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SÃO PAULO – Não foi apenas para o dólar que o real perdeu valor em 2013. Um estudo feito pela CMA Econofin mostra que a moeda brasileira mostrou depreciação de mais de 15% para outras divisas como o euro, libra esterlina, franco suíço e até outras moedas menos badaladas, como o boliviano (Bolívia) e o quetzal (Guatemala).
O estudo exclui o dólar, que subiu 15,26% frente ao real. Ao longo do ano passado, a moeda norte-americana chegou à mínima de R$ 1,94 no início do ano até disparar para R$ 2,45 em agosto, terminando dezembro em R$ 2,3575. A expectativa vivida ao longo do ano sobre quando os EUA iriam iniciar a retirada gradual do QE3 (Quantitative Easing 3), programa de compras mensais bilionárias de títulos feitas pelo Federal Reserve, e a degradação das condições macroeconômicas brasileiras influenciaram na fuga de divisas do País, desvalorizando nossa moeda local.
O ano passado começou de forma tranquila, com o real sofrendo poucas oscilações e andando praticamente de lado por quase 4 meses. Porém, com os rumores do corte do QE3 nos EUA começaram a agitar não só o mercado por aqui, mas em todo o mundo. Embora os investidores trabalhassem com um início da saída em maio, o Fed foi postergando o tão esperado aperto de liquidez, que só foi anunciado mesmo na última reunião do Fed de 2013 – realizada nos dias 18 e 19 de dezembro. No encontro, ficou decidido pelos membros do comitê de política monetária dos EUA que a partir de janeiro o QE3 diminuiria sua injeção mensal de dinheiro em US$ 10 bilhões, passando a ser de US$ 75 bilhões mensais.
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Já no Brasil, a degradação macroeconômica – que contou com forte desaceleração da atividade econômica mesmo com cenário de inflação insistentemente próxima do teto da meta do governo – foi preponderante para tirar o ânimo dos investidores, inclusive depois de uma das principais agências de classificação de risco do mundo colocarem um sinal de alerta sobre um possível rebaixamento do rating brasileiro em 2014.
Com toda a agitação, o Banco Central precisou intervir com mais força no mercado, anunciando um programa diário de leilões de swap cambial. O mecanismo teve seu efeito e o real passou a ter oscilações mais fracas, mesmo com o corte dos estímulos nos EUA. Com o cenário ainda de pressão sobre a moeda, o BC estendeu o programa, que está mantido neste início de 2014.
As 10 moedas que mais se valorizaram em relação ao real em 2013:
| País | Moeda | Valorização |
| Dinamarca | Coroa dinamarquesa | 19,76% |
| Zona do euro | Euro | 19,70% |
| China | Renmimbi Iuan | 17,99% |
| Suiça | Franco Suiço | 17,83% |
| Reino Unido | Libra Esterlina | 17,25% |
| Bolívia | Boliviano | 16,31% |
| Suécia | Coroa sueca | 15,97% |
| Coréia do Sul | Won Sul Coreano | 15,56% |
| Guatemala | Quetzal | 15,55% |
| Cuba | Peso Cubano | 14,64% |
| Fonte: CMA Econofin | ||