Câmbio

Dólar a R$ 2,00 com Bolsonaro? Gestor de US$ 3 bilhões explica projeção otimista

Para James Gulbrandsen, sócio da NCH Capital, moeda deve terminar em R$ 3,20 e cair abaixo de R$ 3,00 em 2019 no melhor cenário após vitória de Bolsonaro

SÃO PAULO – A euforia do mercado com a possível eleição de Jair Bolsonaro (PSL) já é clara há algumas semanas, mas o que se começa a discutir é até onde pode ir este rali se no próximo domingo este resultado se confirmar, principalmente no câmbio, que pode voltar para valores não vistos há mais de quatro anos.

James Gulbrandsen, sócio da gestora NCH Capital, que administra US$ 3 bilhões, acredita que em um cenário ideal, onde Bolsonaro e seu futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, consigam aprovar as reformas necessárias, o dólar pode cair para menos de R$ 3,00 e se aproximar da marca de R$ 2,00.

Para o fim deste ano, em uma reação mais imediata à eleição, o gestor vê a moeda ficando no patamar entre R$ 3,20 e R$ 3,30 – abaixo do previsto pelo Credit Suisse, que na semana passada projetou a queda limitada aos R$ 3,50. 

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Gulbrandsen ressalta, porém, que o dólar não deve chegar aos R$ 2,00, mas se aproximar desta marca. “O dólar deve ficar entre R$ 2,00 e R$ 3,00, mas mais perto da marca dos R$ 2,00”.

Ele explica que esta visão é baseada no melhor cenário possível, em que o novo governo conseguirá aprovar as reformas necessárias, especialmente a tributária e a da Previdência.

“Se o Brasil mostrar que a época de desequilíbrio ficou para trás, então teremos um novo patamar”, afirma citando uma potencial queda dos juros nos próximos meses, o que dará um suporte maior para o recuo da moeda.

Conselho para Bolsonaro
Gulbrandsen diz ainda que se pudesse dar um conselho para Bolsonaro e Guedes seria olhar para o governo de Donald Trump para evitar cometer um erro que quase colocou tudo a perder para o republicano nos Estados Unidos. E tudo envolve exatamente as reformas.

O gestor lembra que Trump tinha duas grandes metas quando assumiu: realizar uma reforma tributária e outra do Obamacare. O problema foi a sequência que ele escolheu, focando inicialmente no programa de saúde do governo de Barack Obama.

“Ele deveria ter começado pela reforma tributária, que coloca dinheiro no bolso da população”, explica. Ao fazer o contrário, Trump acabou afetando negativamente o bolso dos americanos, o que poderia ter colocado em risco sua governabilidade.

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Por conta disso, Gulbrandsen sugere que Bolsonaro inicie seu mandato concentrando os esforços em fazer a reforma tributária, realizando mudanças como, por exemplo, a alteração do ICMS por um esquema como o do IVA (Imposto sobre o Valor Agregado), que é bom para a renda da população.

“Paulo Guedes e Bolsonaro não vão conseguir fazer 100% do que querem, mas se conseguirem realizar 50% já será muito positivo”, conclui o gestor da NCH Capital.