Diretor do Daycoval faz alerta sobre a “Indústria da Recuperação Judicial”

Morris Dayan explica que empresas estão preferindo entrar com pedido de recuperação judicial a honrar suas dívidas ou renegociá-las

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SÃO PAULO – A economia brasileira não tem andado às mil maravilhas, o que tem tornado algumas projeções para o País e para as empresas que atuam por aqui bastante negativas. Porém, mesmo diante deste cenário, o diretor financeiro do Daycoval (DAYC4), Morris Dayan, acredita que 2014 será um ano positivo para o banco.

Para Dayan, mesmo sem estar otimista com a economia neste ano, o banco pode crescer sua carteira de empréstimos em até 15%, depois de dois anos de cautela. Porém, ele ressalta: “muita gente acha que para um banco ganhar dinheiro, ele tem que crescer mais a carteira. E às vezes, você crescendo mais, você tem mais risco, e não necessariamente isso vai levar a um resultado maior”.

Em podcast gravado com a Rio Bravo Investimentos, Dayan falou não só da economia nacional, mas também abordou temas como a “indústria de Recuperação Judicial”, onde empresas preferem pedir recuperação a tentarem renegociar suas dívidas com os bancos, o que tem prejudicado as instituições. Além disso, o executivo explica a diferença do Daycoval para seus concorrentes e fala sobre sua diversificação das linhas de crédito.

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Controlado pela família Dayan, o Daycoval é um dos bancos com maior participação no crédito a pequenas e médias empresas, com foco no empréstimo para empresas pequenas, principalmente linhas de capital de giro. O banco fechou 2013 com uma carteira de crédito de R$ 9,4 bilhões, dos quais R$ 5,6 bilhões emprestados a empresas e R$ 3 bilhões em créditos consignados.

Rio Bravo – Depois de três anos sem crescer a carteira, você tem dito aos investidores que ela pode crescer 15% este ano. Isso significa que você está otimista com a economia?

Morris Dayan – Em primeiro lugar, uma consideração. O crescimento da carteira não tem nada a ver com o resultado. Muita gente acha que para um banco ganhar dinheiro ele tem que crescer mais a carteira, e às vezes você crescendo mais, só que aumenta seu risco. Não necessariamente isso vai levar a um lucro maior.

Nós tivemos nos últimos dois anos uma posição bastante conservadora em relação ao crescimento da carteira de crédito (…). Nesse momento, quando a gente olha o último trimestre do ano passado, quando essa carteira cresceu 10% e o banco tem se colocado de uma forma de voltar a crescer, isso não tem muito a ver com economia em si, tem a ver com o banco. Depois de dois anos de bastante conservadorismo, a gente sente muito pouco alavancado e com propensão a crescimento.

A verdade é que, do ponto de vista da economia, nós não estamos otimistas, o Brasil está passando por um cenário bastante difícil, mas temos encontrado bastantes oportunidades no crédito. Por um lado, tem pouca concorrência, por outro lado tem uma demanda e uma visibilidade melhor do crédito. Então é por isso que nós estamos mais dispostos a crescer a carteira de crédito para empresa.

RB – E o que os seus clientes têm falado sobre a economia?

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MD – A gente tem clientes em todos os setores da economia e no Brasil inteiro. Os clientes voltados mais ao varejo têm tido uma visão mais otimista da economia, enquanto aqueles voltados aos setores automotivo e de óleo e gás têm sofrido muito e estão com uma visão pessimista. Trabalhamos com todos os setores, mas de forma diferente com cada um deles. É muito difícil ter hoje uma visão muito clara do que está acontecendo na economia, mas com certeza a confiança dos nossos empresários está muito baixa.

RB – Você está dizendo que a perspectiva também varia de indústria para indústria?

MD – Com certeza. Acho que quem está na indústria de televisores deve estar bombando por causa da Copa, assim como o Turismo, mas setores industriais estão sofrendo um pouco mais. E mesmo dentro da indústria tem alguns setores, como eu mencionei, automotivo, de óleo e gás, que têm sofrido mais que outros, o setor de transporte, por causa do varejo está um pouco melhor. Enfim, cada setor tem se sobressaído de uma forma diferente.

