Alta de até 7% ontem

Disparada da Vale e siderúrgicas foi um blefe? BTG tem motivos para acreditar que sim

Para analistas, não há fundamento para as altas da véspera, com perspectiva ruim para os preços do minério de ferro, enquanto dados das siderúrgicas só reforçam visão ruim para o setor

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SÃO PAULO – Em meio ao otimismo que tomou conta do mercado na última terça-feira, as ações da Vale (VALE3; VALE5) e siderúrgicas CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM5) dispararam no último pregão. Os papéis da mineradora figuraram como uma das maiores altas do Ibovespa, com alta de 7,5%, no caso dos preferenciais. Entre as siderúrgicas, CSN foi a que mais subiu (+5,18%). Um otimismo, no entanto, que parece não fazer muito sentido. 

A opinião é do BTG Pactual, que acredita que a disparada de ontem desses papéis não é sustentável. Comentário que já surti efeitos. Hoje, essas ações operam no negativo na Bovespa, segundo cotação das 14h25. (Para conferir os principais destaques da Bolsa nesta tarde, clique aqui). 

O que os analistas do banco argumentam é que a disparada do minério de ferro, que puxou principalmente a alta das ações da Vale e CSN, pode ser pontual. Isso porque o que vem motivando a commodity é a queda nos estoques de minério nos portos chineses, que bateram 86,4 milhões de toneladas essa semana, ou 16,2 milhões a menos no acumulado anual. O indicador, apesar de ser positivo para o preço, parece ter um efeito transitório, comentam.

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“Achamos o movimento de baixa qualidade (todos os sinais de demanda ainda são muito fracos) e essa queda dos estoques parece ser mais pontual por conta das restrições nas exportações e por uma realocação nos estoques (do porto para as usinas)”, explicaram. Ou seja, o cenário de oferta superaquecida no segundo semestre permanece inalterado, com 70 milhões de toneladas de nova oferta.

Aliado a isso, estão declarações do CEO (Chief Executive Officer) da BHP Billiton, que afirmou que não faria sentido econômico cortar a capacidade de baixo custo. Dando mais um sinal de que a disciplina da indústria está muito distante.

Com todo esse cenário traçado, os analistas reforçaram sua visão cautelosa sobre Vale e CSN, apontando que o carrego da mineradora ainda parece ruim, com dois anos de múltiplos altos, projeção de zero dividendo em 2016, fluxo de caixa negativo e aumento da alavancagem. 

O cenário é o mesmo para o setor siderúrgico?

A recomendação de cautela segue para o setor siderúrgico, reforçada depois de dados da produção industrial de ontem, que só enfatizaram o momento ruim da atividade, comentaram os analistas. “Cedo ainda pra dizer que o cenário está se estabilizando. Pelo contrário, continuamos a ver sinalizações ruins, que mostram que as coisas seguem piorando no setor”.

No caso da Usiminas, por exemplo, eles citam que a companhia recentemente fechou dois fornos e anunciou a redução na jornada de trabalho na área administrativa. Além disso, distribuidores de aços planos – usado pela Usiminas e CSN – estão falando que o mês de maio será fraco, com queda de 10% das compras na comparação mensal, enquanto os estoques devem seguir altos.

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Ou seja, para eles, Usiminas e CSN performaram ontem sem muito fundamento. Dado o cenário, o banco recomenda evitar esses dois papéis. Gerdau, que completa o trio siderúrgico na Bolsa, não foi citada, apesar da alta de 2% ontem. Vale mencionar que a companhia tem um case diferente das demais, com forte exposição ao mercado americano, o que tem sido um alívio para ela.