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SÃO PAULO – Os juros sobre a dívida da Espanha têm alta moderada nesta sexta-feira (14) refletindo uma reunião de ministros de Finanças da Zona do Euro. O encontro que acontece entre hoje e sábado, no Chipre, pode definir uma eventual ajuda extra ao governo espanhol.
A Espanha, que já solicitou € 100 bilhões para apoiar seu sistema bancário, quer as mais leves condições possíveis para uma nova linha de crédito da União Europeia ou um programa que de compra de títulos pelo BCE (Banco Central Europeu).
Na capital cipriota, Nicósia, o ministro de Economia do país, Luis de Guindos, de fato, descartou que o Eurogrupo exija novas condições relacionadas a ajustes e reformas em troca de um resgate do BCE, que prevê a compra ilimitada de bônus do país. Porém, ele garantiu que o governo fará “anúncios importantes nos próximos dias” sobre reformas estruturais.
O impasse, no entanto, não é apenas em relação aos termos de um resgate, mas também sobre a real necessidade de uma assistência financeira ao país. O Eurogrupo e o próprio governo espanhol parecem divididos sobre se a Espanha deve ou não ativar o pedido de resgate externo.
Até agora, pelo menos, parece que nenhum pacote de resgate parece estar em negociação. Conforme um porta-voz do BCE, não há conversas sobre um pacote à Espanha junto com o FMI (Fundo Monetário Internacional). “Cabe às autoridades espanholas fazer um pedido”, garantiu.
| País | Rendimento | Variação | Spread vs. Bund* |
|---|---|---|---|
| Grécia | 20,79% | +0,10% | +19,10 |
| Portugal | 8,08% | +0,16% | +6,39 |
| Itália | 4,98% | -0,92% | +3,29 |
| Espanha | 5,64% | +0,09% | +3,95 |
| França | 2,25% | +3,87% | +0,56 |
| Alemanha | 1,69% | +8,24% | – |
* Diferença calculada em pontos percentuais. Fonte: Bloomberg
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Entenda: quanto maior, pior
Os títulos públicos são uma das maneiras que os governos possuem para se financiar, enquanto a variação diária dos rendimentos decorre das negociações no mercado secundário. O juro pago pelo governo e o valor do papel são definidos no momento da emissão dos títulos, mas este último sofre variação no mercado secundário.
Assim, quanto mais arriscado um investimento, maior será o prêmio demandado pelos investidores no mercado secundário. Portanto, o valor do título recua e, consequentemente, o rendimento no mercado secundário aumenta. Tal variação positiva é uma indicação de que caso o governo opte por emitir novos papéis o custo para se financiar deverá ser maior.