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RB – Vocês emprestam muito para capital de giro das empresas. Tem gente que acha que a indústria de recuperação judicial tem sido prejudicial aos bancos médios, porque muitas vezes a empresa está apertada, pegando a grana para capital de giro, aí vem o advogado e sugere que a empresa peça a recuperação judicial e renegocie as dívidas na Justiça. E muita gente vai por esse caminho. Isso é correto? E como os bancos estão lidando com isso?

MD – É verdade, existe o que se chama de indústria das RJs, da Recuperação Judicial, onde a gente vê clientes empresários que não necessariamente precisavam ir por esse caminho, mas por escutar algum advogado ou algum mau conselho acaba indo por esse caminho, enquanto na maioria dos casos se eles sentassem com os bancos para renegociar, eles teriam uma possibilidade maior de sobreviver. É verdade que isso tem causado um problema aos bancos.

Eu não descriminaria aqui os bancos médios de bancos grandes. Alguns bancos que nem nós, que temos um foco muito maior na pequena e média empresa, sentimos isso mais no balanço do que um banco grande que tem uma carteira muito mais diversificada. Então isso tem sido um fator que aumentou a inadimplência dos bancos em geral, e é muito fácil de entender. A gente tem aqui um dado que, há uns anos, os nossos clientes trabalhavam com uma média de 8, 9 bancos para capital de giro. Hoje, dificilmente eles conseguem ter mais que 4 ou 5 bancos.

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RB – Por que isso?

MD – Porque existem menos bancos agora. Houve consolidação do setor e também um reconhecimento de que existe um risco maior de trabalhar com pequena e média empresa, que precisa de um know-how um pouco maior. Muitos bancos acabaram focando outros setores ou indo para banco de investimento, ou indo corporate, ou seja, emprestando para clientes maiores, até para diminuir o risco.

Com uma menor quantidade de bancos, esses clientes tiveram mais dificuldade de rolar suas dívidas de curto prazo e acabaram indo por esse caminho. O bom é que, uma vez que isso ficou bastante público, e os jornais têm noticiado isso, os empresários têm pensado duas vezes em ir por esse caminho, quando muitas vezes não precisa.

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RB – O problema da indústria de RJ é que depois que a empresa perde a recuperação, dificulta a execução das garantias, não é?

MD – O problema que muitas vezes, após a recuperação judicial, o banco não pode mais cobrar mesmo tendo garantia. Existe aquele período em que a empresa tem que apresentar o plano, e ele tem que ser aprovado, sendo que depois a empresa poderia supostamente ter uma vida normal. O que acontece é que em muitos desses casos eles não conseguem voltar à vida normal porque eles precisam de bancos e os bancos estão machucados com esse cliente, então não querem voltar.

RB – O que diferencia o processo de análise de crédito de vocês em relação aos seus concorrentes?

MD – A gente tem uma aproximação do cliente de 1 a 1, ou seja, cada cliente é um cliente. A gente não acredita que no crédito para pequena e média empresa a estatística funcione. A empresa pode estar num setor bom, tudo estar indo muito bem, mas por uma razão familiar, ou por uma razão muito específica, a coisa desanda. Então o que a gente acredita é que o crédito para pequena e média empresa tem que ser feito de forma individual.

A gente baseia nosso crédito em três coisas: análise cadastral, que é muito importante, o histórico da empresa; a condição da empresa, o balanço em si; e, talvez o mais importante, a garantia, o que nos leva a dispor de um certo preço a emprestar.

Tendo essas 3 coisas, a gente também não dá alçada para área comercial, porque se a gente desse alçada para a área comercial, a gente tem certeza de que eles vão usar o total do limite com o menor spread possível. A gente tem uma área específica que fica entre crédito e área comercial, que é quem dosa preço e garantia. Com isso, a gente consegue para certo cliente ser mais agressivo de acordo com a garantia ou menos agressivo se não está pagando o preço necessário.

RB – Em termos de incentivos, a compensação do seu originador do crédito muda de acordo com a performance do crédito?

