Diante das perdas dos fundos em maio, o que fazer?

Ajuste nos fundos foi pontual e perdas de até 1% devem ser recuperadas em junho; dólar deve continuar subindo, mas só é opção para quem não tem pressa

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SÃO PAULO – Na quarta-feira, dia 29 de maio, véspera do feriado de Corpus Christi, os gestores de fundos de investimentos foram informados pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e pelo Banco Central de que teriam que ajustar a forma de contabilização dos investimentos na carteira dos seus fundos, passando a adotar a marcação a mercado.

Prazo de ajuste foi antecipado

A notícia surpreendeu não tanto pela decisão, que já havia sido acordada desde o início do ano, e já era esperada como parte da adoção do novo sistema de pagamentos brasileiro, mas pelo fato de que os gestores esperavam ter alguns meses para promover estes ajustes, mas acabaram tendo apenas um dia, o dia 31 de maio.

Os ajustes serem positivos para o investidor, porque tornam o valor dos seus investimentos mais transparentes, uma vez que o valor da cota do fundo equivale a exatamente o quanto o gestor obteria se vendesse todos os seus ativos naquele dia, e não com base em uma estimativa sobre os rendimentos pagos pelos títulos. Contudo, a má comunicação do fato acabou assustando os investidores e levou vários fundos a sofrerem saques significativos.

Alguns bancos, principalmente os estrangeiros, já adotavam esta prática, simplesmente porque é desta maneira que se contabilizam ativos nos EUA e Europa. Exatamente por isto, estes foram os bancos que menos sofreram, ao contrário de alguns dos grandes bancos comerciais brasileiros, cujos fundos em alguns casos sofreram perdas de quase 5% no mês de maio.

O que fazer diante das perdas?

A resposta pode não agradar a muitos investidores, mas o melhor a fazer agora é ter calma e não tomar decisões precipitadas. O ajuste, como explicamos brevemente acima, deve ser pontual, afetando o desempenho da carteira dos fundos por alguns dias, não mais do que isto.

Como a expectativa é que, já em junho, os fundos voltem a registrar a rentabilidade normal, isto é, de cerca 1,20% ao mês, portanto para quem perdeu apenas 1% a 1,5% deve ver seu dinheiro de volta já no final de junho, ou meados de julho. Mas se as perdas foram maiores, de cerca 5%, então é possível que este dinheiro só seja recuperado depois de quatro meses.

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Mas se você realmente está preocupado e não acredita em uma recuperação das perdas em breve, aonde investir? Certamente não na poupança, que com uma rentabilidade de apenas 0,70% ao mês, não apresenta grandes riscos, mas certamente vai fazê-lo demorar ainda mais para ver seu dinheiro de volta.

A bolsa também está fora de questão no momento, porque diante da demora da economia norte-americana de mostrar sinais claros de recuperação, o mercado interno acaba ficando sempre vulnerável ao humor das bolsas internacionais, e, no momento, o sentimento é de pessimismo. É possível que se o Banco central optar finalmente por cortar os juros, a bolsa se recupere, mas nossa recomendação ao pequeno investidor é que espere a confirmação dos cortes antes de colocar tudo na bolsa.

Dante da proximidade das eleições e das incertezas quanto à sucessão presidencial, nossa preferência, para quem aplica por período menor do que um ano, continua sendo pelas aplicações em renda fixa, até porque os juros ainda seguem bastante elevados, o que torna a aplicação em renda fixa a melhor opção em termos de retorno ajustado para o risco. Contudo, outra opção para quem perdeu a confiança nos fundos, ou prefere diversificar suas aplicações podem ser as aplicações em dólar.

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A moeda norte-americana é um bom termômetro do sentimento do mercado, já que um aumento do pessimismo é refletido na alta do dólar e vice-versa. Desta forma, como o pessimismo está em alta, investir em dólar pode ser uma boa opção, para quem não tem problema de se expor a uma aplicação de maior risco, e não tem pressa de sacar o dinheiro.

Isto porque, assim como o dólar registra alta de 6% nesta semana, ele pode cair este mesmo percentual se notícias positivas voltarem ao mercado. Portanto, trata-se de uma aplicação para quem não precisa ter a garantia de um rendimento fixo no final do mês, e que pode, se necessário, em caso de queda da moeda esperar até que ela se recupere para vender suas posições.

Uma opção interessante para quem quer se beneficiar de novas altas do dólar, mas não deseja se expor demais a este mercado pode ser a aplicação em fundos multimercados sem renda variável, que combinam aplicações em câmbio e juros, diminuindo, com isto a exposição ao dólar.

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Como sempre quando o assunto é o seu dinheiro, o melhor é ter calma, lembre-se que os fundos DI e de renda fixa aplicam preferencialmente em títulos públicos, e que, se estes passarem a registrar perda, provavelmente é porque o país quebrou, como aconteceu na Argentina, neste caso quase todas as aplicações devem registrar perdas, é um daqueles cenários em que absolutamente ninguém sai ganhando. Basta olhar a Argentina para entender isto.