Destaques da Bolsa

Dois setores sofrem com corte no Orçamento; Eletrobras e Banco do Brasil disparam

Confira os principais destaques de ações da Bovespa nesta segunda-feira

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SÃO PAULO – Após abrir em queda, o Ibovespa virou para o positivo no início da tarde e fechou com ganhos de 0,43%, aos 54.609 pontos. A mudança de humor ocorreu após o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, acalmar o mercado e confirmar que não houve divergências com o governo e que não participou da anúncio do corte do Orçamento porque “realmente estava gripado”.

O mercado especulava mais cedo que o motivo da ausência passava por insatisfações com o governo, que poderia culminar em uma eventual saída do ministro. Mais cedo, o Ibovespa chegou a cair 0,75%, a 53.971 pontos, com a Petrobras recuando 3%.

Confira abaixo os principais destaques desta sessão:

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Petrobras (PETR3, R$ 13,83, -1,91%; PETR4, R$ 12,80, -2,15%)
A Petrobras fechou no negativo mesmo após fala de Levy diminuir tensão do mercado. Além disso, os acionistas da estatal aprovaram, em assembleia geral extraordinária realizada na tarde desta segunda o resultado de 2014, publicado em abril, juntamente com o relatório da administração e o parecer do conselho fiscal.

O conselho de administração da Petrobras aprovou o balanço de 2014 por maioria, com dois votos contra e uma abstenção. O então conselheiro José Monforte, representante de acionistas minoritários, se absteve; Mauro Cunha, outro representante dos minoritários à época, e Silvio Sinedino, então representante dos funcionários, votaram contra.

Bancos e seguradoras
Depois de abrir em queda, as ações dos bancos viraram para alta ainda durante a manhã: Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 35,43, +0,37%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 24,20, +3,64%), Bradesco (BBDC3, R$ 27,54, +0,95%; BBDC4, R$ 29,27, +0,58%) e Santander (SANB11, R$ 16,91, +2,11%). Esse é o primeiro pregão positivo desses papéis após cinco cinco pregões seguidos de queda, impactadas com o aumento da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) de 15% para 20%, anunciado na sexta-feira. 

As ações das seguradoras, que caíram em quatro dos cinco pregões da semana passada, também fecharam no positivo: BB Seguridade (BBSE3, R$ 34,50, +1,98%) e Porto Seguro (PSSA3, R$ 36,06, +0,73%). A BB Seguridade teve na semana passada sua pior semana desde o IPO (Inicial Public Offering) em 2013. 

7 ações têm a pior semana de 2015 na Bolsa; Itaú e Bradesco estão na lista

Eletrobras (ELET3, R$ 7,02, +4,78%; ELET6, R$ 9,78, +6,07%)
Os papéis da Eletrobras ficaram com as maiores altas do Ibovespa nesta segunda em meio ao humor renovado do mercado. Os papéis se recuperaram de uma queda nesta manhã junto com o restante da Bolsa após fala do Levy.

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Representantes dos acionistas minoritários ingressaram com reclamação contra a companhia na CVM para ter o direito de eleger um membro para a vaga dos detentores de papéis preferenciais. A reclamação foi protocolada pelos acionistas João Antônio Lian e Manuel Jeremias Leite Caldas, respectivamente membros do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal. O Estatuto da Eletrobrás estabelece que o Conselho de Administração deve ter 10 membros, sendo 6 indicados pelo Ministério de Minas e Energia, 1 pelo Ministério do Planejamento, 1 pelos trabalhadores, 1 pelos acionistas com papéis ordinários e 1 pelos detentores de ações preferenciais.

Elétricas
As demais ações do setor elétrico, que foram fortemente penalizadas na semana passada com notícia de que as geradoras poderiam ter que arcar com uma cobrança bilionária da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), também subiram hoje. Em destaque: Energias do Brasil (ENBR3, R$ 11,00, +2,33%), Cemig (CMIG4, R$ 14,86, +3,12%), Copel (CPLE6, R$ 34,60, +2,88%), Cesp (CESP6, R$ 19,64, +0,98%) e CPFL Energia (CPFE3, R$ 19,90, +1,07%). Todas fecharam a semana passada com queda. 

