Dólar: após acumular forte queda, mercado projeta alta da moeda até o final do ano

Enquanto pelo Focus o dólar ultrapassará os R$ 3,00 esse ano, pelos contratos da BM&F a moeda não atingirá essa cotação

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SÃO PAULO – Refletindo a boa situação interna do país, tanto no âmbito político quanto no econômico, o dólar tem acumulado uma significativa queda nos últimos dias. No entanto, os analistas continuam a projetar uma cotação para a moeda norte-americana acima do patamar de R$ 3,00, de acordo com o divulgado pelo Relatório Focus, do Banco Central.

Captações e exportações

A recente baixa do dólar pode ser atribuída, em grande parte, à entrada de recursos na economia brasileira, uma vez que os investidores estrangeiros encontram-se otimistas em relação ao país. Nesse sentido, vale destacar que a inflação continua dentro do esperado, analisando-se o comportamento dos preços livres, sendo que as projeções de evolução dos principais índices de preço têm aumentado menos, ainda de acordo com o Focus.

Além disso, o cenário político também se encontra favorável e o mercado tem aceitado de forma bastante positiva o esforço do governo em aprovar as reformas estruturais do país. Assim, espera-se agora o fim da votação da Reforma Tributária e da Previdência no Senado, após as mesmas terem passado pela Câmara dos Deputados.

Por outro lado, o saldo positivo que a balança comercial vem apresentando também tem contribuído para a desvalorização do dólar no mercado cambial, sendo que nos meses de agosto e setembro foram registrados os maiores superávits do ano, respectivamente de US$ 2,674 bilhões e US$ 2,670 bilhões.

No acumulado dos nove primeiros meses do ano, o superávit atinge US$ 17,802 bilhões, o que tem aumentado as projeções para o saldo da balança comercial no acumulado de 2003, de forma que segundo o Focus o superávit deve ser de US$ 21,40 bilhões nesse período.

Analistas projetam dólar em R$ 3,05 até o fim do ano

No entanto, apesar dessa boa situação interna do país, a mediana das expectativas do analistas, divulgada no Focus, continua acima do patamar de R$ 3,00. Assim, no último relatório divulgado, a projeção para a cotação da moeda norte-americana chegava a R$ 3,05.

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Por outro lado, o mercado de forma geral encontra-se otimista, acreditando que a situação interna do país continuará favorável, e que o dólar, portanto, não irá ultrapassar a marca dos R$ 3,00 esse ano. Isso pode ser observado através da cotação do dólar negociado nos contratos Futuros da BM&F.

De acordo com os dados da Bolsa de Mercadorias & Futuros, o dólar futuro de novembro desse ano está cotado a R$ 2,871, enquanto o do último mês de 2003 apresenta alta em relação ao mês anterior e atinge R$ 2,915. O contrato com vencimento em janeiro de 2004, por sua vez, aponta para uma cotação de R$ 2,963 do dólar, ainda abaixo dos R$ 3,00.

Aspecto político será importante

Tendo em vista que o cenário interno do país tem uma influência direta sobre o dólar, essa tendência de desvalorização da divisa norte-americana pode ser alterada caso o mercado deixe de lado o otimismo sobre o país. Nesse sentido, o cenário político pode ter um impacto significativo.

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Com isso, o mercado pode reagir de forma negativa caso a meta do governo para aprovação dos principais pontos das reformas estruturais não seja realizada ainda esse ano, o que diminuiria a credibilidade dos dirigentes do país e da sua capacidade de levar à frente o projeto das mudanças estruturais de que o país necessita. Por outro lado, também deverá ser considerado se o projeto de reforma aprovado realmente irá alterar a estrutura vigente ou se os pontos fundamentais continuarão sem serem mudados.

Dívida cambial soma US$ 14,5 bilhões até março de 2004

No entanto, um outro fator que deve influenciar de forma significativa a cotação do dólar será a decisão do Banco Central sobre a rolagem do montante da dívida que ainda irá vencer. Antes do último vencimento, ocorrido nesse dia 15 de outubro, a autoridade monetária, em uma decisão inédita, optou por não rolar nenhuma parcela da dívida, que foi resgatada integralmente.

Frente a isso, o mercado passa agora a especular que novos movimentos nesse sentido ainda serão verificados, já que o Banco Central tem buscado diminuir a exposição da dívida à variação cambial. Assim, caso o montante da dívida a vencer seja totalmente recuperado, a oferta de dólares no mercado diminuiria bastante, o que elevaria a cotação da moeda. Vale destacar que uma parcela significativa da dívida do governo vence ainda nesse ano, sendo que em dezembro essa chega a US$ 3,497 bilhões, somando, até março de 2004, US$ 14,492 bilhões.