Destaques da Bolsa

Dia de sell off: Petrobras, Vale e siderúrgicas afundam até 9%; só 5 das 58 ações do Ibovespa fecham em alta

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta sessão

SÃO PAULO – O Ibovespa caiu 2,83% nesta terça-feira (13), indo a 56.925 pontos, acompanhando o movimento das bolsas internacionais e pressionado pelas ações ligadas a commodities, que desabaram até 9%. Lá fora, os preços futuros do petróleo afundaram cerca de 3% e puxavam para baixo as ações da Petrobras, que na mínima do dia atingiram queda de 7,92% no caso das ordinárias (indo a R$ 14,76) e 7,24%, das preferenciais (a R$ 12,94). 

Em dia de sell off no mercado, 9 das 58 ações do índice caíram mais de 6%. Do outro lado, apenas 5 registraram alta, em um campo dominado praticamente pelas exportadoras. Fibria, JBS, Suzano e Embraer foram as maiores altas do benchmark, mas nenhuma delas com variação acima de 2%. 

Na edição desta terça-feira do Comprar ou Vender, o analista Pedro Galdi, da Upside Investidor, disse que a derrocada das ações da Vale e siderúrgicas, em especial Gerdau, era janela de oportunidade para colocar esses ativos em carteira. Já o analista Marco Saravalle, também da Upside Investor, destacou durante o programa que as ações do setor de papel e celulose poderiam ser boas opções para trades curtos na Bolsa, aproveitando os movimentos de alta do dólar (para conferir esta edição do programa clique aqui). 

Fora do índice, o destaque ficou com as ações da JHSF, que dispararam até 11,88%, a R$ 1,79, após anunciar a venda do Shopping Metrô Tucuruvi por R$ 440 milhões e alonga mais R$ 270 milhões em dívidas. O volume financeiro movimentado com o papel foi de R$ 6,068 milhões, contra média diária de R$ 1,676 milhão dos últimos 21 pregões.

Confira abaixo os principais destaques de ações da Bovespa nesta terça-feira:

Vale (VALE3, R$ 16,27, -6,98%VALE5, R$ 13,82, -6,94%)
As ações da Vale afundaram hoje, seguindo o movimento do minério de ferro. A commodity cotada no porto de Qingdao recuou 2,92% nesta terça-feira, indo a US$ 56,09 a tonelada seca. Acompanharam o movimento negativo as ações da Bradespar (
BRAP4, R$ 9,47, -6,70%) – holding que detém participação na Vale – e as siderúrgicas Gerdau (GGBR4, R$ 8,65, -8,76%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 3,80, -8,43%), CSN (CSNA3, R$ 8,14, -7,39%) e Usiminas (USIM5, R$ 3,59, -7,71%). 

No radar, em entrevista realizada em Londres, o diretor de relações com investidores da Vale Peter Poppinga afirmou que a mineradora pretende reiniciar operações da Samarco até o fim de 2017; ele ainda destacou que a Vale pretende ter maior visão sobre dividendo até outubro. Para ele, o preço do minério de ferro ficará acima de US$ 50 a tonelada e será negociado entre US$ 50 e US$ 60 a tonelada métrica no próximo ano. O diretor de RI ainda ressaltou que o IPO da unidade de metais básicos segue fora de discussão. 

Exportadoras
Já as ações voltadas à exportação conseguiram se salvar de dia de forte queda no mercado, beneficiadas pelo movimento do câmbio. O  dólar comercial fechou em alta de 2,08%, a R$ 3,3157 na compra e R$ 3,3168 na venda. Entre as poucas altas do Ibovespa, figuraram as ações das exportadoras Fibria (FIBR3, R$ 24,04, +1,86%), Embraer (EMBR3, R$ 15,87, +1,21%), JBS (JBSS3, R$ 11,70, +0,69%) e Suzano (SUZB5, R$ 10,64, +0,66%). A única exceção foi a elétrica Energias do Brasil (ENBR3, R$ 13,83, +0,51%), que encerra o grupo positivo do índice neste pregão.   

