Publicidade
SÃO PAULO – A CST, Companhia Siderúrgica de Tubarão, encerrou o ano de 2002 registrando lucro líquido, apesar das adversidades enfrentadas ao longo deste período, tendo em vista que a forte depreciação cambial de 52,3% no ano prejudicou o desempenho financeiro de grande parte das empresas brasileiras.
Neste sentido, a CST que, como muitas empresas nacionais, também conta com grande parte do seu endividamento atrelado às variações cambiais, conseguiu reverter o prejuízo acumulado até o terceiro trimestre daquele ano com a redução das perdas financeiras, tendo encerrado 2002 com lucro líquido de R$ 137 milhões.
Tendência indicava forte perda no ano
Desde o início do ano de 2002 a CST vinha sofrendo com a forte valorização do dólar frente ao real e o seu impacto negativo sobre o endividamento da siderúrgica que está atrelado à moeda dos EUA. Assim, no primeiro trimestre de 2002 a empresa registrou um prejuízo líquido de R$ 26 milhões, com prejuízo financeiro de R$ 17 milhões no período.
No segundo trimestre o desempenho da CST foi ruim, tendo a empresa registrado um resultado financeiro negativo de R$ 248 milhões e prejuízo líquido de R$ 145 milhões, aumentando as perdas líquidas no ano para R$ 172 milhões. O pior resultado financeiro foi obtido no terceiro trimestre: perdas de R$ 448 milhões e prejuízo líquido de R$ 62 milhões, aumentando o prejuízo acumulado em 2002 para R$ 234 milhões.
No entanto, com a apreciação do real no quarto trimestre, que atingiu 9,3%, a siderúrgica conseguiu reverter esta tendência e registrar forte lucro líquido de R$ 371 milhões, com ganhos financeiros de R$ 127 milhões, passando o resultado acumulado no ano de 2002 para o território positivo, atingindo lucro líquido de R$ 137 milhões.
Cerca de 83% do endividamento estão atrelados ao câmbio
Ao final de 2002, 83% do endividamento bruto da CST, de US$ 861 milhões, estavam atrelados a outras moedas, não protegidos por hedge financeiro, tendo em vista que a empresa conta com boa parte das suas receitas de vendas em dólares, o que funciona como proteção natural.
Continua depois da publicidade
Nota-se que a dívida líquida da companhia teve forte recuo de 16% em dólares entre 2001 e 2002, passando de US$ 900 milhões para US$ 756 milhões ou R$ 2,673 bilhões. Deste total, US$ 417 milhões (55%) estão financiados com recursos de longo prazo, US$ 205 milhões (27%) com capital de giro e US$ 134 milhões (18%) representam a parcela no curto prazo.
Da parcela de longo prazo do endividamento da CST, US$ 93 milhões devem vencer em 2004, US$ 92 milhões em 2005, outros US$ 66 milhões devem vencer no ano de 2006 e os US$ 52 milhões no ano de 2007 e outros US$ 114 milhões distribuídos entre os anos de 2008 a 2012.
CST segue com política agressiva de remuneração
Apesar das adversidades enfrentadas pela CST no ano de 2002, a empresa conseguiu manter a sua política de remuneração aos acionistas, tendo distribuído, desde a sua privatização, um total de US$ 500 milhões, de acordo com o padrão contábil US-GAAP, em proventos.
Continua depois da publicidade
Em 2002 foram distribuídos R$ 144 milhões, sendo R$ 48 milhões referentes ao pagamento extraordinário com base em reserva de lucro de 31 de dezembro de 2001, os quais foram pagos em novembro de 2002, e R$ 96 milhões referentes ao lucro de 2002, pagos em fevereiro de 2003, ambos na forma de juros sobre o capital próprio e dividendos.
Historicamente a empresa distribuiu US$ 59 milhões em 1994, US$ 113 milhões em 1995, US$ 61 milhões em 1996, US$ 66 milhões em 1997, US$ 34 milhões em 1998, em 1999 não houve distribuição, US$ 78 milhões em 2000, US$ 23 milhões em 2001 e US$ 40 milhões no ano passado.
Ações da CST caíram na última quinta-feira
As ações preferenciais da CST (CSTB4) encerraram o pregão da última quinta-feira em queda de 0,58%, cotadas a R$ 42,95.
Continua depois da publicidade
No ano, os papéis acumulam alta de 13,23%, frente à valorização de 13,14% do índice InfoMoney do setor siderúrgico (SETSID) e de 6,55% do Ibovespa no mesmo período.