Discurso de Bernanke reforça percepção de aumento do juro básico nos EUA

O Chairman do Fed afirmou não acreditar que as baixas taxas de juros de longo prazo são um sinal de desaceleração econômica

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SÃO PAULO – Os juros nos Estados Unidos devem subir na próxima reunião do Federal Open Market Committe, o comitê de política monetária do Federal Reserve, mas não há consenso no mercado sobre até quando o ciclo de aperto monetário deverá se estender nos EUA.

A percepção do mercado em relação a um novo aumento no juro básico foi reforçada pelo discurso de Ben Bernanke, Chairman do Fed, no Clube Econômico de Nova York, na noite da última segunda-feira, em seu último discurso público antes da reunião do comitê, nos próximos dias 27 e 28 de março.

Entretanto, não há consenso sobre até que ponto o Fed elevará as Fed Funds, já que Bernanke não sinalizou claramente qual será a postura da autoridade monetária em suas próximas reuniões. O Chairman falou em cautela na condução da política monetária e afirmou que os gastos dos cidadãos devem manter a economia aquecida.

Taxas de curto e longo prazo

Ao discorrer sobre o patamar das taxas de juros de longo prazo nos Estados Unidos, que se encontram muito próximas das taxas de curto prazo, fenômeno que foge à normalidade, Bernanke sinalizou a possibilidade do patamar das taxas de curto prazo ficar abaixo do “normal”, já que o quadro atual pode ser causado por um excesso de poupança mundial.

Além disso, o Chairman afirmou que não interpreta o movimento convergente das taxas como um sinal de que uma desaceleração do crescimento está por vir, mas sim que os agentes de mercado estão mais confiantes em relação à economia.

A taxa básica de juro norte-americana atualmente é de 4,50% ao ano, caso a autoridade monetária eleve o juro em 25 pontos base na próxima reunião, como o mercado acredita que deverá acontecer, esta será a décima quinta elevação e levará o juro a 4,75% ao ano.