Bovespa

Dólar à caminho de R$ 3,00: quais ações da Bolsa estão comemorando isso?

InfoMoney preparou uma lista de ações, além das já "manjadas" empresas do setor de papel e celulose, mineradora Vale e a fabricante de aeronaves Embraer; confira

SÃO PAULO – Com o dólar cada vez mais próximo de R$ 3, muitas ações da Bovespa têm motivo de sobra para comemorar. Isso porque boa parte da receita delas estão atreladas à moeda americana, como é o caso das já “manjadas” empresas do setor de papel e celulose, a mineradora Vale (VALE3; VALE5) e a fabricante de aeronaves Embraer (EMBR3).

No caso de Fibria, por exemplo, considerada uma das mais favorecidas pelo movimento, suas ações já sobem 24% desde o dia 23 de janeiro até o pregão da útima quarta-feira (11). São 11 pregões de alta em 13 sessões. No mesmo período, o dólar saltou 11,02%, indo para R$ 2,8742 na véspera, no maior patamar desde outubro de 2004.

Sem expectativa de interrupção desse movimento diante de expectativas de especialistas de que o patamar de R$ 3 seja quebrado em breve, o InfoMoney preparou uma lista de ações que devem ganhar com essa alta. Confira abaixo:

Fibria

Com mais de 90% de sua receita em dólar aproximadamente e 80% dos custos em reais, a Fibria (FIBR3) está bastante exposta à variação cambial. Entretanto, praticamente 75% da dívida da empresa é denominada em dólar, o que reduz o impacto positivo da desvalorização do real. 

Suzano

O efeito da variação do dólar também beneficia a Suzano (SUZB5), com parte considerável da sua receita denominados na moeda americana e pouco menos de um terço dos custos em dólar, mas em menor proporção do que a Fibria. Por outro lado, boa parte da sua dívida está na moeda. 

Embraer

A empresa (EMBR3) é uma das grandes beneficiadas, com aproximadamente 90% de sua receita em dólar provenientes de suas exportações, enquanto a parte do custo é um pouco mais reduzida (cerca de 75%). 

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Gerdau

Entre as siderúrgicas listadas na Bovespa, a Gerdau (GGBR4) é a que está melhor posicionada para captar o movimento de alta do dólar, já que 70% da sua receita e 50% do seu Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) estão atrelados à moeda americana. Movimento menos favorável à Usiminas (USIM5) e CSN (CSNA3), que têm também alto endividamento na moeda, comentou o analista Flávio Conde

Vale

Segundo analistas, a Vale é uma das que mais se beneficia com o movimento já que tem quase 100% de sua receita denominada em dólar, enquanto cerca de 55% do custo dos seus produtos vendidos estão em reais. 

BRF

Cerca de 40% das receitas operacionais da BRF (BRFS3) vêm de exportações e a maioria das despesas dos custos e despesas com vendas, despesas gerais e administrativas estão em reais.

JBS 

A JBS (JBSS3) possui 80% de suas vendas denominadas em dólar, mas grande parte da dívida também. Apesar do resultado hedgeado, ele deve pesar no resultado financeiro da companhia e, consequentemente, no lucro líquido.

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Marfrig

Assim como a JBS, a Marfrig (MRFG3) também tem grande exposição de suas vendas (cerca de 60%) e dívida em dólar (75%), também com hedge baixo.

Weg

A fabricante de motores Weg (WEGE3) também têm muita exposição lá fora, em mercados como Estados Unidos e Europa, disse Conde. A empresa tem 50% de sua receita com origem no exterior. 

Valid

Pouco comentada, a Valid (VLID3) também pode ganhar um pouco com o movimento, disse Conde. Recentemente, a companhia fechou um contrato para emissão de carteiras de habilitação no estado de Washington, nos Estados Unidos. Ao longo de cinco anos de vigência de contrato, a Valid irá produzir e emitir aproximadamente 1,7 milhões de credenciais seguras a cada ano. 

Marcopolo

O analista citou também a Marcopolo (POMO4), que fabrica carrocerias de ônibus e componentes. A empresa têm exposição de suas receitas lá fora, mas que não devem ser tão beneficiadas assim porque seus negócios no Brasil não devem ir bem esse ano, disse. A principal causa disso seria o fim do PSI (Programa do BNDES de Sustentação do Investimento) e adiamento do programa “Caminhos da Escola” do governo federal, que compraria cerca de mil a dois mil ônibus. No ano, os papéis da companhia caem 32%, tendo fechado o pregão de quarta-feira (11) a R$ 2,24, menor patamar desde 2010.

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