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Como o esperado, as revelações diárias sobre as investigações da Operação Lava-Jato agitaram o cenário político de Brasil ontem, ainda mais que novidades surgiram tanto para aproximar mais o ex-presidente Lula do sítio em que costuma descansar em Atibaia como pela divulgação do teor do depoimento do ex-ministro José Dirceu ao juiz Sergio Moro, no qual o petista naturalmente se defende e ao mesmo tempo insinua responsabilidades outras em questões envolvendo o petrolão, inclusive citando o senador Aécio Neves e o PSDB nessas insinuações.
O clima chegou a tal grau de tensão que levou o PT a decidir utilizar as inserções que tem direito a partir de hoje no horário político no rádio e na televisão quase que exclusivamente para fazer a defesa de Lula, deixando em segundo plano a própria apresentação do partido e a defesa do governo Dilma como é de hábito.
A recuperação da imagem de Lula preocupa demais porque, além do ex-presidente ser o grande líder e o símbolo do partido, o PT ficaria de mãos abanando na disputa eleitoral de 2018. Discretamente, alguns partidos da aliança governista, como o PDT e o Pros, já estudam a viabilidade de sustentar a candidatura do ex-ministro Ciro Gomes à sucessão de Dilma como opção para os governistas de hoje, em lugar de Lula.
Segundo o jornal “O Estado de S. Paulo”, o PT dispõe de pesquisas indicando que em qualquer cenário que se sonde a preferência dos eleitores para 2018, Lula é vencido. O instituto de pesquisa Ipsos divulgou ontem uma pesquisa do mês passado indicando que apenas 25% dos eleitores disseram acreditar que o ex-presidente é um político honesto. Durante o escândalo do mensalão, em 2005, eram 49%. Conter e reverter essa sangria passou a ser a prioridade petista.
Ainda consequência do petrolão, o desgaste dos partidos também é generalizado, não apenas o PT está atingido: 82% acham que todas as legendas são corruptas e os mesmos 82% dizem não ter nenhum partido de preferência. 71% consideram o PT mais corrupto que outras legendas. 79% avaliam o governo como ruim e péssimo e 92% acham que o Brasil está no rumo errado. A política está achando o fundo do poço.
O Palácio do Planalto percebeu que todo esse ambiente, juntamente com a deterioração do quadro econômico – medo maior dos políticos em ano eleitoral -, pode dificultar ainda mais as já complicadas tratativas para levar o Congresso a aprovar as medidas mais urgentes da reforma fiscal ainda pendentes – tais como a recriação da CPMF e a prorrogação da DRU (Desvinculação das Receitas da União). Sem contar as encantadas reforma previdenciária e trabalhista.
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O pacote anunciado no Conselhão continua gerando dúvidas e ceticismo. Segundo o “Valor Econômico”, a agência de classificação de risco Fitch diz que as medidas de estímulo ao crédito provavelmente não ajudarão a estimular a economia; para a Moody’s, a preocupação são os bancos públicos.
Por isso, resolveu fazer uma ofensiva mais pesada sobre o Congresso e os aliados. Assim, depois de desdenhar a sugestão do ex-ministro Delfim Neto de que fosse pessoalmente ao Congresso hoje para entregar a mensagem presidencial de praxe, com a lista de suas prioridades e respaldada na autoridade presidencial, Dilma decidiu atravessar o pequeno espaço na Praça dos Três Poderes que separa o Planalto das duas cúpulas da Câmara e do Senado e ir entregar pessoalmente o texto – em um gesto ao mesmo tempo de reconciliação e demonstração de respeito de um lado e de pressão direta de outro. A presidente vai apelar também para um esforço total no combate à dengue.
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Um mês de alta combustão
A conferir o que Dilma dirá de fato, se aprofunda o teor de suas intenções ou fica apenas no já sabido e reiterado na reunião de quinta-feira do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (o Conselhão) e qual a reação dos parlamentares, vindos de um mergulho mais profundo na realidade do país, cientes da desconfiança da sociedade em relação ao desenvolvimento do emprego e da renda e das lamúrias dos quase falidos prefeitos municipais.
Mas o governo, ao mesmo tempo, não descansa no afã de encontrar recursos para fechar o Orçamento de 2016 com sinais de que pode cumprir a promessa de encerrar o ano entregando de fato um superávit primário de 0,5% enquanto as reformas não chegam. E ataca pelo lado mais fácil, o aumento da receita, via elevação de impostos.
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Ontem o Ministério da Fazenda fez mais uma rodada dessas, para engordar a arrecadação do Tesouro Nacional em mais R$ 1 bilhão este ano, elevando o IPI sobre chocolates, cigarros, sorvetes e rações para cães e gatos – todos incluídos naquela linha de supérfluos.
Na semana passada ele já havia acabado com a isenção do Imposto de Renda para remessas de turismo. Desde o início do ano passado aumentou-se também a Cide sobre combustíveis, o IOF sobre crédito e tributos sobre bebidas e eletrônicos. Informava-se ontem (“Primeiras” de segunda) que estão na mira também o Simples e o setor agropecuário.
Na política, além da agitação provocada pelas novidades da Lava-Jato, o destaque ficou para a apresentação ontem pelo presidente da Câmara ao Supremo Tribunal Federal do embargo (pedido de revisão) de três das decisões de dezembro a respeito dos ritos do impeachment. Como STF não deve decidir imediatamente, isso vai atrasar o soterramento, como espera o governo e parece ser a possibilidade maior hoje, do pedido de impedimento da presidente.
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O Palácio do Planalto tem pressa nessa decisão para evitar a contaminação do processo por uma provável piora do ambiente econômico. Na melhor das hipóteses, a decisão na Câmara se dará apenas no inicio de março. Com a folia carnavalesca e tudo, fevereiro promete ser um mês de alta combustão.
Outros destaque dos
jornais do dia
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– “Bônus brasileiros pagam juro alto e viram atração” (Valor)
– “Brasil ‘perde’ 22,9 mi de linhas de celulares” (Estado)
– “Balança comercial tem melhor janeiro desde 2007” (Estado/Folha/Valor)
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– “CVM investiga abuso de poder em fusão da Oi” (Valor)
– Consumo de energia cai 2,1% em 2015” (Estado)
– “Conta de luz fica mais barata a partir desta segunda-feira” (Globo)
– “Zelada é condenado a 12 anos por corrupção e lavagem de dinheiro” (Globo/Estado/Folha)
LEITURAS SUGERIDAS
Ilan Goldfagn – “Muito além do PIB” (diz que administrar a escassez de arrecadação vai ser um desafio em tanto o que é mais um motivo para acelerar as medidas de contenção de gastos obrigatórios) – Estado
José Paulo Kupfer – “Hora da reforma” (diz que sem abrir espaço fiscal governo não induz inversões nem relança a economia) – Estado
Bernardo Mello Franco – “Hora da merenda” (comenta reação do governador Alckmin à história da merenda escolar e diz que se ele quer disputar a presidência deveria disputar um discurso mais convincente) – Folha
Maurício Molan “Relaxa, a inflação vai cair” (diz que o fim do choque de tarifas e no câmbio e a profundidade da recessão atual irão se encarregar de baixar a inflação até o fim de 2016) – Folha
Raymundo Costa – “Explicações mais ou menos convincentes” (diz que o ex-ministro recua e deixa seu recado na Operação Lava-Jato; e diz que o ex-presidente Lula deu explicações bastante razoáveis sobre o triplex, embora retardadas e cheias de contradições) – Valor