Publicidade
SÃO PAULO – Depois de chegar a subir 0,51%, o Ibovespa voltou a cair por volta das 14h40 (horário de Brasília), após discurso de Sandra Pianalto, presidente do Fed de Cleveland. Mais uma vez, um discurso de um dos membros da autoridade monetária norte-americana voltaram a pressionar o mercado. Por volta das 15h40, o índice voltou a zerar, e opera em queda de 0,09%, aos 47.384 pontos. O mercado agora espera pelos resultados da Vale (VALE3; VALE5).
Na véspera, os mercados mundiais foram duramente afetados pelos discursos de membros do Fed nos EUA – que fizeram as bolsas cair pela manhã. Apontando para a antecipação do início da retirada do Quantitative Easing III, programa de compra de títulos por parte do governo que envolve até US$ 85 bilhões por mês. Desta vez, Sandra voltou a falar que a autoridade deve retirar os estímulos se o mercado de trabalho continuar com a força que apresenta no momento.
Esse é o grande medo do mercado: a retirada dos estímulos – que, para muitos, é o que tem inflado o preço das ações “artificialmente”. A retirada dos outros dois programas anteriores fez com que a bolsa iniciasse uma tendência de queda – até o momento em que Ben Bernanke, presidente do Fed, anunciava um novo programa de estímulo, fazendo com o que mercado voltasse a subir. Para alguns analistas, o Fed acabou viciando o mercado “com morfina”.
Esse é o terceiro membro do Fed que fala sobre a retirada de estímulos nessa semana, fortalecendo a expectativa de que a autoridade vá retirar o dinheiro dos estímulos nas próximas reuniões. Charles Plosser, do Fed de Filadélfia, também iria falar sobre o assunto hoje, mas cancelou seu discurso. Plosser é famoso por ter se oposto ao programa desde o começo – e também deveria sinalizar que o Fed teria de retirar seus estímulos.
Outras referências
No noticiário local, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de julho marcou inflação de 0,03% – a menor desde julho de 2010 -, indicando desaceleração ao resultado de junho (+0,26%). No entanto, é válido ressaltar que os economistas esperavam um resultado levemente melhor, trabalhando com projeções entre deflação de 0,03% e estabilidade.
No acumulado em 12 meses, o IPCA marca avanço de 6,27% nos preços, abaixo do teto da meta do governo para 2013, de 6,5%. Ainda por aqui, o S&P avaliou que a relação dívida/PIB do país voltou a subir e pode colocar em risco o rating brasileiro, segundo notícia do Valor Econômico. Na véspera, o economista-chefe do Barclays afirmou que o rating do Brasil será rebaixado em 2014.
Continua depois da publicidade
A Europa também chamou a atenção. O BoE (Bank of England) afirmou nesta sessão de que retirará seus estímulos e elevará os juros conforme a taxa de desemprego alcance a região de 7% – o mercado estimava uma taxa mais “flexível”. Enquanto isso, a Fitch voltou a reafirmar o rating da Alemanha em AAA, com perspectiva estável.