Perspectiva

Dilma nos EUA, Grécia e Petrobras agitarão próxima semana

Mercado acompanhará visita oficial da presidente aos EUA na segunda-feira, enquanto aguarda a votação da última medida do ajuste fiscal, que poderá ocorrer na quinta-feira

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SÃO PAULO – O mercado não conseguiu sair do movimento de lateralização na  penúltima semana de junho, que teve nos destaques o habeas corpus pedido para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que levou abaixo o mercado na última quinta-feira – o movimento foi apagado no pregão de hoje, no entanto, com o Ibovespa subindo 1,58%. Com apenas dois pregões para o fim do mês, especialistas não acreditam que o Ibovespa conseguirá se “destravar” da banda deixada no final de maio (entre 54.267 pontos e 52.780 pontos). Até agora, o índice acumula alta de 2,4% no mês.  

O sentimento é que o cenário interno macroeconômico complicado não deixará o mercado se animar muito, mesmo tendo a Grécia como o grande evento dos próximos dias. Isso porque um possível acordo grego já está, em parte, precificado pelo mercado. Não fosse isso, as bolsas internacionais teriam ido abaixo nos últimos dias. “Mas, no curto prazo, pode trazer um efeito positivo, embora bem menor do que a queda que viria caso a Grécia desse o calote”, comentou o economista Hersz Ferman, da Elite Corretora.

Nesta sexta-feira, o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, convocou um referendo sobre o acordo de resgate proposto pelos credores internacionais. A consulta popular está marcada para dia 5 de julho, um domingo. Para que o referendo possa ser convocado e realizado, Tsipras diz que vai pedir uns dias adicionais para o fim do programa, que é no dia 30 de junho e já representa uma extensão ao prazo inicial. 

Segundo a Agência Estado, os ministros da zona do euro devem discutir mais opções à ajuda para a Grécia, na reunião deste sábado, de acordo com funcionários europeus, incluindo a introdução de controles de capital. “Os gregos vão votar sobre uma oferta que não está mais sobre a mesa”, disse um dos funcionários. “É hora para o Plano B.”

Não está claro ainda se os bancos gregos conseguirão continuar funcionando até a realização do plebiscito, nem se a Grécia terá de impor controles de capital – o que pode incluir feriados bancários – para conter a retirada de fundos. Essa questão depende em grande medida da disponibilidade do Banco Central Europeu (BCE) de oferecer liquidez emergencial para os bancos gregos, para cobrir retiradas de depósitos potencialmente fortes. O vice-premiê grego, Yannis Dragasakis, deve visitar a sede do BCE, em Frankfurt, para pedir ajuda ao BCE a manter os bancos gregos abertos e operando durante o plebiscito, segundo funcionários gregos. Uma fonte do governo grego disse que Dragasakis deve se reunir no sábado com o presidente do BCE, Mario Draghi, para tratar do tema.

Já no cenário político brasileiro…

Além disso, está em jogo a visita oficial da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos. Para o mercado, a viagem da presidente poderá ser crucial, já que ela terá que convencer os investidores que a mudança em sua postura é real. O apoio internacional é crucial neste momento. O Brasil irá necessitar de US$ 64 bilhões em investimentos nos próximos anos para atualizar sua infraestrutura, e também precisa explorar as jazidas do pré-sal que a Petrobras , enfraquecida por um escândalo de corrupção e pela má gestão, não consegue administrar sozinha. O mercado aguarda também que, durante a visita, os EUA oficializem a liberação da importação da carne bovina do Brasil.   

Dilma chegará aos EUA na segunda-feira, enquanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajará à Brasília. Em momento de crise no Planalto, Lula convocou as bancadas do PT no Senado e na Câmara para uma reunião, às 19h30, na próxima segunda-feira, segundo coluna Radar, da Veja.

Ainda falando de político, o mercado seguirá de olho nas votações no Congresso. O Senado poderá votar na semana que vem a última medida do ajuste fiscal – o projeto de lei da Câmara que reduz as desonerações da folha de pagamento. Aprovado pelos deputados na quinta-feira (25), o PL 863/2015, do Poder Executivo, aumenta as alíquotas incidentes sobre a receita bruta das empresas de 56 setores da economia com desoneração da folha. 

