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SÃO PAULO – O dólar comercial inicia as operações nesta quarta-feira (14) em alta de 0,43%, cotado a R$ 1,808. O movimento diverge do sentimento de bom humor do mercado. “O ataque recente de força do dólar tem sido um tanto intrigante, uma vez que coincidiu com um forte desempenho dos ativos de risco” diz o analista-chefe do Danske Bank, Sverre Holbek.
Essa dúvida se dá em função do fluxo contínuo de dados positivos nos EUA, do estreitamento do movimento de desvalorização do euro em relação ao dólar, observado em março, e de uma possível nova rodada de alívio por parte do Fed. “A este respeito, o foco será sobre o discurso de Bernanke”, completa o especialista. O discurso do chairman do Fed começa às 10h (horário de Brasília).
Porém, por aqui, a valorização da moeda pode ter alguma explicação: novas medidas intervencionistas do Governo. Na véspera, o ministro da Fazenda Guido Mantega voltou a falar sobre possíveis intervenções no câmbio para aumentar a competividade da indústria nacional. Além disso, o ministro sinalizou a possibilidade de uma política monetária mais acomodativa, com novos cortes na taxa de juro em breve, afirmando que a inflação está controlada.
Segundo a diretora da AGK Corretora de Câmbio, Miriam Tavres, a reação dos mercados aos testes de estresse dos bancos norte-americanos deve determinar os rumos do dia. “No Brasil, o câmbio deve seguir temporariamente contido ao redor do patamar de R$ 1,80, mas os números do fluxo cambial merecem acompanhamento”, diz.
Indicadores
Nos Estados Unidos, o Import Prices (ex-oil) registrou queda de 0,1% durante o mês de fevereiro, após subirem 0,1% no período imediatamente anterior. Já a inflação dos bens exportados ao resto do mundo a partir dos EUA foi de 0,5% no mesmo mês. Ainda por lá, o déficit em conta corrente da economia subiu acima das estimativas durante o quarto trimestre do ano passado, apontando US$ 124,1 bilhões negativos no período, ante expectativa de déficit de US$ 113,8 bilhões.
Por aqui, destaque para fluxo cambial, divulgado semanalmente pelo BC, com o movimento de entrada e saída de dólares do País, que será reportado às 12h30.