Dívida pública chega a 63,9% do PIB e ultrapassa meta do FMI

Governo registra superávit primário de R$ 47,6 bilhões no ano; câmbio foi responsável pelo aumento da dívida

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SÃO PAULO – O Banco Central divulgou na manhã dessa quinta-feira nota sobre as contas do setor público. No resultado consolidado, que inclui, Tesouro, Previdência, Banco Central, Estados, Municípios e Estatais, o superávit primário no acumulado de janeiro a setembro, ficou em R$ 47,616 bilhões nas contas fiscais, o que corresponde a 5% do PIB do país.

Superávit primário atinge R$ 47,6 bilhões no ano

Com esse resultado, o setor público consegue cumprir com folga a meta estipulada pelo Fundo Monetário Internacional, FMI, que girava em torno de R$ 41 bilhões. O resultado também supera o registrado no mesmo período do ano anterior, quando o setor público obteve superávit primário de R$ 41,205 bilhões, o que representa 4,77% do PIB brasileiro.

As contas do setor público consolidado no acumulado dos últimos doze meses, encerrado em setembro, registram superávit de R$ 50,066 bilhões, o que corresponde a 3,9% do PIB do país. A meta do governo para 2002 é de um superávit primário nominal da ordem de R$ 50,3 bilhões, o que representa 3,88% do PIB.

Dívida ultrapassa meta do FMI, e chega a 63,9% do PIB

Por outro lado, a dívida do setor público em setembro chegou a R$ 885,191 milhões, o que corresponde a 63,9% do PIB. Nesse sentido, a meta estipulada com o FMI acabou sendo ultrapassada, visto que a entidade projetava que a dívida ficaria em torno de R$ 806,03 bilhões no mês de setembro.

Em agosto, a dívida do setor havia registrado montante da ordem de R$ 784, 056 bilhões, equivalente a 58,1% do PIB. Esse aumento da dívida em setembro foi decorrente, principalmente, da desvalorização cambial, que foi de 28,9%, o que acabou provocando um incremento de R$ 97,9 bilhões no montante da dívida.

O relatório também destaca o montante da dívida da esfera federal, que foi de R$ 592,219 bilhões, equivalente a 42,7% do PIB, a esfera estadual, que foi responsável por R$ 235,918 bilhões, o que corresponde a 17% do PIB, aos governos municipais, com R$ 30,709 bilhões, o que representa 2,2% do PIB, as empresas estatais, que representam R$ 30,902 bilhões do montante total da dívida, e 2,2% do PIB. Em contrapartida, o Banco Central possui créditos a receber da ordem de R$ 4,557 bilhões, o que equivale a 0,3% do PIB.