado da semana, a moeda caiu 0,53 por cento frente ao real sob efeito das atuações do BC.

Ao longo da sessão desta sexta-feira, o dólar oscilou entre 2,0683 reais e 2,0811 reais. Segundo dados da BM&F, o volume negociado foi de 2,019 bilhões de dólares.

Após o fechamento do mercado à vista, o BC anunciou ainda a realização de mais um leilão de venda da moeda norte-americana conjugada com compra, para o próximo dia 26, com oferta de até 2 bilhões de dólares.

Só nesta sexta-feira, o BC realizou duas operações desse tipo, encerrando uma semana marcada por leilões em todos os dias. A intenção da autoridade monetária é dar maior liquidez ao mercado neste fim de ano, além de ajudar a segurar uma alta excessiva do dólar.

“Há uma guerra entre os políticos nos EUA que está deixando o mercado preocupado, mas acho que a tendência ainda é de que um acordo seja feito”, avaliou o superintendente de câmbio da Intercam Corretora, Jaime Ferreira.

O plano dos republicanos para evitar o abismo fiscal –cortes de gastos e aumentos de impostos automáticos previstos para o início do ano que vem e que podem levar a economia dos EUA a uma recessão– não teve apoio suficiente para ser aprovado no Congresso e atrapalhou ainda mais as negociações.

No entanto, o presidente da Câmara dos Deputados, John Boehner, reiterou nesta sexta-feira que líderes parlamentares precisam trabalhar juntos para resolver a questão.

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O mais novo impasse sobre o abismo fiscal levou o dólar a subir também ante outras divisas. Às 18h14 (horário de Brasília), a moeda norte-americana tinha ganhos de 0,44 por cento na comparação com uma cesta de divisas, enquanto o euro recuava 0,51 por cento em relação ao próprio dólar.

Operadores têm visto atualmente, porém, um viés predominantemente de queda da divisa dos EUA ante o real, com as recentes ações do BC indicando que a instituição não quer um dólar mais forte e próximo de 2,10 reais, o que poderia pressionar a inflação.

Desde o início de dezembro, o governo anunciou diversas medidas que facilitam a entrada de dólares no país, além de uma série de leilões de venda da moeda norte-americana conjugada com compra.