Direcional (DIRR3) sobe com sinais positivos após balanço; entenda

Casas que cobrem ação mantiveram recomendação de compra apontando que balanço, embora não tenha sido excepcional, trouxe pontos que trouxeram otimismo; veja quais

Murilo Melo

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As ações da Direcional (DIRR3) sobem 3,60%, a R$ 14,13, às 12h25 (horário de Brasília) desta terça-feira (12), um dia após a companhia divulgar o balanço financeiro do segundo trimestre deste ano (2T25). O otimismo dos investidores se dá após analistas avaliarem que a companhia mantém ritmo firme de crescimento e margens elevadas no segmento de habitação popular.

A XP Investimentos, por exemplo, disse que, embora os números tenham ficado dentro das estimativas, o aumento da margem bruta ajustada para 41,7% e da margem a apropriar para 44,9% indica que a rentabilidade dos novos projetos está acima do esperado.

Para a casa, essa combinação deve sustentar um fluxo de lucros favorável no segundo semestre, apoiado pelo forte reconhecimento de receita da carteira e pela geração de caixa forte de R$ 395 milhões. “Combinado com o sólido reconhecimento de receita da carteira de pedidos e o potencial crescimento do lançamento, isso deve sustentar um momentum de lucros atrativo para a empresa no segundo semestre de 2025 e em 2026”, projeta a corretora.

O Bradesco BBI avaliou que a Direcional encerrou o 2T25 com resultados alinhados às expectativas, mantendo desempenho operacional e financeiro considerado eficiente. O Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) anualizado ajustado foi de 34%, alta de nove pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior, apoiado por margem líquida de 17,2% e velocidade de vendas de 26%. A margem bruta alcançou 38,9%, patamar recorde, enquanto a margem de backlog avançou para 44,9%.

A empresa fechou o trimestre com posição de caixa líquido equivalente a -5,6% na relação dívida líquida sobre patrimônio líquido. O resultado foi favorecido por geração de caixa de R$ 395 milhões, que teve contribuição relevante da venda de participação minoritária na Riva. O período também registrou elevação no índice de cancelamentos, que chegou a 12% das vendas brutas.

Na visão do banco, a chance de distribuição de dividendos entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão, dos quais R$ 577 milhões já foram pagos, o que representa retorno de 8%, está cada vez mais próxima e parte desse valor já está refletida na cotação.

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A possibilidade de valorização adicional depende de revisões para cima nas estimativas de lucro por ação, o que exige aumento no volume de lançamentos e vendas. Essa aceleração pode ser apoiada pelas mudanças recentes no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), como a criação da faixa 4, que tende a ampliar o ritmo de comercialização.

Embora a geração de caixa tenha sido elevada, parte veio de eventos não recorrentes, como a venda de participação na Riva e de recebíveis. Para o banco, será necessário observar a capacidade da empresa de manter esse fluxo nos próximos trimestres.

Já o Itaú BBA elege a margem bruta ajustada como protagonista do trimestre, classificando o resultado de 41,7% como o maior da história da empresa. Para a instituição, isso traz à tona a qualidade da execução e do controle de custos, elevando a confiança na meta de R$ 1 bilhão de lucro líquido em 2026. O banco ainda afirma que o lucro líquido superou suas projeções em 16% devido a receitas acima do esperado, margens melhores e resultados financeiros positivos.

O BTG Pactual classifica o trimestre da Direcional como positivo e dentro das expectativas, com ROE anualizado de 33% e boa operação no segmento popular do MCMV. Já o Safra preferiu enfatizar o recorde na margem de backlog, também de 44,9%, interpretando o dado como um indicativo de que as margens brutas devem se manter elevadas nos próximos trimestres. A instituição pontua a boa execução operacional e o potencial de dividendos atrativos.

Os bancos mantiveram recomendação de compra para as ações da Direcional. O preço-alvo das ações DIRR3, segundo o BBI, é de R$ 49.