Diversificação ou investimento em poucos papéis: qual a carteira ideal?

Apostar em empresas de variados setores pode ser bom, mas investidor pode perder se exagerar na dose

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SÃO PAULO – É de praxe. Quando se consulta um entendido em mercado de capitais, o normal é ouvir uma prece: por favor, diversifique! Mas as pessoas tendem a ser aqueles maus alunos, que escutam os professores, fazem cara de “sim, senhor, entendi!” e, ao começar a investir, compram papéis de apenas duas empresas, geralmente Petrobras e Vale, por conta da segurança e da liquidez.

Enquanto uns sabem que já estão dando início à partida em direção ao gol errado, outros – muitos deles traders – justificam com a afirmação de que não há tempo, no dia-a-dia, para acompanhar o desempenho de muitas empresas. Concluem que o melhor é a especialização em poucos papéis. O estrategista da TCX, Edgard Tamaki, admite que diversificar demais não é interessante. “É inconveniente, por conta do custo por operação. No fim das contas, quem exagera na diversificação corre o risco de ficar no zero a zero”, afirma.

Porém, o gerente de Investimentos do Daycoval Asset, Anderson Rodrigues dos Santos, garante que o melhor é diversificar. Ele explica a tese dando como exemplo a área de investimento de um banco. “Em uma instituição financeira, há vários especialistas, um para cada setor. Há um especialista em mineração, outro em energia… Eles tentam antecipar movimentos e acontecimentos, sabem da empresa que será comprada, analisam as perspectivas, o papel com mais potencial de retorno…”.

Entretanto, até mesmo estes especialistas, que passam o dia analisando um determinado setor e suas empresas e o fazem por profissão, parte deles há muitos anos, inclusive, erram. Daí a percepção de que a chance de um investidor que não é especializado em determinado setor ou empresa cometer um equívoco é enorme.

Grande equívoco

Veja esta situação hipotética: um pequeno investidor destinou 30% do seu capital a ações de apenas uma empresa, mas esta acabou quebrando. Como sua posição era grande, ele perdeu uma fatia importante do seu patrimônio, que dificilmente será recuperada. Ao menos não no curto prazo.

“Quando o investidor diversifica, ele consegue diluir o risco“, afirma Santos. Esta não é nenhuma novidade, mas é curiosa a vontade das pessoas de fazer o contrário. O especialista recomenda aos investidores manter a visão de longo prazo e, no lugar de se especializar em poucas empresas, analisar o cenário da macroeconomia.

“É comum as pessoas começarem com Petro e Vale, porque são empresas que estão sempre na mídia e todo mundo conhece. Como o investidor não conhece o mercado de ações, fica nos papeis mais conhecidos. Porém, é importante depois ler, estudar e procurar informação”. Segundo o gerente de investimentos, além de diversificar entre as empresas, é importante diversificar entre os setores.

Então, qual o número ideal de papéis?

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O investidor deve estar em dúvida: quantos papéis é recomendável ter na carteira, para não ter nem muitas ações nem poucas? “Acredito que cinco é pouco”, responde o professor de Finanças do Insper, Ricardo José de Almeida. “As pessoas não podem se dar ao luxo de errar”, justifica.

Ele comentou o caso de um investidor que, antes da crise econômica, havia aplicado em apenas três empresas, entre elas a Sadia e a Aracruz. Por conta das operações com derivativos realizadas por essas organizações, ele acabou perdendo dinheiro. “Até hoje, os valores dos papéis não voltaram ao patamar pré-crise e podem nem voltar”, analisa.

Na opinião de Tamaki, da TCX, o ideal é ter na carteira ações de cinco empresas. “Quem ainda não é experiente poderia optar por Petrobras ou Vale e uma empresa de cada um dos seguintes setores: energia elétrica, siderurgia, financeiro e varejo. Papéis do setor elétrico são defensivos, em função de suas receitas serem, via de regra, reajustadas anualmente por um indexador de inflação, e costumam pagar bons dividendos. Já as empresas de primeira linha crescem de acordo com o desempenho da economia. Quanto à empresa de consumo, creio que Natura seja uma boa opção”.

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Por que não investir em mais de cinco empresas? “Cada operação tem uma taxa de corretagem. É preciso pensar em termos de custo também”, responde o especialista. Supondo que o custo para entrar em uma operação seja de 0,5% (aplicada por muitas corretoras) e o investidor desejasse aplicar R$ 10 mil, a despesa seria de R$ 50, somente para entrar.

De acordo com a BM&FBovespa, a taxa de corretagem incide sobre o movimento financeiro total – compras mais vendas -, sendo livremente acordada entre investidor e corretora. Além disso, as operações também estão sujeitas a emolumentos e outras taxas.

Alternativa

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Almeida sugere ao investidor inexperiente aplicar em fundos de investimentos indexados ao Ibovespa, com o intuito de diversificar. Ele lembra que os gestores de fundos, muitas vezes, têm acesso a informações que os pequenos investidores não têm e isso lhes dá certa vantagem.