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SÃO PAULO – A dívida externa brasileira fechou o terceiro trimestre de 2003 em US$ 207,19 bilhões, um ligeiro aumento em relação aos US$ 204,37 bilhões registrados no final de junho do ano passado. Este valor é o mais elevado desde o final de 2000, quando a dívida brasileira havia atingido o patamar de US$ 215,4 bilhões.
Vale observar que o aumento global se deu basicamente pelo aumento da dívida do setor público, que passou de US$ 131,91 bilhões para US$ 135,48 bilhões, refletindo um desembolso líquido de US$ 2,9 bilhões do Fundo Monetário Internacional. Já a dívida externa do setor privado teve leve redução, passando de US$ 72,45 bilhões no final de junho para US$ 71,71 bilhões em 30 de setembro de 2003.
Dívida externa de curto prazo vem se reduzindo
Como fator positivo, os dados do Banco Central registraram no terceiro trimestre de 2003 uma redução na dívida externa de curto prazo, para US$ 6,37 bilhões, ante US$ 6,75 bilhões no final de junho. A queda ocorreu principalmente pela redução das obrigações dos bancos comerciais, além da diminuição de financiamentos a compradores.
Vale destacar que no início de 2002, quando o Brasil passava por incertezas em relação às eleições, cerca de 6% da dívida externa era composta por empréstimos de curto prazo. Contudo, em setembro de 2003 este percentual passou para 3%, mostrando a melhora no perfil da dívida externa.
Dívida deve crescer em 2004
O governo vem aproveitando a queda do risco-país e a elevada liquidez internacional para realizar novas captações em 2004. No dia 12 de janeiro, o governo conseguiu emitir um novo título de longo prazo da República, com as menores taxas de risco já registradas para papéis de maturação semelhante.
A operação, no montante de US$ 1,5 bilhão, somada com a operação realizada em outubro, no mesmo valor, irá garantir boa parte das necessidades previstas para 2004, dentre amortizações e pagamentos de juros. A contrapartida, porém, é que, se o ritmo de captações for mantido, isso poderá representar um aumento na dívida externa.