Vale (VALE3, R$ 20,57, +1,53%; VALE5, R$ 17,35, +1,76%)
As ações da Vale ganharam força com a disparada do minério de ferro nesta sessão, que subiu 2,05% no mercado spot do porto de Qingdao na China. Acompanharam o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 11,18, +2,10%), holding que detém participação na Vale.

Construção
O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, disse que foram contingenciados cerca de R$ 6 bilhões do Minha Casa, Minha Vida, e que o programa ainda tem R$ 13 bilhões disponíveis para pagamento neste ano. Segundo Barbosa, o ritmo de execução do Minha Casa será adequado. Na Bolsa, as empresas que possuem maior exposição ao programa são MRV Engenharia (MRVE3, R$ 7,78, -0,51%) e Direcional (DIRR3, R$ 5,76, -4,79%).

Além disso, com o aumento da CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido) dos bancos, sofrem as empresas que dependem muito do crédito, principalmente o setor de construção. Além das duas citadas acima, caíram as ações da PDG Realty (PDGR3, R$ 0,41, -2,38%), Rossi (RSID3, R$ 1,65, -5,17%) e Eztec (EZTC3, R$ 16,90, -2,20%). 

Exportadoras
Os papéis de empresas voltadas à exportação apareceram entre as altas do Ibovespa com a alta do dólar. Neste momento, a moeda subia 0,92%, a R$ 3,1250. Nos destaques, as ações das empresas do setor de papel e celulose Fibria (FIBR3, R$ 42,65, +0,59%) e Suzano (SUZB5, R$ 15,66, +1,10%). Já a fabricante de aeronaves Embraer (EMBR3, R$ 25,20, +0,20%) teve ganhos menores.  

Educacionais
Os papéis do setor educacional voltaram a cair após cortes de Orçamento para o setor. Na sexta-feira, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, citou que o Pronatec terá novas vagas este ano mesmo com o contingenciamento, “mas não tanto quando se planejava inicialmente”. No Ministério da Educação, o contingenciamento foi de R$ 9,42 bilhões (o terceiro maior entre os ministérios).

Na Bolsa, caíram hoje as ações da Estácio (ESTC3, R$ 18,40, -2,65%), Ser Educacional (SEER3, R$ 13,86, -2,26%) e Anima (ANIM3, R$ 20,62, -5,20%). A exceção ficou com a Kroton (KROT3, R$ 12,74, +1,43%), que ganhou força e fechou em alta.

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No caso da Anima, as ações da companhia educacional passaram a cair mais forte após passarem por um leilão de 1h na Bovespa – entre 11h25 e 12h27. De acordo com a nota da Bolsa, eram 1 milhão de ações – representativas de 1,2% dos papéis em circulação -, ao preço de R$ 20,81 no leilão.

Siderúrgicas
As ações das siderúrgicas fecharam com leves perdas após dados ruins do setor, “ignorando” a disparada do preço do minério de ferro na China nesta sessão. Na Bolsa, caíram as ações da Usiminas (USIM5, R$ 5,30, 0,00%), CSN (CSNA3, R$ 7,16, -0,56%) e Gerdau (GGBR4, R$ 9,20, -0,11%).  

Segundo dados divulgados na última sexta-feira (25) pela associação que representa o setor, Worldsteel, a produção global de aço bruto caiu 1,7% em abril, para 135 milhões de toneladas ante 138 milhões no mesmo período de 2014. Os preços do aço, porém, seguem no ponto mais baixo em quase seis anos diante do excesso de oferta, queda nos preços do minério de ferro e desaceleração do crescimento chinês, que fez parte significativa da produção do país ser direcionada ao exterior a preços reduzidos.