Direto ao ponto: com chance evidente de default grego, indicadores perdem espaço

Mercado aguarda por posicionamento da Zona do Euro quanto à resgate grego e mantém volatilidade; bolsa pede cautela

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SÃO PAULO – Com os investidores pouco dispostos ao risco em dia de agenda escassa, o Ibovespa operou no vermelho pela maior parte da última segunda-feira (13), fechando em baixa de 1,08%, aos 62.022 pontos, com um giro financeiro de R$ 4,03 bilhões, o menor desde 30 de maio. O índice operou descolado das bolsas europeias e norte-americanas, que registraram pequenos ganhos apesar do corte da nota de risco da Grécia pela agência Standard & Poor’s.

O corte do rating de crédito grego foi justificado pela crescente possibilidade vista pela agência de o país dar um ou mais defaults. Alan Soares, diretor da Trader Brasil Escola de Negócios, explica que o risco de um calote pelo governo grego já é evidente ao mercado, já que a economia do país não consegue dar sinais de sustentação. A única chance de estabilidade dependeria de um segundo pacote de ajuda concedido pela União Europeia, que poderia chegar a € 90 bilhões, para cobrir as necessidades de financiamento do país até 2014.

Indicadores norte-americanos não ofuscam crise na Europa 
Os ministros de Finanças da Zona do Euro farão nesta terça-feira (14) uma reunião extraordinária em Bruxelas para tentar chegar a um consenso em relação à crise de dívida grega, informaram fontes europeias à agência Efe, na última segunda-feira (13). Desta forma, as medidas para evitar a chance de um calote na Zona do Euro e o contágio de outros países periféricos devem seguir no centro da agenda no curto prazo.

Poucos motivos justificariam uma percepção diferente, segundo o diretor da Trader Brasil. “O mercado teria uma grande injeção de ânimo caso o Federal Reserve afirmasse que o país está em uma recuperação expressiva, mas sabemos que isso não irá acontecer no curto prazo”, diz Soares. Desta forma, os indicadores norte-americanos na próxima sessão, o PPI, Core PPI e as vendas no varejo, tendem a fazer pouco pela mudança de foco do mercado, ele explica.

Juros versus Bolsa
Mesmo com o Ibovespa próximo aos 62 mil pontos, um patamar considerado atrativo por alguns analistas para construir posições, Soares guarda certas reservas ao avaliar a oportunidade de investir no mercado acionário. Os juros mostram-se mais caros no curto prazo do que no longo, reforçando a chance do posicionamento estrangeiro em investimentos de renda fixa.

Por conta das incertezas econômicas, Soares prefere dividir as oportunidades por setores. Neste caso, ações com elevados pagamento de dividendos e demanda ineslática – cujo consumo pouco se altera independentemente do momento econômico – como a de geradoras de energia, seriam as mais indicadas.