Dólar afunda quase 2% com mercado “eufórico” sobre chance maior de impeachment

Moeda norte-americana acelera as perdas após a troca de liderança do PMDB, que segundo analistas mostra mais força da ala "pró-impeachment" do partido

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SÃO PAULO – O dólar, que já registrava queda desde a abertura, acelerou fortemente as perdas e passou a recuar mais mais de 2% no início da tarde desta quarta-feira (9) de olho, principalmente, no cenário político doméstico. Em destaque fica a derrota da chapa governista na eleição dos membros da comissão especial da Câmara dos Deputados que analisará o impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

O bom humor seguiu mesmo depois que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin suspendeu temporariamente a formação da comissão. O dólar comercial fechou com queda de 1,92%, cotado a R$ 3,7365 na compra e R$ 3,7370 na venda.

Colaborando mais ainda para o desempenho da Bolsa e do dólar, no fim da manhã o PMDB decidiu trocar o líder do partido na Câmara, retirando Leonardo Picciani (RJ) para a entrada de Leonardo Quintão (MG). Segundo Celson Plácido, analista da XP Investimentos, a notícia traz mais ânimo para o mercado já que o deputado mineiro faz parte da equipe pró-impeachment, mostrando que esta ala do partido está ganhando força.

“O mercado está focando na leitura de que os acontecimentos de ontem são uma derrota para o governo, o que seria positivo para o mercado financeiro”, disse o operador da corretora SLW João Paulo de Gracia Correa. “Mas ainda é muito cedo, muito precoce fazer uma avaliação de médio prazo. A volatilidade vai ser alta”.

Na véspera, o governo foi derrotado no primeiro teste envolvendo a abertura do processo de impeachment contra Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, com a rejeição da chapa governista na eleição para os membros da comissão especial que analisará o assunto na Casa. Mesmo a suspensão da formação da comissão pelo STF não é forte o suficiente para evitar a queda do dólar, pois a maioria dos operadores acredita que o processo de impeachment deve ser retomado normalmente em seguida.

O mercado tem reagido de forma positiva a notícias que fortalecem as chances de impeachment, apostando que mudanças no Palácio do Planalto poderiam ajudar a recuperação econômica. No entanto, muitos operadores ressaltam que a instabilidade política pode paralisar o ajuste fiscal e até provocar a perda do selo de bom pagador do país por outras agências de classificação de risco além da Standard & Poor’s.

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Para o diretor da Wagner Investimentos, José Faria Júnior, a estratégia é aproveitar o dólar perto de R$ 3,75 como ponto interessante para hedge de compra. “Naturalmente, uma euforia maior do mercado (saída de Dilma) pode fazer a moeda cair em direção a R$ 3,60, mas provavelmente não abaixo disto”, afirma em relatório.

Júnior não acredita em um processo fácil e rápido de impeachment, deixando a tendência de longo prazo do dólar para alta. “A fraqueza extrema das commodities não permite apostar em dólar baixo, que é contra o ajuste necessário para as contas externas do país”, completa.

Pela manhã, o BC também deu continuidade à rolagem dos swaps cambiais que vencem em janeiro, com oferta de até 11.260 contratos, que equivalem a venda futura de dólares. Até agora, a autoridade monetária já rolou o equivalente a US$ 3,828 bilhões, ou cerca de 36% do lote total, que corresponde a US$ 10,694 bilhões.

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Com Reuters


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.