Dívida externa segue em queda, mas acordo com FMI altera perfil

Prazo mais longo e menor participação da dívida em dólares reflete impacto da entrada de recursos do FMI

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SÃO PAULO – A dívida externa brasileira registrada alcançou em setembro de 2002 o valor de US$ 196,806 bilhões, sofrendo redução de 1,4%, se comparada com a situação do segundo trimestre desse ano (US$ 199,623 bilhões). Desse total, 95,5% são compostos por vencimentos com médio e longo prazo, cerca de US$ 187,94 bilhões.

A incerteza eleitoral e o conseqüente aumento do perfil de risco do Brasil acabaram reduzindo as fontes de financiamento externo, principalmente para o setor privado, o que ampliou o impacto sobre o perfil da dívida dos recursos obtidos junto ao FMI pelo governo brasileiro.

Dívida de curto prazo é principal fator da queda

Uma expressiva queda de 18% pôde ser observada na dívida de curto prazo, na comparação entre o terceiro e o segundo trimestre de 2002, com o montante caindo para US$ 8,86 bilhões. Essa tendência foi liderada pela queda de 19,8% dos empréstimos bancários, atingindo US$ 7,09 bilhões em setembro, contra o crescimento de 15% dos créditos de fornecedores, agora em US$ 963 milhões.

Já a dívida no médio e longo prazo, que inclui o setor público e privado, a redução foi de apenas 0,5%, em função principalmente da queda de 5,71% dos empréstimos bancários, que atingiram US$ 18,94 bilhões no final do terceiro trimestre. Em sentido contrário, o crescimento de 11,2% da dívida com organismos internacionais, para US$ 41,81 bilhões, pode ser explicado pelos últimos saques junto ao FMI.

Desta forma, a retração do crédito bancário ocasionou uma significativa redução da dívida do setor privado, para US$ 72,1 bilhões, e, por outro lado, os novos empréstimos junto ao FMI impulsionaram a dívida externa do setor público não-financeiro, que atingiu US$ 35,78 bilhões em setembro, crescimento de 11,4% frente ao segundo trimestre desse ano.

Distribuição por modalidade de taxas de juros

Segundo relatório do Banco Central, cerca de 42,6% da dívida externa brasileira foram contratados a taxas flutuantes, o que corresponde a US$ 83,905 bilhões. Deste montante, 22% são atrelados à taxa Libor e 1,2% à taxa Prime Rate. As taxas flutuantes aplicadas pelo FMI têm participação de 8,8% na dívida, ou US$ 17,37 bilhões. Devido aos últimos empréstimos obtidos junto ao organismo internacional, pode-se observar a trajetória crescente da participação dessas taxas, que foi de 4,2% em março e 7,3% em junho.

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As parcelas da dívida atreladas às taxas flutuantes do Bird e BID correspondem a 4,1% e 6,4%, respectivamente, ou seja, US$ 8,06 bilhões e US$ 12,55 bilhões. As duas registram leve alta frente à participação da dívida no segundo trimestre de 2002, que eram de 3,8% e 5,9%, respectivamente.

No entanto, a maior parte da dívida, que corresponde a 57,4% do total ou US$ 112,901 bilhões, está atrelada a taxas fixas de juros fixas. As taxas fixas referentes ao Bird e BID respondem por apenas 0,3% e 0,6%, o que corresponde a US$ 534 milhões e US$ 1,15 bilhão da dívida externa. A maior fatia, deste modo, com uma parcela de 56,5% da dívida, é atrelada a taxas fixas definida quanto da emissão no mercado internacional ou na contratação de empréstimos junto a bancos.

Nota-se a queda da participação das taxas de juros atreladas aos empréstimos captados do mercado e bancos, o que pode ser explicado pela maior turbulência interna, devido ao questionamento da condução da política econômica em período de sucessão presidencial.

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Distribuição por moeda

No final de setembro desse ano, 75,1% da dívida externa eram denominados em dólares norte-americanos, ou seja, US$ 147,873 bilhões, apresentando ligeira queda frente aos 74,8% no segundo trimestre de 2002. No mesmo sentido, nota-se a queda da participação do iene e do euro, de 8,2% e 6% no segundo trimestre para 7,6% e 4,9% no terceiro trimestre, respectivamente.

O destaque ficou com o aumento da parcela atrelada aos “Direito Especial de Saque”, moeda escritural utilizada em transações com o FMI. Em março de 2002 correspondia a 4,3% da dívida, em junho passou a 7,3% e em setembro atingiu 8,8%, ou US$ 17,382 bilhões.