Petrobras no radar

Além disso, o mercado seguirá atento à Petrobras (PETR3; PETR4). A estatal se reuniu nesta sexta-feira para falar sobre seu plano de negócios de 2015 a 2019. A nota da reunião que deveria ser divulgada hoje, no entanto, deve ficar somente para segunda-feira, 29, segundo uma fonte com conhecimento do assunto disse à ReutersSegundo a fonte, que pediu para não ser identificada, a Petrobras deve publicar na segunda-feira um comunicado sobre o que foi debatido na reunião desta sexta-feira, encerrada por volta das 19h. A informação foi confirmada por uma segunda fonte contatada pela Reuters. Procurada, a Petrobras não comentou imediatamente a informação.

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A previsão é que a diretoria da estatal apresente uma proposta de corte de até 40% nos investimentos da companhia, que sairiam de cerca de US$ 220 bilhões, conforme o plano anterior, para cerca de US$ 130 bilhões. Há também cenários para cortes menos drásticos no capex (investimentos em bens de capital) da companhia, em torno de 25% a 30%. 

O plano de negócios da Petrobras está ganhando uma importância muito grande agora porque a Petrobras passa por um ponto de inflexão. “É um ponto crucial para o futuro da empresa. O mercado trabalha com um corte para algo em torno de US$ 130 bilhões. Se vier algo próximo disso será bom, enquanto qualquer número acima deverá ser mal recebido”, diz Ferman, da Elite. Isso porque, com um capex muito elevado, a companhia provavelmente não vai conseguir se financiar somente com seu caixa e correrá o risco de precisar fazer nova capitalização, comenta.

Fora isso, há expectativa também sobre como vai ser a política de ajuste de preços de combustíveis da estatal, se haverá uma regra mais clara na metodologia. “O mercado precisa disso”, reforça. 

E voltando à pauta econômica

Ferman retoma que a pauta econômica seguirá quente no mercado. “Estamos passando por uma fase ruim, seja na parte política, sem o governo conseguir apoio para ajustas as contas públicas, seja pelos números econômicos, com o desemprego vindo pior do que o esperado hoje. A situação não é boa”, comenta Ferman. Pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada na quinta-feira, 25, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do País ficou em 6,7% em maio, ante 6,4% em abril, a maior taxa para o mês desde 2010 (7,5%).

O Brasil está caminhando para uma taxa de desemprego de dois dígitos, previu nesta sexta-feira, 26, o economista para América Latina do BNP Paribas, Marcelo Carvalho, durante teleconferência com a imprensa. Ele não especificou, contudo, quando a taxa deve alcançar esse patamar. “O desemprego vai piorar. Estamos caminhando para uma taxa de desemprego de dois dígitos”, afirmou. Segundo ele, essa previsão leva em conta o cenário de alta de juros e recessão da atividade econômica. Para 2015, o BNP Paribas projeta que a taxa de desemprego deve encerrar o ano em 6,7%, subindo para 8,8% em 2016.

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Entre os indicadores econômicos, após o Banco Central revisar para baixo sua projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) neste ano, em seu relatório de inflação, as sondagens de junho serão conhecidas na próxima semana e serão importantes para medir a intensidade do enfraquecimento da economia brasileira neste trimestre, comentou o Bradesco. A FGV divulgará as sondagens do comércio, na segunda-feira, e da indústria e dos serviços, na terça-feira. 

Na quinta-feira, o IBGE divulgará a produção industrial de maio, que, para o Bradesco, deve mostrar um recuo de 0,1% em relação ao mês anterior. No cenário interno, o mercado ficará atento também ao resultado fiscal do setor público consolidado, na terça, e da balança comercial de junho, na quarta. O Bradesco projeta déficit primário de R$ 6,4 bilhões e superávit comercial de US$ 3,9 bilhões. 

Na agenda internacional, o destaque ficará por conta dos dados de atividade e emprego, conhecido como Payroll, também de junho nos EUA. O Relatório de Emprego americano sairá excepcionalmente na quinta, lembrando que na sexta-feira (3) será feriado do dia da Independência por lá. Economistas estimam criação de 230.000 vagas e desemprego de 5,4%.  

Na quarta-feira será conhecido o ISM da indústria de transformação e na quinta a variação da folha de pagamentos e a taxa de desemprego. Durante a semana serão divulgadas também as leituras finais dos índices PMIs da indústria de transformação na China, na terça-feira, e na Área do Euro na quarta.

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