Dólar: ainda existe espaço para novas quedas?

Rompimento do suporte de R$ 2,30 sugere que a moeda pode se acomodar ao redor dos R$ 2,27; situação só muda se percepção de risco se alterar

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SÃO PAULO – Depois de cair, pela primeira vez desde abril de 2002, abaixo de R$ 2,30 nesta quinta-feira (15), o dólar comercial voltou a fechar o pregão desta sexta-feira (16) abaixo deste patamar.

Em pregão marcado pela incerteza dos investidores quanto ao seu novo patamar, a moeda norte-americana fechou praticamente estável em relação ao fechamento de quinta-feira (0,04%), mas já acumula queda de 2,67% em setembro e de 13,49% no ano.

A questão que fica, portanto, é se ainda há espaço para novas quedas, ou se a moeda deve se estabilizar no patamar atual?

Oferta de dólar segue muito elevada

Ainda que para muitos a forte queda do dólar pareça inexplicável, a verdade é que não é bem assim. Muitos fatores justificam a queda da moeda norte-americana, dentre eles, vale mencionar a diferença entre os juros reais praticados no Brasil e no mercado externo.

Não só o corte anunciado nesta semana pelo Copom (Comitê de Política Monetária) na taxa básica de juro (Selic) foi pequeno, como em termos reais, ou seja, uma vez descontada a inflação, a taxa de juro segue bastante elevada. Além disso, no âmbito externo, os juros devem permanecer baixos, sobretudo, nos EUA, que após os estragos causados pelo furacão Katrina deve adiar a elevação dos juros.

Assim, investir no Brasil vale a pena, pois o retorno que está sendo oferecido é bastante elevado, mesmo considerando a percepção de risco. Isso tem permitido, por exemplo, um grande volume de captação de recursos nos mercados externos por parte das empresas brasileiras. Se juntarmos a isso os excelentes resultados da balança comercial, fica fácil entender que a oferta de dólares no mercado é bastante grande.

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Em contrapartida, a demanda pela moeda não se alterou, o que justifica a queda que vem sendo registrada pelo dólar frente ao real. A menos que novos fatos venham alterar a percepção de risco do País, e aqui citamos o agravamento da crise política, não há como justificar uma recuperação do dólar no curto prazo.

Qual é o limite para queda?

Os analistas vêm revendo suas previsões para a taxa de câmbio consistentemente em 2005. Ao analisarmos as previsões contidas no relatório Focus divulgado semanalmente pelo Banco Central e que contém a mediana das projeções de cerca 100 analistas de mercado isso fica evidente.

Em janeiro, os analistas projetavam que a moeda norte-americana estaria cotada em R$ 2,95 em dezembro de 2005. Em julho, a projeção para dezembro já era bem menor, de R$ 2,70. O último relatório divulgado no dia 12 de setembro prevê que o dólar estará cotado em R$ 2,45 em dezembro deste ano e em R$ 2,60 ao final de 2006.

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Porém, alguns analistas já sinalizam o risco do rompimento do suporte aos R$ 2,30. Caso o rompimento deste suporte se confirme, a moeda norte-americana deve testar um novo suporte, mais resistente de R$ 2,27, que uma vez rompido poderia levar a moeda a se aproximar novamente dos R$ 2,00.

Contudo, esse parece um cenário pouco provável, até porque poderia colocar em risco o resultado comercial do País o que, muito provavelmente, levaria a uma intervenção das autoridades monetárias no mercado de câmbio. Além disso, não podemos ignorar a crise política, cujo tom tende a se agravar com a aproximação das eleições presidenciais em 2006.