Dólar abre em forte alta de 0,52% de olho na Europa e nos EUA

Risco de recessão nos EUA, aliado aos sinais negativos emitidos por Grécia e Itália contribuem para mais um dia de alta da moeda

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SÃO PAULO – A véspera de um feriado nacional de Independência do Brasil, o dólar opera em alta de 0,52% nesta terça-feira (6), cotado a R$ 1,6590 na venda, afastando-se cada vez mais do patamar esperado pelo Governo, de R$ 1,63.

A divisa segue o movimento de alta observado nos últimos dias influenciado pelo cenário ruim do setor externo. A crise de dívida soberana na Zona do Euro volta ao centro das atenções e é apontada como principal risco econômico. Há temores de um calote na Grécia e do rebaixamento da nota de crédito da Itália.

Ainda no velho continente, é válido mencionar o SNB (Banco central da Suíça, na sigla em inglês) fixou nesta terça uma cotação mínima do euro a 1,20 franco suíço, numa nova tentativa de frear a valorização de sua divisa. Em comunicado, a autoridade monetária destaca que fará cumprir esta decisão com “a maior determinação”, acrescentando que está “disposta a comprar moeda estrangeira em quantidades ilimitadas”. Em meio ao anúncio, a moeda suíça sobe mais de 7% em relação ao euro e ao dólar.

EUA segue na pauta
Segundo Mauro Schneider, da Banif Corretora de Valores e de Câmbio, os EUA também seguem dando o tom do dia.

“É difícil saber qual fator teve impacto negativo mais significativo sobre a confiança dos consumidores nos EUA. O ruidoso debate político em torno do teto do endividamento público pode ter gerado forte insegurança em relação à capacidade dos políticos encontrarem soluções para a crise. O rebaixamento da nota dos títulos da dívida do governo deve ter gerado um sentimento negativo em relação à própria força da economia dos EUA”, explica.

Ainda segundo Scheneider, as notícias ruins do front fiscal aumentam o temor em relação à provável elevação dos impostos no médio prazo. “De qualquer forma, a confiança dos consumidores caiu fortemente em agosto e, caso esse processo tenha continuidade, o consumo e, consequentemente, o crescimento econômico, deverão desacelerar significativamente”, diz.

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Por conta desse risco, o Fed já começou a relaxar adicionalmente a política monetária, mas a probabilidade de recessão nos EUA cresceu e mesmo os cenários benignos apontam para crescimento baixo do PIB (Produto Interno Bruto). Vale lembrar que nesta quinta-feira (8) o presidente norte-americano Barack Obama discursará sobre um possível plano para aumentar o mercado de trabalho do país.

Indicadores
Na agenda desta terça-feira (6), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apresentou o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do mês de agosto, que apontou 0,37%.

Ainda por aqui, a FGV (Fundação Getulio Vargas) divulga o IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) de agosto, que avançou 0,61%.

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Mais tarde, será conhecido o ISM Services (Institute for Supply Management), o qual mensura o nível de atividade não industrial norte-americana, divulgado pela Associação de Executivos de Compras.