Indústria

Dexco (DXCO3) vê demanda internacional aquecida e repasse de inflação aos produtos; ações recuam

A Dexco observou, em fevereiro, que o ritmo de produção está normalizado, com sinais de que a alta dos preços está cedendo em alguns setores

Por  André Cabette Fábio -

O presidente da Dexco (DXCO3), Antonio Joaquim, afirmou que o final do quarto trimestre de 2021 foi marcado por uma “inflação importante” de insumos por conta da forte demanda e impactos de síndromes gripais e Covid sobre a produção. 

Entretanto, como afirmou durante teleconferência analistas, nesta quinta-feira (10), a empresa foi capaz de repassar os custos para os produtos já no início de 2022.

Sobre 2022, o executivo da Dexco afirmou que, em janeiro, a inflação ficou abaixo do previsto e que, em fevereiro, o ritmo de produção está normalizado, com sinais de que a alta dos preços está cedendo em alguns setores.

“As commodities começam a ter um viés de queda e esperamos um cenário de inflação menor no Brasil”, disse.

Em relação ao mercado imobiliário, o executivo disse que vê sinais de demanda forte nos próximos anos.

Por isso disse avaliar que, mesmo com o cenário político e possíveis desacelerações pontuais na demanda, “é muito difícil” que os anos de 2022, 2023 e 2024 sejam ruins para o setor.

Demanda internacional

Na teleconferência, Antonio Joaquim afirmou que a forte demanda internacional do mercado de painéis de madeira deve se manter por ao menos uma década, impulsionando as exportações, que classificou como um “tema central” da empresa no momento. 

Ele disse que há um “desbalanço de florestas no mundo” e falta de madeira no mercado mundial, com poucas florestas na Ásia e na Europa e insuficientes nos Estados Unidos, também dependentes de importações. Esse cenário “prejudica toda a cadeia que depende da madeira, de celulose, painéis, esse tipo de coisa”. 

“Tradicionalmente, exportávamos 25 mil metros de madeira por mês, e em janeiro exportamos quase 50 mil metros”. “Eu poderia dobrar a exportação se fosse o caso.” A empresa destacou que vem, no entanto, buscando garantir o fornecimento doméstico e seu posicionamento neste mercado. 

Antonio Joaquim disse que a madeira do tipo MDP (sigla em inglês para partículas de média densidade) é hoje mais relevante para a empresa do que a MDF (fibras de média densidade).

E que as margens com MDP no mercado interno e no mercado externo “se aproximaram muito”, em uma situação “inédita”. Por isso, disse que há “pouco efeito” em exportar, apesar da demanda “extremamente alavancada”. 

Ele afirmou que vê essa alta demanda internacional como “um movimento de longo prazo” e que avalia que “não existe solução de curto prazo”, a não ser em “mais de dez anos à frente”. 

Ele também disse que vê o mercado de fretes com preços altos por conta de “especulação”, e “aproveitamento de momento”, e que espera que a situação se ajuste “em algum momento”, gerando mais competitividade.

Revestimentos cerâmicos

O presidente da Dexco também afirmou que há um histórico de exportação consistente ao longo dos anos e novas oportunidades no setor de revestimentos cerâmicos. 

Em sua avaliação, o Bradesco afirmou que o setor de cerâmica da Dexco foi positivamente impactado pela realização de preços 7% maior no trimestre frente ao imediatamente anterior, enquanto que os custos cresceram 4% na mesma comparação.

Balanço Dexco (DXCO3)

A antiga Duratex, fabricante de painéis de madeiras, revestimentos cerâmicos e louças e metais sanitários, obteve lucro líquido recorrente de R$ 407,057 milhões no quarto trimestre de 2021. O montante foi 44,6% maior do que no mesmo intervalo do ano anterior.

As ações fecharam a quinta-feira (10) em baixa de 2,52%, a R$ 13,56, na contramão da Bolsa, que fechou em alta de 0,8%.

Em avaliação divulgada mais cedo, o Bradesco BBI afirmou, no entanto, que, por conta de incertezas no cenário macroeconômico no Brasil e da alta exposição da Dexco à atividade do setor varejista de construção, prefere manter uma avaliação neutra sobre os papéis da empresa no momento.

O banco disse ver uma assimetria de valoração maior em outros nomes sob sua cobertura. 

Ebitda

O Bradesco BBI afirmou que o Ebitda de R$ 588 milhões relativo ao quarto trimestre de 2021 divulgado pela Dexco ficou em linha com sua expectativa e 3% abaixo do consenso do mercado. O Ebitda avançou 13,9% na comparação anual.

O banco disse que continua a aprovar a história de longo prazo da empresa, com base em crescimento alinhado à estratégia de loja única para demandas diversas (“one-stop-shop”) e otimização do mix de produtos. 

Mas manteve a avaliação neutra. Segundo o banco, presumindo uma geração de Ebitda de R$ 2 bilhões em 2022, a Dexco seria negociada por 6,6 vezes a relação entre patrimônio líquido e Ebitda, frente aos níveis “justos” de entre 7 e 7,5 vezes neste ponto do ciclo. 

O Bradesco destaca que o Ebitda de painéis de madeira permaneceu estável na comparação trimestral, e teve alta de 20% na comparação anual. Custos realizados 11% mais altos na comparação trimestral e 38% na anual foram compensados por custos unitários 7% maiores na comparação trimestral e volumes 6% menores na comparação trimestral. 

O banco também ressaltou que o projeto de celulose solúvel continua a avançar dentro do ritmo esperado, com 93% da construção completa no final de 2021. 

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