Discurso de Meirelles faz dólar ir a R$ 3,24 e cair 1,5% da máxima do dia

Moeda começou o dia com forte alta e ameaçou encostar em R$ 3,30, mas virou com força após a fala do ministro e ficou abaixo de R$ 3,25

Publicidade

SÃO PAULO – Após subir forte durante a manhã desta quarta-feira (3), o dólar virou para forte queda nesta tarde após o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, falar em evento no Rio de Janeiro e ajudar a acalmar os investidores. Na máxima do dia, a moeda norte-americana chegou a atingir os R$ 3,2887, mas após o discurso a divisa desabou para mínima de R$ 3,2392 – queda de 1,5%.

O dólar comercial fechou com queda de 0,78%, cotado a R$ 3,2402 na compra e R$ 3,2408 na venda. Segundo o ministro, já é possível ver resultados das medidas tomadas pela atual equipe econômica. Meirelles citou a melhora em índices de confiança, que começam a mostrar recuperação, embora ainda permaneçam em níveis distantes do pico histórico.

Em sua fala, Meirelles indicou que o reconhecimento do problema fiscal brasileiro passou pela declaração da “situação real das contas públicas”, com o reconhecimento da meta de déficit primário da ordem de R$ 170,5 bilhões. “É um número de fato muito elevado, mas é real. É realista e o mais importante é que no próximo ano teremos uma previsão e uma meta de 130 bilhões”, completou.

Além disso, durante o evento, o ministro reconheceu que, caso a recuperação da arrecadação não ocorra, a solução seria o aumento de tributos, “que não é ideal”. “O que não vamos ceder é em cumprir a meta”, declarou.

Segundo o economista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger, embora em seu discurso, o ministro da Fazenda não tenha trazido algo de novo em relação a medidas que serão aprovadas para promover o ajuste fiscal, ele acalmou os ânimos em um momento em que a paciência do mercado com o governo interino parecia chegar ao fim. “Acho que pode ter ajudado. É complicado comparar essa equipe econômica com a do Joaquim Levy, o governo Temer realmente tem mais capacidade de diálogo. O temor é só que ao tentar agradar a todo mundo ele não agrade a ninguém”, explica.

Outro fator que ajuda na queda da moeda é a disparada do petróleo, que avança mais de 3% no exterior após a divulgação de dados de estoques mais cedo. A EIA (Energy Information Administration) mostrou que os estoques de petróleo nos EUA subiram em 1,41 milhão de barris na semana passada, superando e muito a expectativa mediana dos economistas, que era de queda de 1,49 milhão no número de barris.

Continua depois da publicidade

O dado chegou a dar um “susto” no mercado, mas que não durou muito tempo por conta da publicação dos estoques de gasolina, que desabaram em 3,3 milhões de barris, surpreendendo investidores e levando a um otimismo com a demanda por combustíveis.


Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.