CCR (CCRO3, R$ 16,86, -5,23%)
O grupo CCR declarou que está acompanhando as medidas anunciadas pelo governo federal com o objetivo de permitir a retomada dos investimentos e ainda aguarda o detalhamento de regras sobre o novo programa de concessões de infraestrutura para avaliar seu interesse nos projetos. 
Em nota encaminhada ao Broadcast (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado), a companhia afirmou que seu interesse “vai depender das condições oferecidas para cada negócio e de sua viabilidade econômico-financeira e ambiental”, disse.

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Ontem, uma matéria do blog O Investidor de Sucesso, do InfoMoney, destacava a ação como uma das “ganhadoras” do pacote de concessões do governo, segundo análise do Credit Suisse, que via R$ 60 bilhões em oportunidades de investimentos nos próximos 18 meses (para ver a análise completa clique aqui). 

Alpargatas (ALPA4, R$ 9,70, -2,02%) 
O TCU disse que “examina a regularidade” do empréstimo que a Caixa fez para a J&F Investimentos, controladora de empresas como a JBS, para comprar a fatia da Camargo Corrêa na Alpargatas, segundo documentos do tribunal. A J&F usou os R$ 2,67 bilhões para financiar toda a aquisição, segundo disseram à Bloomberg duas pessoas a par do empréstimo, que pediram para não ser identificadas porque a operação é privada.

Momento e termos do empréstimo deram uma vantagem competitiva para a J&F sobre outros rivais interessados pelo ativo, porque permitiram que a controladora da JBS pagasse a aquisição inteiramente em dinheiro, segundo banqueiros consultados pela Bloomberg.

JHSF (JHSF3, R$ 1,64, +2,50%) 
A JHSF Participações celebrou a venda da companhia Metro Norte, concessionária do Shopping Metro Tucuruvi, para a Hemisfério Sul Investimentos (HSI). O preço estabelecido para a transação foi de R$ 440 milhões. Está previsto na proposta um período de exclusividade para a HSI pelo prazo de negociação dos contratos definitivos, previsto para os próximos 15 dias. Na máxima do dia, as ações da companhia subiram 11,88%, a R$ 1,79. O volume financeiro movimentado com o papel foi de R$ 6,068 milhões, contra média diária de R$ 1,676 milhão dos últimos 21 pregões.

Segundo comunicado da JHSF, a HSI se comprometeu a pagar R$ 30 milhões a título de sinal, sendo R$ 5 milhões nesta data. O saldo do sinal deverá ser pago no momento da assinatura dos contratos definitivos. 

Além da venda de ativos, a companhia continua no processo de alongamento do perfil de suas dívidas. Ontem, foi assinado mais uma etapa da operação de alongamento, no valor de R$ 270 milhões, totalizando 80% da dívida total já reperfilada. Segundo analistas, essa etapa, somada a potencial transação, que está muito próxima de ser fechada, trará impacto positivo para a empresa no curto prazo, e na redução de sua alavancagem de 3,1 vezes dívida líquida/Ebitda. 

JBS (JBSS3, R$ 11,79, +1,46%)
A JBS informou nesta manhã que seu conselho de administração aprovou a eleição de José Batista Júnior como diretor presidente interino da companhia e a indicação do conselheiro José Batista Sobrinho, fundador da JBS, para a função de presidente do conselho de administração.

Em comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a JBS disse que tais alterações foram promovidas em virtude do recebimento pela companhia de correspondências enviadas por Wesley Mendonça Batista e Joesley Mendonça Batista, informando que, conforme decisão proferida pelo Juízo da 10ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal, Wesley Batista está temporariamente suspenso do exercício de seus cargos de Diretor Presidente e de VicePresidente do conselho de administração da companhia e Joesley Batista está temporariamente suspenso do exercício de seu cargo de presidente do conselho da empresa. Os irmãos Batista informaram à companhia que recorrerão da referida decisão.

