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SÃO PAULO – Diante da perspectiva de que os juros devem retomar sua tendência de queda durante o ano de 2005, da redução na alíquota de imposto de renda para o investimento em ações, que desde janeiro de 2005 caiu para 15%, muitos investidores começam a considerar se não seria o momento de investir em ações.
Não bastasse isso, as recentes quedas registradas neste início de ano, fez com que algumas ações tenham seu preço ainda mais atrativo, de forma que muitas pessoas passaram a olhar com mais atenção para o mercado de ações, buscando uma alternativa de investimento mais rentável.
Porém, para o investidor que não está acostumado com o mercado de renda variável, a aplicação em ações, embora surja como uma interessante alternativa para melhorar a rentabilidade, pode oferecer diversos riscos. Exatamente por isto vale a pena seguir pelo menos cinco “regras de ouro”, que podem fazer a diferença entre ganhar ou perder dinheiro no mercado de ações.
Cuidado com o prazo
Um dos erros mais comuns de quem começa a investir em ações é não considerar que este é um tipo de investimento para quem pode manter o dinheiro investido por um prazo mais longo. Isso ocorre porque o mercado é muito volátil, ou seja, flutua muito para cima e para baixo.
Muitas vezes as pessoas compram uma ação, pensando em tirar o dinheiro, digamos, em um mês. Por ser um mercado líquido, o investidor consegue sacar seus recursos, mas muitas vezes a escolha não foi a melhor e o saque pode levar a perdas. Esta situação é o freqüente, levando muita gente a criticar o mercado e achar que não vale a pena – mas o erro não é do mercado, e sim de quem acha que o investimento sempre vai dar retorno positivo.
Ovos em cestas diferentes
Quando a bolsa sobe, aumenta a tentação de sacar todo o dinheiro da renda fixa e transferir para ações, sempre pensando como teria sido se tivesse feito isso desde o início da aplicação, ou seja, quantas coisas poderia ter comprado com o dinheiro ganho…
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Como o mercado de ações varia muito e a rentabilidade não é garantida, a melhor alternativa é sempre manter uma parcela, preferencialmente a maior, investida em aplicações sujeitas e menor oscilação, como renda fixa, evitando correr riscos desnecessários. Assim, se a bolsa sobe, você ganha, mas se cair você ao menos limita as perdas.
Faça o mesmo também com suas aplicações em ações, comprando mais do que um papel, o que reduz bastante a possibilidade de você perder muito, pois quanto menos ações você tiver, maior será o peso de cada uma na carteira e maior o estrago que ela pode fazer em caso de forte queda. Para quem tem pequenas quantias disponíveis para investimento, vale mais a pena investir através dos fundos de ações.
Evite comportamento impulsivo
Para quem está começando a investir em ações e, por acaso, o preço da ação cai logo depois da compra, vem logo a sensação de angústia: será que é melhor vender para evitar perdas maiores?
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O mercado de ações é sempre mais volátil, e pode levar a situações de perdas temporárias, de forma que não adiante se desesperar e vender tudo só porquê o mercado foi para baixo. Se as perdas forem causadas por um fator que altera as perspectivas da ação, talvez vale a pena vender, mas evite tomar atitudes puramente por impulso, sem pensar nas conseqüências.
No mercado de ações, em geral o melhor momento para comprar é quando todos estão em pânico e o melhor para vender é em situações de euforia generalizada. O segredo é saber usar o comportamento impulsivo dos OUTROS investidores para o seu benefício.
Conheça seus limites
Se quando o novo investidor começa com o pé esquerdo no mercado ações, com as ações caindo logo depois da compra, a reação pode chegar ao desespero, o inverso acontece com quem já começa ganhando.
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Muita gente, após contabilizar os ganhos potenciais de um bom começo no mercado de ações, acaba se empolgando e parte para novos investimentos em ações, sonhando com a riqueza que pode ser obtida e imaginando por que não havia pensado nisso antes…
Com isso, aumentam as aplicações, tanto no que diz respeito aos valores investidos, com gente sacando da renda fixa e da poupança, vendendo carros ou até a casa para comparar mais ações, ou do tipo de risco, com investidores partindo para mercados ainda mais arriscados, como opções e futuros.
Embora alguns consigam ficar ricos com esta estratégia muito arriscada, a realidade é que para a esmagadora maioria isso não acontece. Se fosse tão fácil você pode ter certeza que todos já estariam fazendo a mesma coisa. Assim, respeite seus limites e considere este mercado apenas como mais um onde você pode melhorar o retorno de seus investimentos.
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Só perde ou ganha quem vende
Por fim, pode parecer óbvio, mas efetivamente ganha dinheiro no mercado de ações quem compra e vende, ou seja, quem embolsa o lucro e parte para a próxima. Um exemplo disso foi o boom de ações de empresas de internet que ocorreu nos EUA até 2000.
Muita gente comprou ações, digamos por US$ 1.000, e, beneficiados pela forte valorização em um prazo muito curto, perceberam que o valor do investimento tinha subido para US$ 20.000. Contagiados pelos “ganhos”, estes investidores mudaram seus padrões de consumo e passaram a gastar acima da conta.
Esta situação é viável para quem comprou e vendeu as ações, embolsando os US$ 19.000 na operação. Porém muita gente não vendeu, gastou a mais, e depois de um ano descobriu que os US$ 1.000 investido se transformaram em US$ 500, depois que a bolha explodiu. Resultado: perda no investimento e uma pilha de dívidas!
Assim, somente pode contar com os recursos quem efetivamente vende suas ações. O mesmo vale para quem está perdendo. Quem tinha ações em 2002 sabe o que isso quer dizer, pois quem vendeu seus papéis pouco antes das eleições presidenciais certamente contabilizou perdas, mas quem teve sangue frio e esperou o mercado se recuperar para vender possivelmente conseguiu recuperar as perdas e ainda sair ganhando algum dinheiro…