MD – É sempre ligado ao lucro que ele origina. E lucro é lucro depois das despesas, depois dos custos com crédito moldado.

RB – Os grandes bancos tiraram o pé do mercado de pequenas e médias empresas, como você falou. A primeira reação é achar que o Daycoval ficou mais solto nesse segmento, mas o que ocorre frequentemente é que o tomador de crédito deixou de ter limite no Bradesco e no Itaú, e isso pode aumentar a inadimplência na sua carteira. Como funciona isso na prática?

MD – Em 2011, o Itaú estava muito agressivo em crédito e teve um problema de inadimplência. Todo mundo achava que era bolha do crédito, e depois viram que foi uma atuação muito agressiva, sem garantia, na pequena e média empresa. O Itaú reformulou a área dele e chegou à conclusão de que a média empresa não pode mais ser tratada dentro do Itaú como varejo e passou isso para o Itaú BBA, onde ele vai ter um tratamento individualizado, que é um pouco nosso approach. Tem momentos que o crédito para pequena e média empresa é a coisa mais bonita que existe, e tem outros momentos que é o subprime do crédito. É arriscado o crédito para pequena e média empresa? É arriscado. Vamos mitigar isso com garantia e com margem para pagar a inadimplência. É dessa forma que a gente trabalha.

RB – Um grupo financeiro chinês comprou recentemente o controle do BicBanco, que é o seu concorrente no crédito à pequena e média empresa. Por um lado, isso demonstra apetite pelo setor, e, por outro, a gente sabe que o Banco Central às vezes tenta casar os novos entrantes no mercado com bancos que precisam de uma recapitalizarão. O que essa aquisição do BicBanco diz a respeito dos bancos médios no Brasil hoje?

MD – Essa aquisição, na minha opinião, foi uma aquisição muito boa para todo mundo. Acho que foi bom para os chineses que viabilizaram entrar no Brasil com uma plataforma bastante boa, grande, e vão ganhar muito tempo. Um banco daquele porte poder já entrar com o pé direito aqui no Brasil, achei que foi muito bom para o Banco Chinês. A gente viu já dois bancos chineses entrando, um deles o Bank of China, e batendo cabeça, demorando anos para conseguir constituir e fazer o primeiro contrato. Para o BicBanco foi muito bom porque a precificação foi boa e para os demais bancos médios também mostra que tem valor nossa operação.

Realmente a gente achou que está sendo uma operação muito proveitosa para todos os players de mercado, de Banco Central a bancos médios ao próprio Bic, principalmente o Banco Chinês. Então eu vejo com muito bons olhos essa aquisição. Estamos olhando, ela não terminou. Estamos aguardando a aprovação do Banco Central, mas tudo indica que ela vá acontecer ainda em 2014.

RB – E na medida em que entra um player tão capitalizado quanto esse chinês há um fortalecimento sistêmico também, não é?

MD – É verdade, você tem um fortalecimento sistêmico por um lado, mas sempre tem dois lados, como tudo o que a gente tem falado. Por outro lado, é um banco a menos atuando no nosso segmento. A gente não acredita que o Banco Chinês, no porte que ele tem, vai atuar na pequena e média empresa, que trabalha unicamente no mercado local. Ele vai trabalhar infraestrutura, importadores e exportadores da China…

RB – Para ele foi mais importante comprar a licença para operar no Brasil do que em si a operação?

MD – É mais que a licença, é uma plataforma que existe e agora ele vai direcionar a um interesse dele. E o interesse dele é focar na infraestrutura, focar nos exportadores ou nos importadores da China, não tenho dúvida nenhuma. Grande parte dos nossos clientes em comum com o Bic vai perder mais um banco, então acaba sendo mais um banco a menos para eles.

RB – Consignado. O Daycoval tem menos de 3% de share nesse mercado, que é dominado pelos grandes bancos, mas a sua carteira de consignados cresce a dois dígitos já tem uns três anos. Vocês têm 3 bi em ativos de consignado dos seus 9,4 bi. O filé mignon desse mercado é o setor público, porque a inadimplência é bem menor, mas nesse mercado o custo de captação importa bastante. Em algum momento a concorrência deve ficar bastante dura e isso vai fazer com que seja difícil para vocês concorrer com grandes bancos. Como é que sai disso?

