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A dívida mobiliária federal fora do Banco Central referente ao mês de setembro deste ano atingiu R$ 629,1 bilhões, representando 51,3% do PIB. O incremento de 3,4% em relação ao mês anterior reflete o impacto da depreciação do real frente ao dólar; além das emissões líquidas de R$ 8,8 bilhões no mês e a incorporação de juros.
Emissão maior se concentra em papéis cambiais
A emissão líquida registrada em setembro é o resultado de resgates de R$ 1,7 bilhão em LTN, que são pré-fixados, R$ 3,1 bilhões em LFT-A e R$ 1,3 bilhão em NBC-F. Por outro lado, houve emissões de títulos cambiais de R$ 8,8 bilhões em NTN e de R$ 6,1 bilhões em NBC-E.
A participação da exposição cambial elevou-se de 28,8% para 31,4% em setembro, reflexo da desvalorização cambial e as colocações líquidas de R$ 14,9 bilhões em títulos cambiais. Os títulos indexados à taxa Selic passaram de 51% para 49,3%, principalmente em razão do resgate líquido de LFTs. A participação de papéis prefixados reduziu-se de 9,6% para 9,1% sobretudo pelos resgates de LTN.
Financiamento com papéis cambiais foi necessidade e não escolha
O aumento da dívida ainda é bastante preocupante, dada a sua composição, já que pode gerar ônus para o governo brasileiro devido ao aumento progressivo da participação de indexadores voláteis como o dólar. Desta forma, uma oscilação considerável da moeda em ambientes incertos como o atual pode terminar ampliando ainda mais o endividamento público. No entanto, caso a queda do dólar continue a ocorrer, isso pode representar ganhos significativos ao governo.
Na verdade, a rolagem de papéis com a emissão de títulos cambiais é mais uma exigência do mercado que uma escolha do Banco Central. Além da crise Argentina, a guerra ainda não chegou ao fim e como são fatores de influências negativas, enquanto não se resolverem, o mercado deve temer tais eventos, exigindo garantias como os títulos dolarizados.