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SÃO PAULO – Na última semana, o mercado apontou que está em compasso de espera, enquanto a euforia pós-votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff parece não ter existido. Isso por conta do forte movimento da semana anterior, com os preços já refletindo as grandes chances da autorização da Câmara para seguir o processo, aponta a Rosenberg Consultores Associados.
Porém, há outro ponto que está sendo levado em consideração, aponta a consultoria. O mercado está de olho, além do avanço do processo, a percepção mais concreta do que seria um possível governo de Michel Temer antes de comprar o “kit Brasil”.
A Rosenberg aponta os diversos rumores, mas ainda nada concretos, sobre os possíveis ministros do governo Temer, o que corrobora a visão cautelosa sobre o novo governo. O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga teria sido sondado, mas não aceitou.
“O principal nome que volta à mesa é o de Henrique Meirelles, seguido de Murilo Portugal – ambos teriam boa aceitação no mercado”, afirma a consultoria. Hoje de manhã, o Valor Econômico apontou ainda um outro nome, o do senador paulista José Serra (PSDB). “A verdade é que, tecnicamente, os desafios da economia brasileira são relativamente fáceis de identificar, mas as soluções, politicamente complexas – uma situação diferente, por exemplo, da comparação excessivamente utilizada nestes dias, com o Plano Real”, destacam os economistas.
Entre outros ministérios, a Rosenberg também destaca o nome do economista Ricardo Paes de Barros na coordenação dos programas sociais, que parece ser o melhor nome possível. “Unanimidade entre todos os partidos, sem dúvida será uma aquisição de peso, sinalizando a preservação e ampliação dos programas sociais”, destaca. Além disso, Temer acena com a bandeira da redução para 20 ministérios e corte efetivo de boa parte dos mais de 20 mil comissionados, o que tem poucos efeitos em termos de orçamento. Porém, cria um ambiente mais positivo.
Quanto aos problemas a serem enfrentados pelo governo, um deles poderá
advir do STF nesta semana, com a renegociação da dívida dos Estados, aponta a consultoria. Outro desafio é a dificuldade para a montagem de uma base no Congresso, conforme aponta o jornal O Estado de S. Paulo de hoje: segundo a publicação, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) não está conseguindo amarrar apoios.
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Na quinta, a direção executiva do PSB, partido que conta com 33 deputados federais e sete senadores, se reunirá para definir uma posição sobre uma eventual administração Temer. A maioria do colegiado defende a mesma linha que hoje é majoritária no PSDB: não participar com cargos caso Temer assuma. A proposta é apoiada pela maioria da direção da legenda e defendida por dois caciques do partido, o vice-governador de São Paulo, Márcio França, e o governador de Pernambuco, Paulo Câmara.
Enquanto isso, a cada oportunidade, o Banco Central se desfaz mais de seu estoque de swaps cambiais, dando um suporte à moeda. Neste ambiente, a inflação começa a ceder (especialmente serviços), ao mesmo tempo em que o mercado de trabalho sofre cada vez mais (10,4 milhões de desocupados no trimestre encerrado em fevereiro) e o déficit em transações correntes caminha para praticamente zero no médio prazo. O Banco Central deve manter o discurso de estabilidade dos juros, mas crescem as chances de que as condições para uma flexibilização monetária genuína comece ao final deste ano, destaca a consultoria. Isso a menos que o governo Temer tenha tamanho grau de insucesso que o câmbio volte a subir, contaminando expectativas e dificultando a queda da inflação.
“Em suma, o Brasil segue em compasso de espera. À espera de um novo governo,
novo ministério, novos rumos. Se será possível com o velho Congresso, com
as velhas idiossincrasias… Ao menos a disposição para a mudança parece
ser grande”, afirmam os economistas da consultoria.
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