MD – A gente sempre tinha muita dificuldade em concorrer com bancos que trabalhavam da mesma forma que a gente trabalha via correspondente bancário, enquanto que quando a gente concorre com banco grande, a gente tem uma facilidade de relacionamento, tem uma agilidade maior, nosso preço é pior, mas a gente tem outras tantas vantagens.

O que aconteceu foi que a nossa operação começou a crescer muito mais quando muitos outros bancos deixaram esse mercado. Antes existiam 65 bancos fazendo consignado para o aposentado. Hoje talvez você conte 12 ou 13. A gente não quer tirar o banco grande, mas a gente vem e como uma segunda ou terceira opção para os correspondentes e com isso a gente acaba conquistando um pequeno share desse mercado.

A gente cresceu bastante, mas se você for ver Itaú e Bradesco, o Itaú cresceu 60%, o Bradesco cresceu 40% nesse mercado, então o mercado em si está crescendo. O crédito consignado, que antes era 22% do total de crédito para pessoa física, hoje passa de 30%.

RB – Vamos falar de veículos, que é o terceiro segmento em que vocês atuam. Os empréstimos para compras de automóveis já são 8% da sua carteira. Quase todos os bancos tiveram problema de inadimplência nesse setor ano passado, inclusive o Banco Votorantim. Mas vocês aprenderam a operar esse negócio de uma forma diferente e manter a inadimplência baixa. O que é o “pacheco” e como ele encaixa na sua estratégia?

MD – A gente financia veículos usados na média de 10 anos e a gente se especializou nesse setor, enquanto muitos bancos erraram em achar que o carro mais novo tem menos inadimplência. No nosso caso, a gente focou em um carro que não tem mais depreciação, que você tem muito menos concorrência, uma margem muito maior para pagar a inadimplência, que o prazo médio desse financiamento é muito menor prazo, e a pessoa que financiar um carro de 10 anos com um ticket médio de 7 mil reais é também uma pessoa muito menos endividada e muito menos alavancada.

Nossa operação está baseada na garantia e é uma garantia que não perde muito valor. O que atrapalhou muito os bancos foi naquela linha dos seminovos. Para as montadoras venderem mais carros, elas reduziram o custo de financiamento, alongaram o prazo e fez com que as parcelas de um carro zero ficassem muito similar às parcelas de um carro seminovo. Isso fez com que o carro seminovo perdesse muito valor, e como o crédito era baseado muito nessa garantia, a inadimplência subiu bastante (no seminovo).

No usado isso não aconteceu, porque o usado tem menos alavancagem, o usado não tem depreciação. O prazo médio dessa operação é 3 anos com pagamento mensal. Em um ano já pagou um terço de toda a dívida. Acaba sendo, de certa forma, mais seguro, apesar de que a garantia vale muito menos.

RB – E o “pacheco”?

MD – O “pacheco” é esse carro velho que não vale muita coisa, mas para a pessoa que tem esse carro vale bastante.

RB – O nome “pacheco” vem de Passat?

MD – Passat, Chevette e Corcel, talvez.

RB – Como você imagina que vai ser o mix de negócios no Daycoval daqui a dez anos?

MD – Primeiro a nossa operação de imobiliário vai ser muito focado no refinanciamento de alguém que já comprou a casa própria, já financiou com a Caixa, por exemplo, e está faltando pouco tempo para pagar. A ideia é pegar essa operação, essa garantia, e dar mais dinheiro para o cliente, quitando a Caixa e dando um troco para ele. A nossa ideia aqui é trabalhar o home equity e não o crédito para a compra de imóveis.

RB – Não existe o risco de que a pessoa vá só consumir com esse dinheiro e a gente pode ter problema como houve nos Estados Unidos, em que as pessoas tomavam empréstimos em cima do valor da casa, veio o estouro da bolha e o valor da casa caiu?