“Assumo a JBS com o compromisso de dar continuidade ao crescimento sustentável da Companhia. A JBS possui uma robusta estrutura global e regional de negócios, com executivos de alta qualidade e uma sólida governança”, comentou José Batista Júnior.

Cesp (CESP6, R$ 13,59, +2,10%) 
As ações da Cesp tiveram a recomendação elevada pelo Credit Suisse de neutra para outperform (desempenho acima da média do mercado) com o preço-alvo sendo revisado para cima de R$ 14,00 para 16,50. Os analistas do banco acreditam que, dada a recente undeperformance (desempenho abaixo da média) dos papéis, essa seja uma oportunidade de compra de Cesp e, com isso, decidiram revisar para cima a ação. Em relatório, eles destacam que o call mais positivo não é baseado unicamente em um cenário de privatização, ou seja, mesmo que isso não aconteça eles enxergam um yield de fluxo de caixa livre bastante interessante, na casa dos 20% para os próximos anos, além de um potencial aumento de dividendos.

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Petrobras (PETR3, R$ 14,81, -7,61%; PETR4, R$ 13,01, -6,74%)
As ações da Petrobras desabaram, seguindo o desempenho negativo do petróleo no exterior. O contrato futuro do Brent registrou queda de 2,65%, a US$ 47,04 o barril, enquanto o WTI recuou 2,98%, a US$ 44,91 o barril. A commodity caiu repercutindo números fracos sobre o crescimento da demanda pela commodity em relatório divulgado mais cedo pela AIE (Agência Internacional de Energia). Impactaram as ações da estatal também a notícia de que a votação do projeto de lei que libera a Petrobras da obrigatoriedade de participação em todos os consórcios que exploram petróleo no pré-sal foi adiada. A votação ficou para depois das eleições municipais de outubro.

Além disso, O Estado de S. Paulo destaca em matéria desta terça-feira que o CEO da Petrobras, Pedro Parente, mira na Ambev (ABEV3) para projetar o que será a estatal depois de virada a página da sua maior crise. O modelo de gestão da gigante multinacional de bebidas está na base das metas e planos de ação que a petroleira adotará nos próximos cinco anos. As diretrizes do novo plano de negócios serão discutidas pelo conselho de administração da petroleira na próxima segunda-feira, segundo comunicado da estatal divulgado na última segunda-feira, 12.

A base da nova gestão, presente já no plano estratégico, será o conceito de orçamento base zero, um modelo adotado no País desde a década de 50. A ideia é desconsiderar o histórico orçamentário e de receitas, para redefinir a cada ano os projetos e investimentos prioritários. O objetivo é buscar melhor eficiência de gastos e evitar orçamentos inflados em projetos desvinculados das prioridades da empresa.

“Metodologia é uma coisa muito importante. A Petrobras tinha planos estratégico e anual diferentes. Não era uma maneira boa, só por coincidência o plano anual perseguia os objetivos estratégicos. Agora, não tem hipótese de inconsistência”, afirmou Pedro Parente, na entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. 

A gestão será a marca de Parente nos próximos dois anos em que planeja estar à frente da Petrobras. Para tanto, o executivo trouxe à diretoria executiva o ex-presidente da BG no País Nelson Silva, para quem foi criado o cargo de diretor de Estratégia, Organização e Sistema de Gestão. Assim como Jorge Paulo Lemann nos anos 90, o presidente da estatal aposta na cartilha do guru brasileiro da meritocracia, Vicente Falconi, para desenhar a nova petroleira, saneada em até cinco anos. As bases da estratégia podem ser resumidas em quatro letras: PDCA – iniciais em inglês das palavras planejamento, execução, acompanhamento e padronização.

Ainda no noticiário da estatal, a companhia teve o preço-alvo elevado de R$ 9,20 para R$ 15 pela Planner.