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SÃO PAULO – Na terça-feira, a Standard & Poor´s elevou a perspectiva para a classificação de risco da dívida nacional do estável ao positivo. Trata-se apenas de um sinalizador, já que o rating soberano do Brasil continua como “BB-“, mas foi o suficiente para despertar a parcela do mercado ansiosa pelo “BBB-“, já dentro do seleto grupo de grau de investimento.
Para a diretora da S&P, Milena Zaniboni, esse apelo ao Brasil dentro do tal “seleto grupo” é exagerado. Ela explica que, apesar da nota maior para a perspectiva, ainda falta um bom caminho até o país chegar ao “BBB-“. Porém, antes de avaliar a preocupação com o grau de investimento, Zaniboni questiona a própria validade do termo.
Trocando o rótulo
Dentro da hierarquia usada pela Standard & Poor´s, o divisor de águas está entre as notas “BB+” e “BBB-“; o topo do grau especulativo, e piso do grau de investimento.
Apesar dessa história de “graus” estar popularizada no mercado, não reflete o ponto de vista da diretora da agência: “não se investe somente em grau de investimento; o grau especulativo também atrai capital”.
De fato, a lógica do rating serve exatamente à precificação ponderada entre diversos ambientes de risco, de modo que aplicações especulativas ou conservadoras possam se apresentar igualmente vantajosas, cada qual a seu modo.
Por isso a S&P prefere chamar o objeto analisado que está passando do “BB+” para o “BBB-” de rising star, ou estrela em ascensão. Vice-versa, do “BBB-” para o “BB+”, ganha o rótulo de falling angel, ou anjo em queda.
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Brasil como rising star?
Não são poucas as vozes que já consideram o Brasil apto ao posto de rising star. Há quem argumente, por exemplo, que o país ainda é penalizado pela moratória de 1987, já que outras nações que optaram pelo default da dívida externa há menos tempo, como a Rússia, já possuem o grau de investimento.
Milena Zaniboni explica que a última moratória brasileira não é o fator principal na atribuição das notas: “a gente já quase se esqueceu dela”. A grande culpada pela demora na decolagem da estrela é o grau de endividamento público.
“O Brasil tem muitas dívidas, apesar de mostrar outros fundamentos positivos”, ressalta a diretora da S&P. A razão entre dívida externa e receitas com exportações do país está em aproximadamente 150%, bem maior que a de pares emergentes. Já a razão entre a dívida pública e o PIB está em 52%, contra 28% do México em 2004.
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Zaniboni considera que, embora alguns dados qualitativos do Brasil sejam animadores, ainda falta algo no campo quantitativo. A evolução até o grau de investimento deve se confirmar, mas de maneira paciente, gradual. Uma rising star lutando pouco a pouco contra a gravidade.