Dilma: uma trégua com vida curta?

A passeata de domingo foi menor que o esperado, Levy e Temer conseguiram algum voto de confiança. E a presidente respira um pouco aliviada. Porém, a pesquisa DataFolha traz dados preocupantes para o governo. Este é o tom dos jornais de hoje

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Noves fora o inesperado – e no Brasil, tanto na política quanto na economia o inesperado é regra -, a presidente Dilma Rousseff inicia a primeira semana de seu segundo mandato com alguma trégua na política e na economia.

É inegável que o ministro Joaquim Levy conseguiu criar alguma expectativa positiva, entre os agentes do mercado financeiro e do mundo empresarial interno e externo, a respeito de uma provável correção de rumo na economia brasileira, ainda que meio capenga e meio capengando.

Também há sinais – ainda carentes de maior comprovação, mais um sentimento – de que o ministro-vice-presidente da República Michel Temer poderá colocar um pouquinho de ordem na base aliada e na articulação política oficial.

Ainda mais que ele parece ter recebido mesmo da presidente a caneta e o Diário Oficial para fazer as operações com os aliados. Com carta aberta no caso das nomeações para o segundo escalão federal e para as estatais. Mas com um pouco menos de fôlego para lidar com os recursos das emendas dos parlamentares, pois aí a prioridade é (pelo menos é o que parece) da tesoura do ministro da Fazenda.

A tranquilidade de Dilma, porém, não é completa. Em que pese um certo alívio neste domingo, por ter havido menos público nas manifestações contra ela do que as de um mês atrás, o afluxo de público ainda foi grande o suficiente para tirar o sono de qualquer governante com os dois pés na realidade, o que nem sempre ocorre com os habitantes do Planalto Central.

Esses até podem até se apegar a alguns dados da mais recente pesquisa do DataFolha, divulgada ontem: a avaliação negativa do governo, em um mês, variou para baixo, na margem de erro, de 62% em fevereiro para 60% em março, e a avaliação negativa permaneceu estável em 13%, nível ainda para nenhum Sarney ou Collor botar defeito.

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Ou seja, o julgamento do governo e da presidente parou de piorar. Porém, parece pouco diante da ofensiva – entrevistas, discursos, viagens, inaugurações – de marketing da presidente no último mês. Uma indicação de que, o problema, que no diagnóstico oficial é de comunicação, é mais real.

São muito ainda os dados negativos na pesquisa para a presidente:

– 63% dos entrevistados acham que deveria ser aberto um processo de impeachment.

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– 57% dizem que ela sabia da corrupção na Petrobrás e deixou que ocorresse. 26% dizem que ela sabia, mas não podia evitar.

– 75% são a favor dos protestos contra a presidente.

– 58% acham que a situação econômica vai piorar.

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– 78% acreditam que a inflação vai aumentar.

– 70% pensam que o desemprego também vai crescer.

Isto é, o binômio economia-corrupção é que estão minando a imagem do governo e da presidente. O que se pode ver em outro dado da sondagem: no começo do primeiro mandado de Dilma nenhum dos dois aparecia na lista dos maiores problemas brasileiros para o cidadãos: ela era formada por saúde (31%0, segurança (16%), educação (12%), desemprego (11%) e fome (7%). Agora, a corrupção já aparece praticamente empatada com a saúde (22% contra 23%) e a inflação entrou na lista com 9%, quase igual ao desemprego (8%).

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Contudo, o governo parece pisando ainda na contramão. As ideias circulantes em Brasília falam em amplificar a comunicação (marketing) e em acalmar, com cargos e outros que tais o universo do Congresso e dos partidos. Como essa estratégia, a trégua alcançada por Levy e Temer vai ter vida curta.

O governo não se pronunciou sobre as manifestações nem sobre a pesquisa. Porém, o ministro-vice-presidente disse, conciliatoriamente, que se deve ouvir a voz das ruas. Brasília está mesmo com os ouvidos atentos.