MD – É exatamente para isso que a gente vai emprestar. É para ele consumir, para pagar dívidas e poder ter um nível de vida um pouco melhor. É exatamente como aconteceu nos EUA, com uma pequena diferença, que chama alavancagem, sendo que lá você tinha uma alavancagem muito grande, o juros muito baixos e o prazo muito longo. Aqui, os nossos juros não são tão baixos e o prazo aqui vai ser tipo de dez anos com parcelas mensais. Não vai ter alavancagem também porque a gente vai estar financiando no máximo 60% do valor forçado de venda.

Se você pega hoje todo o crédito imobiliário no Brasil, sendo que a grande parte ainda vem originada de poupança, ainda é muito pequeno. Dá para entender como vai ser o Daycoval daqui a 5 anos olhando 5 anos atrás. O que a gente pretende é continuar esse processo de crescimento, de diversificação. Não tem dúvida nenhuma que o principal foco para a gente é pessoa jurídica, é crédito para empresa, mas a gente continua diversificando também a parte de crédito para pessoa física.

A gente não acredita que um banco se sustenta com um ou dois produtos. Um banco tem que ter todos os tipos de produtos e é por isso que a gente tem uma asset competente, com 1,6 bilhões de reais sobre gestão, que deve crescer. A gente está num mercado de câmbio. Temos hoje 75 lojas de câmbio em todo o país, fazendo mais ou menos 35 mil operações por mês. É por isso que a gente está trabalhando o cartão de crédito, estamos trabalhando o home equity.

O Daycoval está aí para fazer uma operação financeira. Não é uma operação de market share. A gente não quer ser um dos maiores bancos do país. A gente quer com certeza continuar a ser um dos bancos mais seguros do nosso país e com uma visão a longo prazo do nosso negócio.

RB – O Daycoval negocia a 80% do valor patrimonial e mais ou menos 6 vezes o lucro estimado para este ano. Obviamente você discorda do mercado, porque tem feito uma recompra maciça de ações. O banco vale mais ou menos R$ 1,9 bilhão na bolsa e no ano passado, entre recompras e dividendos vocês retornaram pelo menos R$ 250 milhões aos acionistas, que dá um yield de 12%, sem contar outras recompras. Por que você acha que está tão positivo ou por que você acha que o mercado está tão negativo?

MD – A nossa visão em relação ao banco é uma visão de mais longo prazo e a visão do mercado é uma visão de mais curto prazo. O mercado quer ver crescimento e a gente quer ver sustentabilidade. O mercado quer ver retorno sobre o patrimônio alto e a gente quer ver retorno sobre ativo alto. A gente tem uma visão um pouco diferente. Até por ser acionista, a gente tem essa visão de mais longo prazo.

A gente acredita que um banco, para sobreviver no longo prazo, não pode ser muito alavancado. Ele vai compensar contendo despesa baixa e margem alta. Esse é nosso foco. Não é uma questão de preço da ação. É uma questão de modelo de negócio. Nosso modelo de negócio, quando você olha os últimos anos, crescimento e estratégia, é o que a gente pretende manter por aí. E muitas vezes o mercado quer ver um resultado de mais curto prazo que a gente não quer entregar.

RB – A única coisa que ainda não andou no Brasil foi o desemprego. Se a gente começar a ter mais desemprego esse ano, esse é um risco macro relevante para sua carteira?

MD – Tem uma questão estrutural em relação ao desemprego. Eu acho que existia muito desemprego informal que está se tornando formal, e isso atrapalha a visão puramente de estatística. Agora, parece estranho falar, mas a gente acha que aumentar um pouco o desemprego é bom sinal para os nossos clientes, para nossas empresas.

O grande erro que a gente vê é uma empresa que não está tendo uma boa margem não reduzir custo e não dispensar funcionários. Uma empresa, para ser saudável, tem que saber também reduzir. O país não está indo bem, o PIB não está crescendo, ou seja, as vendas dos nossos clientes estão reduzindo, eles têm que saber reduzir e às vezes um pequeno aumento de desemprego pode ser muito saudável para a nossa carteira de crédito.

Rodrigo Tolotti

Repórter de mercados do InfoMoney, escreve matérias sobre ações, câmbio, empresas, economia e política. Responsável pelo programa “Bloco Cripto” e outros assuntos relacionados à criptomoedas.