Disputa entre comprados e vendidos gera volatilidade para Petro e Vale

Com proximidade de vencimento de opções, que ocorrerá na próxima segunda-feira (17), ativos das principais companhias do Ibovespa alternam entre perdas e ganhos

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SÃO PAULO – Os vencimentos de opções sobre ações ocorrerão na próxima segunda-feira (17), mas o mercado já vem precificando o acontecimento, que se repete na terceira segunda-feira de todo mês. 

As ações da Petrobras (PETR3;PETR4) e da Vale (VALE3;VALE5) refletem este movimento, com destaque principalmente para os ativos da petrolífera. Na sessão da véspera, os papéis PETR3 e PETR4 registraram forte volatilidade. Após ficar boa parte da sessão entre leves perdas e ganhos, os ativos da companhia fecharam com altas de 3,14% e 3,30%, respectivamente, fechando a R$ 17,43 e R$ 19,38 e ajudando a amenizar as perdas do índice.

Nas primeiras horas do pregão desta sexta-feira, contudo, os papéis continuam parte dos ganhos. Às 12h12 (horário de Brasília), os ativos PETR3 tinham ganhos de 1,03%, a R$ 17,61 e PETR4 registravam valorização de 0,05%, a R$ 19,39, após mais cedo a ação da primeira cair quase 2% e a da segunda 1,5%.

O mesmo movimento foi observado pelos papéis da Vale. As ações preferenciais classe A da companhia chegaram a registrar perdas de 1,86% na sessão da última quinta-feira. Entretanto, no final da sessão, os papéis se recuperaram e fecharam com leves altas, representando uma valorização de cerca de 2% somente nos últimos minutos do pregão. Já nesta sessão, as ações da Vale, que chegaram a ser negociadas em leve queda, também registram altas, de 0,60% para os papéis ON e de 0,59% para os ativos PNA.

Por que este movimento?
Nos dias próximos ao vencimento de opções, o índice costuma ter forte volatilidade, influenciado principalmente pelo movimento das ações destas duas companhias, as mais representativas do Ibovespa ao responderem por cerca de 20% da carteira teórica. Elas também respondem pela maior parte dos contratos de opções. 

Com o vencimento chegando, a disputa entre comprados e vendidos em opções – que se constitui no direito de negociar um determinado ativo em data futura a um preço acordado anteriormente – se acirra. Os vendidos apostam na queda das ações, enquanto os comprados apontam para uma alta delas.

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Assim, quando se aproxima o vencimento das opções, os comprados ampliam suas posições nas ações de modo a tentar elevar a cotação destas e ganhar com o exercício da opção. Por outro lado, os vendidos, atuam de modo inverso, de modo a diminuir a cotação dessas ações. Vale lembrar que as transações com opções de compra são as mais comuns no mercado brasileiro.

Em janeiro, o exercício de opções sobre ações registrou um baixo volume em fevereiro, movimentando R$ 2,10 bilhões. O volume foi bastante fraco em comparação com os meses anteriores, principalmente sobre as operações de compra, que movimentaram apenas R$ 1,02 bilhão, enquanto as de venda chegaram a R$ 1,08 bilhão. A data havia coincidido com um feriado nos EUA.

Isso em meio a queda das ações preferenciais da Petrobras e da Vale no mês levou ao baixo exercício das opções de compra até o período. Com a forte queda no mercado à vista, muitos contratos de opção de compra ficaram com o preço de exercício acima da cotação, fazendo com que as “calls” – opções de compra – perdessem o valor. 

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Outros fatores no radar
O estrategista-chefe da FuturaInvest, Luis Gustavo Pereira, destaca que também há outros fatores que levam à forte volatilidade dos papéis. As notícias de que a companhia não irá vender as suas refinarias no Brasil e a reunião do plano de negócios da petrolífera também estão no radar. 

De acordo com o analista do Santander, Vicente Falanga Neto, o novo plano não deve trazer um ajuste significativo nas metas operacionais – atualmente, a meta de produção é de 3,3 milhões de barris de óleo equivalentes por dia, sendo 3,0 milhões no Brasil – nem no programa de investimentos ou nos projetos em fase de avaliação. O foco será, portanto, na financiabilidade do plano, “o que abre a possibilidade para um aumento nas metas de endividamento”, diz.

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Onde Investir

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.