Direto ao ponto: sem referências, volatilidade deve predominar

No Egito, o presidente contrariou as expectativas alimentadas durante o dia e não renunciou ao cargo que ocupa há 30 anos

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SÃO PAULO – Apesar dos dados positivos publicados nos Estados Unidos na véspera, os mercados por lá passaram grande parte da sessão em terreno negativo, mostrando leve avanço apenas ao final do pregão de quinta-feira (10). Por aqui, a situação foi diferente. Após perder mais de 2% na quarta-feira, o Ibovespa marcou trajetória ascendente e encerrou com valorização de 0,56%, em 64.577 pontos.

Para João Pedro Brugger, analista da Leme Investimentos, o descolamento positivo em relação aos índices norte-americanos – fato raro no mercado nos últimos tempos – foi de fato causado por um ajuste em relação às pesadas perdas da véspera. Por isso, não é possível afirmar que rumo irá tomar o mercado nesta sexta-feira (11), mas a aposta do analista é de que, qualquer que seja a trajetória, haverá volatilidade. 

Pregão tranquilo
Ainda assim, Brugger mostra um tom levemente positivo. O analista lembra que o dia deverá ser tranquilo nos mercados internacionais, sem referências de peso na agenda, enquanto por aqui os investidores absorvem o corte de R$ 50 bilhões anunciados no Orçamento e refletem sobre a possibilidade dos três fatores em conjunto – política fiscal, política monetária e medidas macroprudenciais – atuarem de forma benigma para conter a inflação. 

Como no ano o Ibovespa ainda está perdendo 6,82%, uma recuperação não é descartada. A renúncia do presidente egípcio Hosni Mubarak, antecipada por agências internacionais para a noite da véspera, teria sido um fato positivo, avalia Brugger, diante das manifestações e greves que a população tem encenado no país. No entanto, Mubarak, em pronunciamento na TV estatal, apenas delegou alguns poderes para o vice-presidente, Omar Suleiman, e disse que ficará no cargo até setembro, para participar de uma transição democrática.