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O pedido contra falência da Genesis Global e de suas entidades relacionadas mostram que a controladora Digital Currency Group (DCG) deve à sua afiliada mais de US$ 1,65 bilhão.
As três entidades que pediram proteção contra falência, que é um dispositivo da lei americana similar à recuperação judicial no Brasil, são a holding Genesis Global Holdco (GGH), o credor Genesis Global Capital (GGC) e a Genesis Asia Pacific (GAP).
A dívida do DCG com a Genesis inclui empréstimos de US$ 575 milhões com vencimento em maio deste ano e uma nota promissória de US$ 1,1 bilhão com vencimento em junho de 2032, de acordo com uma declaração apresentada nesta sexta-feira (20) ao tribunal de falências do Distrito Sul de Nova York por Paul Aronzon, membro de um comitê especial do conselho de administração da GGH.
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O comitê especial está investigando as atividades de empréstimo entre GGC e DCG para determinar se as empresas falidas têm quaisquer reivindicações viáveis contra a DCG relacionadas a essas transações que possam ajudar na reestruturação.
A investigação está sendo conduzida pelo escritório de advocacia Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP – que representa a Genesis no processo –, liderado por Lev Dassin, ex-procurador interino dos Estados Unidos.
O foco da investigação são “empréstimos não garantidos da GGC de aproximadamente US$ 850 milhões às antidades da DCG, a nota [promissória] do DCG, várias transações que reestruturaram os US$ 850 milhões em empréstimos não garantidos em novembro de 2022 e o suposto exercício do DCG de US$ 52,5 milhões compensados em novembro de 2022”, além de outros pontos.
O comitê também está investigando possíveis ações de evasão e tipos de ações relacionadas às seguintes entidades da DCG: Gemini Trust Company, LLC e outros credores da Genesis. Uma ação de evasão significa que os devedores tentarão evitar ou anular certas transferências de fundos que fizeram antes de entrar com o pedido contra falência.
A queda da Genesis é o episódio mais recente de uma saga de colapsos de alto perfil que abalaram a indústria cripto no ano passado, incluindo a implosão do ecossistema Terra (LUNA) e, mais recentemente, a falência da FTX.
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A Genesis se viu entrelaçada com a Terra e a FTX e, logo após pedido de falência da corretora em novembro, foi forçada a suspender saques em sua unidade de empréstimo, que tinha como um dos principais clientes a Gemini, a exchange cripto do irmãos Cameron e Tyler Winklevoss. Desde então, os dois travam uma campanha pública contra Barry Silbert, o CEO da Genesis, DCG e DCG.
Antes do pedido de proteção contra falência, a Genesis estava tentando levantar novo capital ou chegar a um acordo com os credores. Os papéis da falência mostram que a empresa devia US$ 3,5 bilhões a seus 50 maiores credores.