Discussão sobre fundo soberano e CPMF eleva incerteza no câmbio

"O mercado começa a dar sinais de preocupação com a política econômica no segundo mandato do presidente Lula", diz analista

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SÃO PAULO – A discussão sobre a criação de um fundo soberano para o investimento de infra-estrutura e a demora na aprovação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) tem elevado as incertezas sobre o futuro da política fiscal e mexido com a cotação do dólar.

“O mercado financeiro começa a dar sinais de preocupação com a política econômica no segundo mandato do presidente Lula”, avalia a equipe de análise da Tendências Consultoria em relatório publicado nesta quarta-feira.

Para os analistas, as declarações de elevação dos gastos correntes, redução do superávit primário, de crescimento da carga tributária e a discussão pouco clara em torno da criação do fundo soberano levam a um alto nível de incerteza.

Permanecem as dúvidas

Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para formar o fundo, o Tesouro Nacional pode comprar cerca de US$ 10 bilhões. O fundo compraria dólares no mercado de câmbio a fim de usá-los para adquirir títulos emitidos por companhias brasileiras e, com isso, financiar projetos de investimentos.

De acordo com analistas, o mercado teme que o Tesouro fique tentado a se desviar de sua estratégia inicial, usando os recursos para mexer na taxa de câmbio. As incertezas ainda permanecem e, para reduzi-las um pouco, Mantega e o presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles, anunciaram que o fundo não usará recursos das reservas.

“Os ativos brasileiros devem continuar sendo afetados pelos acontecimentos e direção dos mercados no exterior,(…) mas agora, como vem ocorrendo nos últimos dias, também respondendo às notícias internas sobre a criação do fundo soberano”, explica a diretora de câmbio da AGK Corretora de Câmbio, Miriam Tavares, nesta manhã.

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CPMF: aprova ou não?

“As dificuldades enfrentadas pelo governo para aprovar a CPMF aumenta o risco de deterioração do cenário fiscal para o próximo ano”, dizem os analistas do banco UBS em análise do mercado nesta manhã.

Segundo o banco, a discussão sobre a aprovação da contribuição que respondeu por US$ 32 bilhões das receitas em 2006, pode atrasar a elevação do rating do País para grau de investimento pelas agências de classificação de risco.

A discussão sobre a prorrogação da CPMF até 2011 já começou a ser discutida pelos parlamentares no Senado Federal, onde a pauta acaba de ser liberada. Para que se dê a votação em primeiro turno, é necessário que sejam realizadas cinco sessões deliberativas, nas quais poderão ser apresentadas emendas.

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Nesta manhã, o presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), anunciou que, para acelerar a tramitação do projeto, convocará sessões deliberativas às segundas e sextas-feiras. O prazo de cinco sessões deliberativas começou a correr na última terça-feira.